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Trabalho com crianças venezuelanas coloca educadoras de Manaus entre experiências reconhecidas no Brasil

Foto: Divulgação/ Semed

A crise migratória venezuelana transformou a demografia e a dinâmica social das capitais do Norte do Brasil nos últimos anos, exigindo das redes públicas de ensino muito mais do que a simples oferta de vagas. Em resposta a esse desafio complexo, educadoras da Creche Municipal Magdalena Arce Daou, mantida pela Secretaria Municipal de Educação (SEMED), conquistaram projeção nacional ao apresentar estratégias de acolhimento na primeira infância.

O debate ocorreu durante o Encontro Nacional de Experiências Inspiradoras de Gestão de Projetos Pedagógicos de Educação Integral em Tempo Integral, sediado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte.

O evento, promovido pela Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), reuniu representantes de 128 redes de ensino de todas as regiões do país. A participação de Manaus nesse fórum lança luz sobre a urgência de políticas de educação integral que não se limitem a estender o tempo de permanência do aluno na escola, mas que promovam uma transformação humanitária e cultural profunda dentro das salas de aula.

O elo cultural entre a Venezuela e o Amazonas

A iniciativa manauara ganhou destaque sob o título “Das Arepas ao Tucumã: uma proposta de interculturalidade entre povos irmãos”. O trabalho foca na integração prática entre crianças nativas e famílias de migrantes venezuelanos, quebrando as barreiras do preconceito e da xenofobia desde os primeiros anos de vida.

O plano pedagógico foi estruturado em quatro eixos fundamentais que guiam as atividades diárias com as crianças:

  • O idioma que conecta, promovendo a comunicação e o bilinguismo afetivo.
  • Cidadania em ação, trabalhando direitos, deveres e o respeito mútuo.
  • Gastronomia e cultura, unindo tradições culinárias como a arepa venezuelana e o fruto amazônico.
  • Arte que transforma, utilizando expressões visuais e musicais para unir os alunos.

A abordagem crítica desse projeto reside em entender que a inclusão escolar não ocorre apenas matriculando a criança, mas sim validando a história e a identidade que ela traz de seu país de origem. Ao aproximar os hábitos da Venezuela dos costumes amazônicos, a escola cria uma rede de apoio que fortalece a autoestima dos alunos estrangeiros e desenvolve a empatia nos estudantes brasileiros.

Os impactos reais na comunidade escolar

Os resultados apresentados pelas educadoras na UFMG mostram que a iniciativa conseguiu superar os muros da creche, alcançando as famílias que frequentemente vivem em situação de vulnerabilidade social e isolamento linguístico. O diálogo permanente estabelecido pela instituição ajudou a consolidar vínculos mais sólidos entre os responsáveis e os professores.

“É uma satisfação muito grande representar a SEMED Manaus ao lado de outras instituições de ensino. Saber que a secretaria reconhece e valoriza o trabalho pedagógico realizado nas creches nos motiva ainda mais. Tudo começa na educação infantil, e esse reconhecimento fortalece nosso compromisso com uma educação de qualidade”, destacou Jucilene Seixas de Carvalho, diretora da creche, durante sua participação em uma mesa redonda.

O sucesso da proposta evidencia que o investimento na formação de professores e na autonomia pedagógica gera frutos diretos na qualidade do ensino básico. Quando a gestão pública apoia projetos focados em direitos humanos, o ambiente escolar se torna um polo de pacificação social e desenvolvimento comunitário.

Visibilidade para a educação do Norte

Levar as experiências pedagógicas do território amazônico para um evento de nível nacional é um passo importante para descentralizar o debate sobre a educação integral no Brasil. Historicamente, os grandes centros urbanos do Sudeste concentram as atenções e os recursos destinados a pesquisas acadêmicas, deixando de lado as soluções inovadoras construídas no cotidiano das escolas do Norte.

“Momentos como este são fundamentais para a socialização de práticas desenvolvidas no cotidiano da educação básica. O intercâmbio com educadores de diferentes regiões amplia conhecimentos, fortalece as instituições e contribui para a disseminação de boas práticas. Além disso, dá visibilidade ao trabalho realizado em nosso território amazônico e reforça a importância de iniciativas que incentivem a formação e a valorização dos educadores”, afirmou a professora Maria Raquel Souza dos Santos, coordenadora do projeto.

A trajetória dessa equipe de educadoras serve como um indicativo claro para os gestores federais e municipais de que a Educação Integral em Tempo Integral atinge seu potencial máximo quando alia o cumprimento das metas curriculares ao respeito às realidades migratórias e regionais, transformando a escola pública em um verdadeiro espaço de acolhimento universal.

Fonte: ASCOM | Paulo Rogério/ Semed 

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