
A busca pela equidade racial em Manaus ganhou um novo fôlego nesta semana com a articulação estratégica da Secretaria Municipal de Relações Institucionais e de Promoção da Igualdade Racial (Semuripir). Na última quinta-feira (23/4), a pasta reuniu um mosaico representativo da sociedade civil para alinhar o projeto de governança voltado à redução de discrepâncias sociorraciais.
O desafio é hercúleo, mas a estratégia de transversalidade — onde as ações de igualdade atravessam todas as secretarias — surge como a ferramenta mais moderna para tirar as políticas públicas do papel.
Manaus, com sua formação étnica plural e complexa, exige que o poder público não atue de forma isolada. Quando o asfalto chega a uma comunidade quilombola ou a saúde alcança um território indígena urbano, a igualdade racial deixa de ser um discurso e se torna dignidade real.
Diálogo participativo e frentes de atuação
O encontro foi marcado pela diversidade de vozes que, historicamente, lutam por espaço nas decisões orçamentárias e administrativas. A construção participativa é o único método capaz de evitar que o projeto se torne uma “caixa vazia” de burocracia. Entre os grupos que agora ajudam a ditar o ritmo da gestão, destacam-se os seguintes:
- Movimento Negro e Movimento de Mulheres Negras focados na reparação e mercado de trabalho.
- Representantes de religiões de matriz africana em busca de respeito e liberdade de culto.
- Movimento Pardo Mestiços e Povos Indígenas com demandas específicas de território e identidade.
- Setores da cultura e juventude negra que visam a ocupação de espaços criativos e tecnológicos.
A função das pontes institucionais
Para o titular da Semuripir, Walfran Torres, o sucesso do projeto depende da capacidade do órgão em funcionar como um articulador entre o clamor das ruas e a eficiência da máquina pública. A ideia é que a igualdade racial não seja um tema restrito a uma secretaria, mas um critério avaliado em cada obra ou serviço entregue pela prefeitura.
“Nosso compromisso é fortalecer o diálogo e garantir ações concretas que promovam a equidade racial no município. A governança transversal é a ferramenta que nos permite levar dignidade e oportunidades reais para quem mais precisa”, declarou Walfran Torres.
Inclusão como pilar de modernização
Uma gestão moderna não se mede apenas por aplicativos ou infraestrutura, mas pela sua capacidade de reduzir o abismo social que separa as raças e etnias no acesso aos direitos básicos. Ao integrar as demandas dos movimentos sociais às diretrizes técnicas, Manaus dá um passo importante para se consolidar como uma capital inclusiva.
O monitoramento dessas ações integradas será o próximo passo crítico. Afinal, a transformação social por meio da educação e da gestão eficiente só ocorre quando o diálogo se converte em orçamento aplicado e mudanças visíveis na vida do cidadão comum.
O “CadÚnico em Movimento” e outras ações citadas em pautas recentes mostram que a rede de proteção está se fechando, mas é a lupa da Semuripir que garantirá que ninguém seja deixado para trás por conta da cor de sua pele ou de sua origem.










