
É vergonhoso o Amazonas ocupar a última colocação entre as 27 unidades da Federação no ranking do IBPT que mede o retorno dos impostos em bem-estar para a população. Com índice de 162,38, o estado ficou atrás até do Piauí, além de Alagoas, Maranhão e Acre.
O levantamento, baseado em dados de 2023, expõe um desafio que não pode ser ignorado, transformar a riqueza produzida e os tributos arrecadados em melhores condições de vida para os amazonenses.
O tamanho do estado e as dificuldades logísticas do interior ajudam a explicar parte dos obstáculos, mas não podem servir de justificativa permanente para resultados tão ruins.
Dinheiro e resultados

O Amazonas precisa ir além da arrecadação e demonstrar eficiência na aplicação dos recursos públicos. O próprio estudo do IBPT mostra que o volume de impostos, isoladamente, não garante saúde, educação, saneamento e infraestrutura de qualidade.
A concentração econômica em Manaus e as dificuldades enfrentadas pelos 61 municípios do interior tornam o desafio ainda maior. Planejamento, transparência, fiscalização dos gastos e definição de prioridades são indispensáveis.
Afinal, o contribuinte faz a sua parte ao pagar impostos; o poder público precisa fazer a dele, entregando serviços que melhorem efetivamente a vida da população.
O interior não pode esperar

Desenvolver o Amazonas exige olhar para além de Manaus. Com 62 municípios espalhados por mais de 1,5 milhão de quilômetros quadrados, o estado enfrenta dificuldades reais de acesso e prestação de serviços públicos.
Mas é por isso que políticas de desenvolvimento regional precisam ser prioridade. Bioeconomia, piscicultura, agricultura sustentável, turismo e tecnologia estão entre as atividades capazes de ampliar oportunidades e gerar renda no interior.
Fortalecer a Zona Franca e, ao mesmo tempo, criar condições para o crescimento econômico dos municípios não são objetivos incompatíveis. O que não dá é aceitar que o Amazonas continue na lanterna quando o assunto é converter riqueza e impostos em bem-estar social.
Fogo sob pressão

O combate aos incêndios florestais no Amazonas ganhou reforço com a atuação conjunta dos governos federal e estadual. Em reunião realizada em Manaus, ministros do governo Lula e representantes do governo amazonense discutiram medidas para enfrentar o avanço do fogo.
Segundo o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, o Ibama já havia debelado 229 focos no estado, de um total de 1.037 em todo o país.
O número revela a gravidade da situação e a dimensão do desafio para proteger a floresta. O esforço integrado é necessário, mas a prioridade continua sendo impedir que novas áreas sejam consumidas pelas chamas.
Reforço contra as queimadas

A operação de combate aos incêndios florestais no Amazonas finalmente recebeu reforço aéreo, brigadistas especializados e apoio de órgãos federais e estaduais.
Conforme as informações divulgadas, cerca de 290 brigadistas do Ibama foram mobilizados, enquanto aeronaves chegaram a Manaus para ampliar a capacidade de resposta às queimadas. A Defesa Civil Nacional também emitiu alertas sobre a fumaça e os riscos à saúde.
A parceria entre os governos é fundamental diante da dimensão territorial do estado e das dificuldades de acesso às áreas atingidas. A floresta não pode esperar, além de combater os focos ativos, é indispensável prevenir novos incêndios e proteger as comunidades expostas à fumaça.
Floresta ainda pede socorro
O Amazonas não pode se acostumar a conviver com a fumaça, o fogo e a destruição de seu maior patrimônio natural.
Até 7 de outubro, o estado havia registrado 6.901 focos de calor em 2026, aumento de 93,9% em relação aos 3.559 registrados no mesmo período de 2025, segundo boletim do Ministério Público de Contas do Amazonas, com dados do INPE.
Direita nas ruas de Manaus

A carreata em apoio a Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, e à Professora Maria do Carmo (PL), candidata ao Governo do Amazonas, movimentou ruas de Manaus neste domingo (11/12).
Organizado pelo movimento Direita Amazonas Oficial, o ato reuniu carros, motocicletas e caminhões, com concentração na Avenida das Torres e destino à Ponta Negra.
A mobilização demonstrou a disposição dos apoiadores de levar a campanha às ruas e reforçar a associação entre os dois candidatos.
Entre famílias e comerciantes, o evento também serviu como espaço de manifestação política e atividade econômica para vendedores de materiais de campanha.
Petistas também mobilizam

O Largo São Sebastião, no Centro Histórico de Manaus, foi palco neste domingo (11/10) de uma manifestação em apoio à reeleição do presidente Lula (PT).
Com participação de militantes, movimentos sociais, entidades estudantis e trabalhadores, o ato reuniu pautas ligadas à democracia, aos direitos sociais, à cultura e à soberania nacional.
O resultado do primeiro turno, porém, mostra o tamanho do desafio eleitoral na capital, Flávio Bolsonaro obteve 54,28% dos votos em Manaus, contra 37,13% de Lula.
No conjunto do Amazonas, o cenário foi diferente, Lula venceu em 54 dos 62 municípios e terminou à frente na votação estadual. A disputa pelo segundo turno passa por realidades eleitorais distintas dentro do estado.










