Novo Aripuanã COOPERMINA rebate acusações e destaca avanço histórico na regularização do garimpo no...

COOPERMINA rebate acusações e destaca avanço histórico na regularização do garimpo no rio Madeira

Genilson Barbosa Cerudo, presidente da COOPERMINA, ao lado do Dr. André Luiz Porreca Ferreira Cunha, procurador da República no MPF, que atua na Amazônia Ocidental - Foto: Divulgação

Por Ana Luisa Stoffelshaus

A atividade mineral no rio Madeira voltou ao centro dos debates públicos após recentes manifestações na imprensa regional. Diante disso, a Cooperativa dos Extrativistas Minerais Artesanais Familiar de Novo Aripuanã (COOPERMINA) divulgou um esclarecimento oficial direcionado às autoridades, à sociedade amazonense e às comunidades ribeirinhas.

A entidade rebateu de forma veemente qualquer tipo de associação entre os trabalhadores artesanais e organizações criminosas ou facções ilegais, defendendo a importância do combate rigoroso à criminalidade por parte dos órgãos de segurança pública.

A COOPERMINA é uma instituição legalmente constituída, com registro ativo na Junta Comercial do Estado do Amazonas (JUCEA) e inscrição regular de CNPJ 61.445.099/0001-20.

O foco principal da associação é formalizar e organizar o extrativismo mineral praticado historicamente por famílias locais, oferecendo uma alternativa de sobrevivência econômica diante do forte declínio de atividades tradicionais, como o cultivo da juta e da malva, a pesca comercial e a agricultura familiar, que foram duramente afetadas por enchentes severas nos últimos anos.

O acordo

A busca pela regularização institucional avançou de forma concreta com a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado junto ao Ministério Público Federal (MPF).

O documento jurídico foi assinado pelo representante legal da cooperativa, o advogado Dr. Rodrigo Vieira, pelo procurador Ivan Pedrosa, responsável pelas articulações da mesa de diálogo, e por membros do órgão federal.

O acordo estabelece obrigações rigorosas para a transição técnica da atividade minerária na localidade.

Abaixo estão detalhados os compromissos assumidos para a readequação dos trabalhadores:

  • Mercúrio: eliminação definitiva e imediata do uso da substância em todos os processos de extração de ouro.
  • Prazos: período máximo de 180 dias para a completa adequação técnica das estruturas utilizadas.
  • Licenciamento: obrigatoriedade de obter todas as licenças ambientais exigidas pela legislação vigente.
  • Regularização: submissão dos processos e áreas de atuação junto à Agência Nacional de Mineração (ANM).
  • Fiscalização: monitoramento permanente e contínuo das operações para garantir o cumprimento das regras.
  • Impacto: adoção obrigatória de métodos alternativos de menor impacto ao ecossistema amazônico.

A tecnologia

Como parte prática do cumprimento do acordo, a cooperativa realizou no dia 14 de abril uma grande reunião pública presencial na sede da Prefeitura de Novo Aripuanã, que também contou com transmissão online pelo Google Meet.

O evento reuniu cooperados, técnicos, advogados, lideranças da Câmara Municipal e representantes da empresa Brastorno, uma indústria de Minas Gerais especializada no desenvolvimento de maquinário sustentável.

Cooperados presentes: Ananias, Laerte e André – Foto: Divulgação

Na ocasião, foram apresentados sistemas inovadores de concentração centrífuga, que permitem fazer o beneficiamento do ouro sem usar uma única gota de mercúrio, eliminando riscos para a saúde humana.

O geólogo Ademir Ferreira Braz, responsável técnico pelos requerimentos de Permissão de Lavra Garimpeira (PLG) na autarquia federal, explicou que o projeto usará áreas demonstrativas.

Essas frentes dependerão de um licenciamento rigoroso a ser emitido pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM). Além do maquinário pesado, a entidade lançou o programa “Cartilha do Garimpeiro Responsável” para educar os trabalhadores sobre as exigências legais.

O diálogo

A transição para a legalidade foi viabilizada pelo entendimento mútuo sobre a importância socioeconômica do rio para os ribeirinhos.

“Além dos avanços técnicos e jurídicos já em andamento, a COOPERMINA também destaca a postura institucional adotada pelo procurador da República Dr. André Luiz Porreca, titular da área de tutela do meio ambiente e combate aos crimes ambientais no âmbito do Ministério Público Federal.

Após analisar as informações preliminares apresentadas pela cooperativa, o procurador oportunizou a construção do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) como instrumento jurídico voltado à organização, fiscalização e início de um processo gradual de legalização da atividade mineral artesanal no Rio Madeira.

A cooperativa reconhece a importância dessa atuação equilibrada e dialogada do Ministério Público Federal, entendendo que a iniciativa representa uma contribuição institucional relevante para a busca de soluções responsáveis, que conciliem proteção ambiental, segurança jurídica e alternativas econômicas para centenas de famílias ribeirinhas que dependem historicamente do extrativismo mineral na região amazônica”.

Declarou a diretoria da COOPERMINA em seu posicionamento oficial.

A alternativa

Pau-de-balsa: uma possível alternativa sustentável para a extração mineral sem mercúrio – Foto: Divulgação

Outro passo científico importante que caminha ao lado da tecnologia de centrífugas é a pesquisa focada em insumos naturais da própria floresta.

A cooperativa está fechando uma parceria inédita com a professora Marta, pesquisadora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), e com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Novo Aripuanã.

A meta do grupo de cientistas é validar a utilização do extrato extraído da folha do pau-de-balsa como uma alternativa ecologicamente viável para substituir produtos químicos poluentes.

Para garantir a eficácia do experimento, a associação já iniciou as obras de montagem e estruturação de um laboratório próprio voltado exclusivamente para essa finalidade científica, reafirmando o compromisso de conciliar a geração de renda com a preservação total da floresta amazônica.

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