
Manaus tornou-se o centro das discussões sobre políticas culturais e sustentabilidade com a abertura da “Teia Amazonas” nesta terça-feira (27/1). O evento reúne povos tradicionais, coletivos e fazedores de cultura no Palacete Provincial até o dia 30 de janeiro. O encontro tem como foco central a “Justiça climática” e o fortalecimento da “Política nacional cultura viva”, servindo como preparação estratégica para a 6ª Teia Nacional prevista para 2026.
Desde 2006, a “Teia” é o principal espaço de articulação da cultura no Brasil, valorizando o protagonismo da sociedade civil e os territórios. Nesta edição, o debate ganha uma camada urgente ao discutir como as mudanças climáticas impactam diretamente a vida e a produção cultural nas comunidades amazônicas.
Pontos de cultura fortalecem a base cultural nas periferias
A programação sob o tema “Plano nacional cultura viva e justiça climática” promove a troca de experiências entre “Pontos de cultura” e “Pontões de cultura” de diversos municípios. A ampliação dessa rede é vista como uma vitória para as comunidades onde o poder público muitas vezes não alcança.
Michelle Andrews, da “Casa coletiva ponto de cultura” e integrante da rede “Cultura viva”, destaca que o evento é vital para o aprimoramento das políticas públicas. Segundo ela, novos mecanismos facilitaram o crescimento do setor:
- Certificação facilitada: a “Política nacional Aldir Blanc” permitiu que projetos inscritos já saíssem certificados como pontos de cultura.
- Fortalecimento da identidade: a rede garante sustentabilidade para as manifestações culturais existentes nos bairros e periferias.
- Referência de memória: os pontos funcionam como espaços de troca permanente e preservação da história local.
- Representação nacional: o objetivo é levar uma grande delegação de amazonenses para a etapa nacional em 2026.
“Viva a cultura viva, viva o Amazonas”, celebrou Michelle Andrews durante o fórum.
Interior do Amazonas ganha protagonismo no cenário cultural
A representação do interior do estado mostra a força da descentralização cultural. Itacoatiara, por exemplo, já conta com 24 “Pontos de cultura” certificados pelo Ministério da Cultura (MinC). O presidente do “Fórum permanente de cultura de Itacoatiara”, Glauber Souza, ressaltou que a diversidade é a marca da região.
Entre os exemplos citados está a “Tacacaria da casa amarela”, que une a culinária regional com diversas manifestações artísticas. Para Glauber, o fortalecimento desses espaços impacta diretamente a economia local e valoriza o artista.
“Estamos levando propostas para que o Amazonas apresente, na etapa nacional, ideias fortes e alinhadas à nossa realidade amazônica, que é diferente do restante do Brasil”, afirmou.
Gestão compartilhada e articulação institucional
O evento corresponde ao “3º Fórum estadual dos pontos e pontões de cultura do Amazonas”. De acordo com Lídia Lúcia, representante do estado na “Comissão nacional dos pontos de cultura”, a realização deste fórum segue as orientações para compor a comissão nacional, garantindo participação direta junto ao MinC na gestão compartilhada.
A presença de representantes de diversos municípios reforça a “Teia Amazonas” como um espaço de afirmação da cultura amazônica no cenário nacional. O compromisso com a democracia cultural e a diversidade reafirma que a cultura é, acima de tudo, um direito fundamental e um instrumento de transformação social.
Serviço
- Evento: “Teia Amazonas” e “3º Fórum estadual dos pontos e pontões de cultura”
- Data: De 27 a 30 de janeiro de 2026
- Local: Palacete Provincial, Centro de Manaus
- Público: Fazedores de cultura, gestores e sociedade civil
ASCOM: Aldizângela Brito










