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De caroço de açaí a cosméticos, dez projetos querem transformar a riqueza da Amazônia em negócios

Gerente de inovação do IDESAM, Paulo Simonetti - Fotos: Michael Dantas e Divulgação Idesam

A busca por soluções sustentáveis ganhou um impulso decisivo com a escolha de dez propostas tecnológicas desenvolvidas para valorizar a floresta. A iniciativa faz parte do “Desafio Bioinovação Amazônia”, promovido pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM) por meio da ZÔMA, geradora de negócios criada em 2025. O projeto mobilizou quase 500 inscrições vindas de mais de 80 países.

O programa conecta pesquisadores, empreendedores, indústrias e comunidades locais para criar alternativas capazes de gerar renda e proteger o meio ambiente. A ação conta com financiamento do Bezos Earth Fund e parceria técnica com a Penn State University, adotando o modelo de inovação aberta. Nesse formato, as reais necessidades da região e do mercado orientam a produção científica.

Etapas da seleção

O gerente de inovação do IDESAM, Paulo Simonetti, explicou que a chamada funciona em redes de colaboração. O especialista ressaltou que as indústrias mostram as demandas do mercado, as comunidades apontam o potencial das matérias-primas e a instituição mobiliza pesquisadores para criar as soluções operacionais.

A seleção ocorreu em fases bem definidas. A primeira etapa reuniu candidatos voltados para seis áreas prioritárias, incluindo bioativos de óleos amazônicos, óleos funcionais, derivados da borracha, fortalecimento da cadeia da castanha-do-brasil, amidos funcionais e aproveitamento de resíduos de frutas.

Em julho, a segunda fase escolheu 50 participantes divididos igualmente entre 25 inovadores e 25 especialistas em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). O grupo passou por capacitações e formação de equipes até o Pitch Day, evento em que uma banca especializada avaliou os trabalhos e definiu as dez propostas vencedoras.

Propostas de alto valor

As tecnologias selecionadas trazem aplicações para os setores de cosméticos, saúde, nutrição e novos materiais. Na área de reaproveitamento de resíduos, a empresa BioExtrativa, dos pesquisadores Ramon Sousa Barros Ferreira e Carolina Itoda, desenvolveu um método sustentável para transformar caroços de açaí em extratos bioativos. Da mesma forma, Weliton Pedro Batiston e Silvia Luciane Basso criaram uma técnica para extrair ingredientes cosméticos ricos em carotenoides a partir do buriti, prevendo o envolvimento de cooperativas no processo.

No segmento de amidos funcionais, os especialistas Leonardo Sia e Menfecy Almeida Amaral criaram um modificador sensorial para cosméticos usando farinha de babaçu. Já Nathiel Moraes e Paula Moreira apresentaram a plataforma “BioGel”, feita à base de amido para preservar o açaí e extrair compostos bioativos.

A extração de óleos também avançou com o coquetel multienzimático criado por Danilo José Machado de Abreu e Cassiana Mendes, que conseguiu mais do que dobrar o rendimento do óleo de buriti em testes práticos. Paralelamente, a Oiru Bio, das pesquisadoras Isabella Barbosa e Marina Aoe Shimono, desenvolveu um software com sensores não invasivos para rastrear espécies como a copaíba e calcular a produção sem danificar as árvores.

Na área da saúde, a equipe ACUS, formada por Letícia Scherer Koester e Taris Macedo, criou microagulhas poliméricas que se dissolvem na pele para liberar bioativos. As pesquisadoras Samanta Finsterbuch e Cassiana Mendes produziram um nanorrepelente com compostos de andiroba e copaíba. A tecnologia BioSpin NanoLift, desenvolvida por Andrey Marcos Pinho da Silva e Taris Macedo, usa nanofibras biodegradáveis para tratamento de feridas. Por fim, o projeto Cahuchu Elixir, de Ana Karoline Almeida da Silva e Rashmi Prakash, reaproveita biopolímeros e nanobioativos amazônicos para cuidados com a pele.

Redes de inovação aberta

A participação comunitária representou um dos pilares da chamada pública. Organizações como a COOPEACRE, localizada no Acre, e a Vem do Xingu, atuante no Médio Xingu no Pará, trabalharam diretamente na construção dos desafios, trazendo o conhecimento tradicional das populações locais.

A definição das prioridades contou com um estudo do Instituto SENAI de Inovação em Biossintéticos e Fibras, ligado à Firjan, que mapeou o potencial comercial das biomassas da região. A rede reúne também o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), a Emerge Brasil e empresas consolidadas como Natura, CitroBio, Givaudan, BossaPack e Symrise.

Investimentos e apoio técnico

Os projetos selecionados entram agora na fase de testes práticos e aproximação com indústrias e comunidades. As equipes participarão de residências na Amazônia com suporte técnico e infraestrutura de laboratório.

Cada grupo receberá cerca de R$ 100 mil para a etapa de validação tecnológica. Ao final do programa, os três melhores trabalhos dividirão uma premiação de R$ 450 mil.

Todo esse ecossistema é impulsionado pela ZÔMA, a geradora de negócios do IDESAM que combina inovação aberta e criação de empresas para transformar a sociobiodiversidade amazônica em oportunidades de impacto social e ambiental positivo.

Maxi Mídia Comunicação

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