
A economia nacional acompanha um cenário desolador no mundo corporativo. A decretação da falência da Oi e os recentes pedidos de recuperação judicial da Casas Bahia e extrajudicial da Braskem ilustram uma triste realidade. O mês de agosto de 2026 expôs empresas que dominaram os seus setores no passado mas agora lutam desesperadamente para sobreviver.
Cada corporação possui motivos internos para justificar a própria ruína. No entanto todas compartilham o peso de um endividamento descontrolado. O ambiente de juros altos sufoca qualquer tentativa de rolar as dívidas ou captar novos recursos para cobrir os prejuízos milionários.
A destruição de valor
Esse trágico grupo engloba outras marcas muito conhecidas pelos brasileiros. Companhias como Ambipar, Americanas, Azul, Gafisa, Gol, Infracommerce, Marisa, PDG, Raízen, Viveo e Sequoia Logística viram o valor de suas ações na Brasil Bolsa Balcão (B3) despencar drasticamente. Desde janeiro de 2023 o tombo supera os oitenta por cento e algumas registraram quase perda total.
A tentativa de evitar a falência forçou diversas organizações a entrarem com pedidos judiciais e a renegociarem duramente com seus credores. O aumento de capital salvou a estrutura de muitas delas mas destruiu o patrimônio dos antigos acionistas.
Abaixo detalhamos a situação das treze empresas que mais perderam valor de mercado ao longo desse período:
Sequoia e o comércio
A ação SEQL3 despencou caindo do preço ajustado de R$ 586,00 para míseros R$ 0,07. A crise reflete uma expansão muito acelerada e operações no vermelho no setor de comércio eletrônico. A empresa entrou em recuperação judicial e abandonou o segmento de vendas diretas ao consumidor conhecido como Business to Consumer (B2C). O ano de 2026 trouxe leve melhora operacional mas o investidor antigo perdeu praticamente tudo.
O drama da Gafisa
Com perda acentuada a ação GFSA3 caiu de R$ 283,20 para R$ 0,22. A incorporadora sofreu com mudanças constantes de estratégia e brigas societárias intensas. A dificuldade de gerar lucro com os seus imóveis causou forte diluição para os investidores. A companhia segue no mercado tentando reorganizar a casa.
Azul e o endividamento
Os papéis AZUL4 e AZUL3 amargaram queda brutal indo de R$ 20.600,00 para R$ 19,05. A herança maldita da pandemia somada aos custos em dólar tornou a dívida impagável. A reestruturação societária profunda manteve os aviões no ar mas pulverizou o capital de quem investiu no início.
Gol fora da bolsa
As ações GOLL4 e GOLL54 derreteram de R$ 6,88 para R$ 0,01. A empresa aérea buscou proteção judicial nos Estados Unidos da América (EUA) em 2024 após acumular dívidas insustentáveis. O controle passou para credores e investidores novos forçando a saída das ações da bolsa de valores brasileira.
O rombo da Americanas
A ação AMER3 reduziu de R$ 903,00 para R$ 4,92. A descoberta de fraudes contábeis bilionárias no começo de 2023 provocou uma das maiores perdas da história recente. A injeção de capital dos principais sócios manteve as portas abertas mas o papel continua sendo visto como um investimento de extremo risco.
Casas Bahia em crise
Os papéis VIIA3 e BHIA3 caíram de R$ 57,75 para R$ 0,34. A varejista não resistiu aos juros elevados e ao consumo fraco. A crise voltou com força total em 2026 gerando um novo pedido de recuperação judicial para negociar dívidas que somam cerca de R$ 28 bilhões.
A retração da Ambipar
A ação AMBP3 recuou de R$ 20,34 para R$ 0,16. O crescimento agressivo baseado na compra de outras empresas assustou o mercado em relação à governança e ao endividamento. A confiança sumiu e os papéis continuam negociados em patamares baixíssimos.
Infracommerce sem caixa
A ação IFCM3 perdeu muito valor indo de R$ 62,80 para R$ 1,78. O negócio focou no avanço digital mas pecou na rentabilidade. A necessidade de arrumar as contas afastou os investidores e a empresa tenta desesperadamente criar um modelo financeiro viável.
Viveo perde rentabilidade
A ação VVEO3 desvalorizou de R$ 15,80 para R$ 0,72. A distribuidora de produtos de saúde não conseguiu equilibrar as despesas e a compra desenfreada de concorrentes. A dívida subiu demais e o foco agora é reduzir a alavancagem financeira.
Falência da operadora Oi
O papel OIBR3 encolheu de R$ 1,70 para R$ 0,10. A empresa entrou em 2023 muito frágil e vendeu ativos na segunda tentativa de salvação. A justiça determinou a falência nesta semana garantindo apenas a manutenção provisória dos serviços essenciais.
Raízen tenta se recuperar
A ação RAIZ4 baixou de R$ 3,54 para R$ 0,23. Os investimentos altos não trouxeram o retorno esperado. O plano de recuperação extrajudicial foi homologado em 2026 e o futuro depende diretamente do corte de despesas.
O abismo da PDG
A ação PDGR3 caiu de R$ 15,00 para R$ 1,30. O reflexo da velha crise imobiliária continua assombrando a empresa. O negócio diminuiu muito de tamanho e a cotação irrisória mostra a decepção de quem apostou na marca.
Marisa busca reestruturação
A ação AMAR3 desceu de R$ 6,25 para R$ 0,71. A queda forte nas vendas empurrou a rede de lojas para a recuperação judicial em 2023. A operação continua funcionando mas a marca sofre para reconquistar o respeito do consumidor e do mercado.

Detalhes sobre os dados
Os preços de início refletem o fechamento do pregão do dia dois de janeiro de 2023 ajustados retroativamente por eventos societários para mostrar a variação real. Os preços finais marcam o encerramento de 27 de agosto de 2026 com exceção da Oi que teve negociação suspensa em 24 de agosto e da Gol avaliada em 27 de março de 2026.
O papel da Sequoia passou por grupamentos acumulando 200 ações antigas para formar uma atual. A Gafisa agrupou 20 ações em uma. A Azul converteu preferenciais em ordinárias e aglomerou papéis fazendo 2 mil títulos originais valerem um na nova estrutura. A Gol alterou o código na bolsa após reorganizações. A Americanas juntou 100 cotas em uma única ação.
As Casas Bahia mudaram de nome no sistema e uniram 25 ações em uma. A Infracommerce compactou 20 papéis para gerar um novo. A operadora Oi agrupou 10 ações por cota e o percentual de queda não garante o valor que os acionistas vão receber na liquidação. A PDG uniu 125 cotas para formar uma ação enquanto a Marisa agrupou cinco papéis em um.










