
Uma fonte ligada ao PL afirma que o partido deverá acionar, ainda esta semana, a senadora eleita pelo Distrito Federal, Michelle Bolsonaro, para que venha a Manaus reforçar a campanha de Maria do Carmo Seffair no segundo turno da disputa pelo Governo do Amazonas.
A estratégia faz parte do esforço da legenda para ampliar a presença de lideranças nacionais ao lado da candidata, que enfrentará Omar Aziz (PSD) na etapa decisiva da eleição.
Segundo a fonte, o PL também trabalha para trazer novamente a Manaus o senador Flávio Bolsonaro, numa tentativa de fortalecer politicamente a candidatura de Maria do Carmo e mobilizar fortemente o eleitorado identificado com o campo conservador.
A candidata encerrou o primeiro turno criticando o que chamou de uso “despudorado” das máquinas públicas e defendendo que eventuais alianças no segundo turno sejam pautadas por “identidade de valores e princípios”.
Omar: o jogo recomeça

Omar Aziz (PSD) chega ao segundo turno da eleição para o Governo do Amazonas em posição confortável, depois de fechar a primeira etapa da disputa com cerca de 40% dos votos válidos e uma vantagem superior a 280 mil votos sobre Maria do Carmo, segunda colocada.
Apesar da vantagem expressiva, o senador adotou um discurso de cautela e tratou o segundo turno como uma nova eleição. A estratégia passa pela busca de alianças, pelo diálogo com o eleitorado de centro e por uma campanha de tom mais conciliador.
Aziz também aposta no horário eleitoral gratuito e nos debates como instrumentos para apresentar propostas e aprofundar a disputa de ideias.
A ordem de comando de Aziz para a nova fase da disputa é evitar o clima de “já ganhou”. Como ele resumiu após o primeiro turno, “Agora, a disputa recomeça do zero”.
Pressão nos tribunais

Fora da disputa pelas duas vagas do Amazonas no Senado, Wilson Lima encerra a eleição de 2026 sem mandato eletivo para 2027, mas continua enfrentando uma dura batalha nos tribunais.
O ex-governador é réu em ação penal que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ), relacionada à compra de 28 respiradores durante a pandemia de Covid-19.
O processo envolve acusações de irregularidades na contratação, peculato, participação em organização criminosa e embaraço às investigações.
A batalha eleitoral terminou. A batalha judicial, não.
Virada histórica de Curubão

Clóvis Curubão (PT) chega à Assembleia Legislativa do Amazonas carregando um peso simbólico que ultrapassa os 34.869 votos obtidos nas urnas.
Eleito com 1,64% dos votos válidos, Curubão será o primeiro deputado estadual indígena eleito para a Aleam, numa mudança histórica na composição do Legislativo amazonense a partir de 2027.
A vitória também produz uma mudança dentro do próprio PT. Curubão ocupa o espaço que vinha sendo representado pelo deputado Sinésio Campos, que não conseguiu a reeleição.
O principal combustível eleitoral de Curubão veio de São Gabriel da Cachoeira. No município, recebeu 17.563 votos, desempenho decisivo para consolidar sua eleição.
No resultado geral, terminou como o 18º candidato mais votado para deputado estadual, mas foi beneficiado pela lógica do sistema proporcional e pelo desempenho de sua legenda.
Vitória de Joana Darc

A estratégia eleitoral da família Darc-Lima terminou com resultados diferentes nas urnas de 2026. Joana Darc foi eleita deputada federal, enquanto o marido, Aldenor Lima, não conseguiu conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Joana recebeu 85.461 votos e garantiu uma das vagas do Amazonas na Câmara dos Deputados, deixando a Aleam para assumir um mandato em Brasília a partir de 2027.
Aldenor, candidato a deputado estadual, obteve 18.478 votos e ficou como suplente na estrutura da federação União Progressista.
Fim de um ciclo

As urnas de 2026 produziram uma derrota dupla para a família Câmara no Amazonas. Silas Câmara perdeu a disputa pelo oitavo mandato consecutivo na Câmara dos Deputados, enquanto o irmão, Comandante Dan Câmara, não conseguiu renovar a cadeira na Assembleia Legislativa.
Silas obteve 93.497 votos, mas ficou fora das oito vagas destinadas ao Estado. Pelo Republicanos, a única cadeira conquistada ficou com Amom Mandel, eleito com 119.265 votos.
Na Aleam, Dan Câmara recebeu 32.351 votos, mas terminou atrás de Rodrigo Guedes dentro do Republicanos. A legenda elegeu apenas Guedes, com 42.295 votos, deixando Dan fora da próxima legislatura.
Peso da derrota
A derrota de Silas tem um peso especial. Ele chegou à Câmara em 1998 e venceu sete eleições consecutivas para deputado federal. Em 2026, sua sequência foi interrompida.
A votação também recuou em relação aos ciclos anteriores. Depois de alcançar o pico de 166.281 votos em 2014, Silas chegou a 93.497 neste ano.
Dan, por sua vez, havia sido eleito deputado estadual em 2022 com 21.770 votos e até ampliou sua votação em 2026. O crescimento individual, porém, não foi suficiente para superar o desempenho do próprio partido.










