
O nome do cantor Alexandre Pires voltou a aparecer em uma investigação da Polícia Federal sobre a cadeia ilegal de cassiterita extraída da Terra Indígena Yanomami.
Na segunda fase da Operação Disco de Ouro, a PF investiga uma estrutura que teria movimentado e ocultado mais de US$ 48 milhões. Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e determinadas 17 ordens de sequestro de bens e valores.
Segundo a investigação, uma empresa ligada ao cantor teria recebido R$ 2,5 milhões em depósitos fracionados. Outros R$ 1,3 milhão teriam sido transferidos por uma mineradora ao grupo do artista.
Relatórios de inteligência financeira também apontaram movimentações consideradas atípicas envolvendo empresas e o cantor.
Cassiterita com documento falso

A investigação da PF mostra que o problema pode ser bem maior que a participação de uma celebridade.
Segundo a apuração, cerca de 30 toneladas de cassiterita apreendidas em 2022 teriam sido retiradas ilegalmente da Terra Indígena Yanomami e posteriormente apresentadas como se fossem provenientes de um garimpo regular no rio Tapajós, em Itaituba, no Pará.
A lógica investigada é preocupante, pois busca alterar documentalmente a origem do minério para fazê-lo entrar no mercado formal. Depois, o dinheiro passa por empresas, contas de terceiros e operações financeiras que dificultariam o rastreamento.
É a lavagem da origem do minério, transformando uma carga supostamente ilegal em produto com aparência de legalidade.
Garimpo não acaba na floresta

A grande lição da Operação Disco de Ouro é que o garimpo ilegal não se resume ao homem na beira do rio ou à máquina escondida na floresta.
Existe uma cadeia por trás, reunindo combustível, aeronaves, máquinas, alimentos, transporte, documentação, compradores, empresas, exportadores e mecanismos financeiros.
Destruir uma draga ou retirar um garimpeiro de uma área protegida pode interromper uma frente de exploração. Mas, se os financiadores, compradores, operadores financeiros e falsificadores continuarem ativos, a engrenagem pode se reorganizar.
Amazonas no escândalo

Embora a investigação da cassiterita tenha como foco uma cadeia de extração localizada em Roraima, o problema não pode ser tratado como exclusivamente roraimense.
A Terra Indígena Yanomami tem aproximadamente 9,6 milhões de hectares e se estende também pelo Amazonas, alcançando Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira.
Os danos ambientais, sociais e econômicos provocados pela exploração ilegal de minerais atingem um território que ultrapassa as fronteiras estaduais.
A cassiterita, conhecida como “ouro preto” por ser fonte de estanho, alimenta uma cadeia industrial que começa na Amazônia e pode terminar muito longe dela.
Café requentado da PF

A Operação Combustão, deflagrada pela Polícia Federal contra a AADESAM, coloca novamente no radar um caso relacionado às eleições de 2022.
A investigação apura suspeitas de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e financiamento eleitoral irregular, com seis mandados de busca e apreensão e bloqueio de R$ 17 milhões em bens e valores.
O detalhe que chama atenção é o tempo, pois trata-se de uma investigação que teve como referência fatos relacionados ao pleito de 2022 e que somente agora ganha nova movimentação, em pleno período eleitoral de 2026. Daí a sensação de “café requentado”.
Recorde de empregos
O Amazonas encerrou 2025 com 2,549 milhões de pessoas de 14 anos ou mais ocupadas, o maior contingente desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012.
Os números divulgados pelo IBGE mostram que o Estado tinha 2,439 milhões de pessoas ocupadas em 2023 e chegou a 2,511 milhões em 2024. Em dois anos, foram incorporados cerca de 110 mil amazonenses ao mercado de trabalho.
Outro dado chama atenção, pois entre os trabalhadores do setor privado, excluídos empregados públicos e domésticos, 56,8% estavam em empreendimentos com apenas uma a cinco pessoas.
Os pequenos negócios continuam tendo peso importante na geração de ocupação no Estado.
Mulheres avançam
O crescimento da ocupação também aparece entre as mulheres. Segundo o levantamento do IBGE, o Amazonas fechou 2025 com cerca de 1,2 milhão de mulheres ocupadas.
No país, eram 44,8 milhões de mulheres trabalhando, correspondendo a 43,5% da população ocupada. Desde 2012, a ocupação feminina cresceu 20,5%, com a incorporação de 7,6 milhões de trabalhadoras.
No Amazonas, o número de pessoas ocupadas associadas a sindicatos, porém, caiu de 123 mil em 2024 para 106 mil em 2025. O dado também merece atenção quando se analisa o comportamento do mercado de trabalho.
Salazar sob pressão

O Tribunal de Justiça do Amazonas manteve em andamento a discussão judicial envolvendo o vereador e candidato a deputado federal Sargento Salazar (PL) no processo relacionado à morte de Felipe Kevin de Oliveira Costa.
A decisão do vice-presidente do TJAM, desembargador Airton Luís Gentil, negou recurso apresentado pela defesa e preservou a tramitação da apelação do Ministério Público contra a absolvição sumária concedida anteriormente.
A decisão não representa condenação e não estabelece responsabilidade criminal definitiva. O que permanece é o recurso do Ministério Público, que busca reverter a absolvição sumária.










