
Enquanto o Brasil discute intensamente o fim da escala de trabalho 6×1, uma outra realidade extremamente exaustiva permanece à margem dos holofotes, a jornada contínua e sem pausas das mães e cuidadoras.
Para lançar luz sobre esse tema, o coletivo social ‘Rede Mães Amazonas’ promove, no próximo dia 16 de maio, a roda de conversa “Além da escala 6×1 – Quando o cuidado não pausa”. O evento acontece no Centro Cultural Caia Criativo, em Manaus, das 14h às 17h, com inscrições pelo link: https://forms.gle/63nQ59Tncmc58Kui7 abertas ao público interessado em debater a redistribuição desse trabalho essencial.
Escala 7×0 e carga invisível
A proposta do encontro é centralizar o debate na sobrecarga enfrentada por mulheres que acumulam múltiplas funções. Muitas vezes, o dia a dia envolve o emprego formal, a criação dos filhos, a gestão doméstica e o amparo a idosos.
É o que especialistas chamam de “Escala 7×0”, um ciclo de trabalho que sustenta a vida, mas que não oferece descanso, remuneração ou reconhecimento social.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçam a gravidade do cenário:
- Diferença de gênero: mulheres dedicam, em média, mais de 21 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados, o que representa quase o dobro do tempo gasto pelos homens.
- Acúmulo real: no total, elas somam cerca de 10 horas semanais a mais de trabalho não remunerado do que eles.
- Saúde mental: levantamentos da Think Olga revelam que 86% das brasileiras relatam alta carga de responsabilidades e 45% já possuem diagnóstico de transtornos como ansiedade ou depressão.
Para a psicóloga Rayssa Araújo, representante da Rede Mães Amazonas, essa realidade precisa ser nomeada para ser enfrentada.
“Quando falamos em reduzir jornadas formais, também precisamos olhar para quem nunca teve direito à pausa. Nós, mães, vivemos uma escala contínua e sem descanso”, afirma a psicóloga.

Economia do cuidado
A sobrecarga de tarefas domésticas e de cuidado impacta diretamente a autonomia financeira e a presença das mulheres em espaços de poder.
A divisão desigual é apontada pela ‘ONU Mulheres’ como um dos principais obstáculos que afastam o público feminino da política institucional.
No Brasil, embora sejam a maioria da população, as mulheres ocupam apenas 17% das cadeiras na Câmara dos Deputados.
O conceito de “economia do cuidado” ganha força nesse contexto. Ele reconhece que atividades como alimentar, educar e sustentar a rotina diária são fundamentais para o funcionamento de toda a sociedade.
No entanto, a base da economia global ainda é sustentada por mulheres, que realizam mais de 75% do trabalho de cuidado não remunerado no mundo.
“É urgente debater o fim da escala 7×0 a qual nós mulheres somos submetidas”, defende Marília Freire, pesquisadora e presidenta do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (CEDIM).
Segundo ela, o debate deve incluir o cuidado com quem cuida e o reconhecimento dessa atividade como um trabalho real.
Rede Mães Amazonas
Atuando em Manaus desde 2015, a Rede Mães Amazonas é um coletivo voltado ao apoio, mobilização e defesa dos direitos das mulheres, mães e crianças na região amazônica. A iniciativa nasceu de rodas de conversa e hoje se consolida como um espaço de acolhimento e incidência política. O grupo trabalha ativamente na promoção do aleitamento materno e na defesa de políticas públicas que garantam justiça social e rede de apoio para quem cuida.
Serviço do evento
As pessoas interessadas em participar da roda de conversa podem obter mais informações e garantir sua vaga através dos canais oficiais do coletivo:
- Evento: Roda de conversa “Além da escala 6×1 – Quando o cuidado não pausa”
- Data: 16 de maio (sexta-feira)
- Horário: das 14h às 17h
- Local: Centro Cultural Caia Criativo
- Inscrições: via formulário online (disponível no perfil do Instagram)
- Informações: @redemaesamazonas
ASCOM: Thayssa Castro










