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Lula recua na “taxa das blusinhas” em meio à pressão de consumidores e empresas

Presidente diz que aceitou imposto em 2024 por pressão de ex-presidente da Câmara para aprovar outras pautas do governo - Foto: André Borges/EFE

O presidente Lula da Silva (PT) sancionou nesta quinta-feira, dia 10 de setembro, a isenção da cobrança sobre as compras internacionais de até US$ 50. A medida elimina a alíquota de 20% do Imposto de Importação em encomendas feitas por pessoas físicas em plataformas participantes do programa “Remessa Conforme”, beneficiando consumidores de empresas como Shein, Shopee, AliExpress e Temu.

A taxa havia sido criada pelo Congresso Nacional em 2024 dentro do programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover) e entrou em vigor em agosto daquele mesmo ano. Ao anunciar o fim da cobrança, o chefe do Executivo alegou que o tributo surgiu contra a sua vontade por exigência do então presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), em uma articulação para aprovar projetos do governo.

“A contragosto, eu falei: ‘Então coloca. Eu não queria que colocasse imposto não, porque fizemos um acordo, porque os empresários estão aqui, porque é preciso colocar 20%, porque se não for 20%, não vai ser aprovado nada'”, declarou Lula.

Cálculo político eleitoral

A guinada na cobrança ocorre às vésperas do período eleitoral e busca aliviar a perda de popularidade da gestão federal.

Desde a implantação da medida há dois anos, as pesquisas de opinião indicavam a taxação como um dos pontos de maior rejeição popular, empatada com a preocupação em relação à segurança pública.

A alteração na lei foi consolidada após negociações para atrair o apoio do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP).

Para tentar contornar a insatisfação popular acumulada sobre o tema, o governo também tenta acelerar a votação da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública (PEC). O imposto sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS), tributo de arrecadação estadual, continua sendo cobrado normalmente sobre as operações.

Reação do setor produtivo

O cancelamento do imposto gerou forte indignação entre os representantes do comércio e da indústria nacional. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) rebateu o afrouxamento tributário alertando que a medida coloca cerca de 100 mil postos de trabalho em risco no país.

A entidade entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando a validade jurídica do ato assinado pelo presidente. O presidente da instituição empresarial, José Roberto Tadros, criticou a decisão afirmando que a regra gera uma desvantagem excessiva para as empresas brasileiras, que continuam obrigadas a arcar com uma pesada carga de impostos internos enquanto o produto estrangeiro ingressa no mercado nacional sem a tributação federal.

Destaques da polêmica tributária

Durante a cerimônia oficial, o presidente minimizou os alertas dados pelas entidades patronais e questionou o impacto real nas empresas locais.

“Eu acho que é meio falso o discurso dos empresários que dizem que vão ter prejuízo. Vamos deixar o tempo passar para ver quem é que estava com a verdade”, afirmou Lula.

A disputa reúne pontos centrais que expõem o impasse entre o consumo individual e a produção nacional.

  • Fim da alíquota federal de 20% para compras até US$ 50 no “Remessa Conforme”.
  • Manutenção do recolhimento do tributo estadual ICMS sobre os produtos comprados.
  • Questionamento formal no STF por assimetria jurídica promovido pela CNC.
  • Alerta sobre a ameaça ao emprego em lojas físicas e fábricas do varejo brasileiro.

Impasse na economia nacional

O recuo na taxação explicita a fragilidade de uma política fiscal que oscila conforme a pressão do momento. Ao tributar as plataformas internacionais em 2024, o governo usou o discurso de proteção ao mercado interno e de arrecadação orçamentária. Ao retirar o imposto em 2026, acena aos consumidores sem oferecer uma saída equilibrada para os comerciantes nacionais que arcam com tributos elevados.

O embate jurídico no STF e o acompanhamento dos dados de emprego nos próximos meses mostrarão se a escolha trará alívio duradouro ou se a conta do desequilíbrio tributário será paga pela produção brasileira.

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/lula-sanciona-isencao-taxa-das-blusinhas-forcado-lira-2024/

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