
O cenário da medicina de alta complexidade no Amazonas ganhou um novo rumo nesta semana. O isolamento geográfico da Região Norte sempre impôs barreiras financeiras e emocionais para famílias que precisavam buscar tratamentos avançados no Sudeste do país. A chegada de novos equipamentos hospitalares começa a mudar essa realidade, permitindo que procedimentos delicados sejam feitos sem que o paciente precise sair de perto de sua rede de apoio.
O Hospital Santa Júlia iniciou as primeiras cirurgias robóticas de sua história utilizando o sistema Da Vinci X. As operações começaram na segunda-feira, dia 6 de julho, abrindo a “Semana de Cirurgias”, uma programação voltada a casos de grande complexidade, principalmente no ramo da urologia.
Primeiro procedimento realizado
A primeira intervenção do cronograma foi uma adrenalectomia direita por via robótica, procedimento que remove a glândula adrenal localizada acima do rim para tratar tumores e outras enfermidades. O processo durou cerca de 1h30 e terminou com sucesso.
Ao longo dos próximos dias, a equipe médica vai realizar procedimentos para conter o câncer de próstata, câncer renal, tumores nas glândulas adrenais e o aumento benigno da próstata. Também está prevista uma prostatectomia transvesical robótica, técnica de corte mínimo usada em casos específicos de hiperplasia prostática benigna.

Tecnologia e precisão
De acordo com o urologista e coordenador das cirurgias robóticas da instituição, Dr. Dimas Melão, o início das atividades é o resultado de meses de planejamento. O especialista possui certificação na área e atuava em grandes centros de São Paulo antes de assumir o programa em Manaus.
“Nosso objetivo é oferecer aos pacientes do Amazonas acesso à mesma tecnologia e aos mesmos padrões de excelência encontrados nos principais centros de cirurgia robótica do Brasil e do mundo, sem que precisem sair do estado para receber esse tipo de tratamento”, afirmou o Dr. Dimas Melão.
O sistema Da Vinci X aperfeiçoa o controle do cirurgião ao oferecer uma visão tridimensional em alta definição. Os braços do equipamento realizam movimentos delicados através de instrumentos articulados que alcançam locais de difícil acesso. Para quem passa pela operação, as vantagens aparecem no menor sangramento, redução das dores pós-operatórias, tempo curto de internação hospitalar e recuperação acelerada. O médico lembra que o aparelho não funciona de forma autônoma.
“É importante destacar que o robô não realiza a cirurgia sozinho. Todos os movimentos são comandados pelo cirurgião, que utiliza a tecnologia como uma ferramenta para ampliar sua capacidade técnica e precisão”, ressaltou.
Preparação das equipes
A montagem da estrutura exigiu investimentos que foram além da compra do aparelho. Toda a equipe de apoio passou por longas etapas de treinamento teórico e prático, incluindo simulações e exames de certificação. O processo envolveu médicos, enfermeiros, instrumentadores e anestesiologistas.
“O objetivo sempre foi iniciar o programa seguindo os mesmos padrões de excelência adotados pelos principais centros de cirurgia robótica do país e do mundo”, destacou o Dr. Dimas Melão.
A expectativa da diretoria é aumentar o número de cirurgias aos poucos, abrindo espaço para novas especialidades médicas e fixando o hospital como base de referência em tecnologia cirúrgica na Região Norte.
“Estamos investindo não apenas em tecnologia, mas também em formação profissional, pesquisa, inovação e assistência de excelência para a população amazônica”, declarou o urologista.

Histórico de inovação
A introdução da cirurgia robótica acompanha o histórico do Hospital Santa Júlia no atendimento de alta complexidade. A instituição montou o primeiro Centro de Transplantes da Região Norte, sendo responsável pelo primeiro transplante de rim no Amazonas e pelo pioneirismo em utilizar órgãos de doadores falecidos no ano de 2011.
O hospital também criou a primeira Unidade de Terapia Intensiva (UTI) cardiológica humanizada da capital amazonense e acumula mais de 500 cirurgias cardíacas em crianças.
Para o fundador da instituição, Dr. Edson Sarkis, a chegada do Da Vinci X faz parte de um compromisso antigo de modernização da saúde local.
“Ao longo da minha trajetória, sempre busquei trazer inovações para o Amazonas, e agora estamos realizando as primeiras cirurgias robóticas da cidade. O Da Vinci X representa o que há de mais moderno em cirurgia robótica e reafirma nosso compromisso de oferecer aos pacientes de Manaus o mesmo nível de excelência encontrado nos maiores centros do país”, afirmou o Dr. Edson Sarkis.
Os primeiros pacientes atendidos na capital foram selecionados por critérios clínicos rigorosos, avaliando a gravidade de cada quadro e onde a tecnologia robótica traria mais vantagens. A escolha focou em doações e doenças com forte comprovação científica de sucesso pelo método robótico.
A oportunidade de realizar o tratamento em Manaus diminui o desgaste financeiro e o estresse psicológico das famílias, que agora conseguem passar pelo período de recuperação perto de casa.
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