
Na última terça-feira, 7 de julho, o processo de modernização da mineração artesanal desenvolvido pela Cooperativa dos Extrativistas Minerais Artesanais Familiar de Novo Aripuanã (COOPERMINA) alcançou mais uma etapa considerada estratégica para a regularização da atividade mineral no Rio Madeira. Após realizar uma visita técnica às áreas de atuação da cooperativa, em Novo Aripuanã, o empresário Rui Bichara Barbosa, proprietário da empresa Minerar, sediada em Goiânia e fabricante de equipamentos para beneficiamento mineral, foi recebido em Manaus pelo secretário de Estado de Energia, Mineração e Gás do Amazonas, Ronney Peixoto, para apresentar os resultados da inspeção realizada nas pequenas dragas utilizadas pelos cooperados.
A reunião ocorreu no gabinete do secretário, na sede da Secretaria de Estado de Energia, Mineração e Gás (SEMIG), e contou com a participação do procurador da COOPERMINA, Ivan de Souza Pedrosa. Segundo os participantes, o encontro marcou uma nova fase do projeto de substituição definitiva do mercúrio por tecnologias de separação física do ouro.
Viabilidade técnica
Antes da reunião em Manaus, Rui Bichara Barbosa permaneceu durante o fim de semana em Novo Aripuanã, visitando um conglomerado de dragas pertencentes aos cooperados da COOPERMINA. Durante a visita, o empresário conversou com mineradores, acompanhou o funcionamento das embarcações e avaliou as características técnicas das chamadas escarifuças — pequenas dragas de até oito polegadas utilizadas pelos cooperados para extração de ouro no leito do Rio Madeira.
Segundo Rui Bichara Barbosa, os estudos de campo permitiram constatar que é tecnicamente viável adaptar os equipamentos produzidos pela empresa Minerar para utilização nessas pequenas plataformas flutuantes, abrindo caminho para implantação da planta piloto de beneficiamento de ouro sem utilização de mercúrio. A conclusão foi apresentada ao secretário Ronney Peixoto durante a reunião realizada em Manaus, reforçando a viabilidade do projeto defendido pela COOPERMINA.
Processos físicos
O projeto prevê a implantação de um sistema integrado de beneficiamento mineral capaz de recuperar o ouro exclusivamente por processos físicos. O objetivo é eliminar definitivamente o uso de mercúrio, substituindo a amalgamação por processos modernos de concentração gravimétrica.
A planta piloto utilizará equipamentos específicos para essa finalidade:
- Calha de concentração
- Centrífuga (na configuração mais completa)
- Separador magnético
- Mesa separadora
- Forno de fundição
Modelos em avaliação
Durante os estudos técnicos, foram desenvolvidas duas alternativas operacionais para implantação da planta piloto. A primeira prevê um circuito composto por calha, centrífuga, separador magnético, mesa separadora e forno, buscando maior eficiência na recuperação do ouro.

Na segunda alternativa, o processo é simplificado, eliminando a etapa de concentração centrífuga e conduzindo o material da calha diretamente ao separador magnético, mantendo a recuperação do ouro exclusivamente por métodos físicos.

Segundo os técnicos envolvidos, a definição do modelo dependerá dos resultados dos testes de campo e dos laudos técnicos que serão submetidos aos órgãos ambientais.
Apoio à regularização
Durante o encontro realizado na SEMIG, o secretário Ronney Peixoto recebeu o empresário Rui Bichara Barbosa e o procurador Ivan Pedrosa, oportunidade em que foram apresentados os resultados da visita técnica realizada em Novo Aripuanã. De acordo com Ivan Pedrosa, durante a reunião o secretário reafirmou o interesse do Governo do Amazonas em acompanhar e apoiar iniciativas voltadas à legalização da mineração artesanal desenvolvida pela COOPERMINA, especialmente aquelas relacionadas à adoção de tecnologias de menor impacto ambiental e à regularização da atividade mineral.
A iniciativa integra o conjunto de ações decorrentes do Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a COOPERMINA e o Ministério Público Federal (MPF), que prevê, entre outras medidas, a eliminação definitiva do uso de mercúrio, a adoção de novas tecnologias, a obtenção das licenças ambientais e o fortalecimento das boas práticas de mineração.
Próximos passos
Concluída a fase de avaliação em campo, o próximo passo será a elaboração dos laudos técnicos exigidos pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) para validação da tecnologia. Os documentos deverão subsidiar a análise dos processos de licenciamento ambiental e das futuras autorizações minerárias, permitindo o avanço da implantação da planta piloto.
Para a direção da COOPERMINA, a confirmação da viabilidade técnica da adaptação dos equipamentos representa um marco importante na construção de um novo modelo de mineração artesanal para a Amazônia, baseado em inovação tecnológica, responsabilidade ambiental e segurança jurídica para centenas de famílias ribeirinhas.










