
O senador Flávio Bolsonaro (PL) conversou nesta terça-feira, 26/5, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington.
A reunião ocorreu na tarde de hoje, durou cerca de uma hora e quarenta minutos e serviu para o parlamentar, que é pré-candidato à Presidência da República, buscar apoio externo para suas propostas de oposição ao governo federal.
A conversa focou em temas de segurança pública, na situação da direita no Brasil e na busca por parcerias econômicas bilaterais.
A aproximação busca projetar uma imagem de prestígio internacional em um momento em que a liderança da direita no Brasil tenta se reorganizar.
Ao levar pautas domésticas como o avanço do crime organizado e a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro para o centro do debate na capital americana, o senador tenta criar um fato político capaz de blindar sua campanha contra desgastes recentes no plano interno.
Aliança internacional
O principal ponto da agenda bilateral apresentado pelo senador envolveu o endurecimento das ações globais contra as maiores facções criminosas que atuam no território brasileiro.
Flávio Bolsonaro formalizou um pedido para que a Casa Branca inclua o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista oficial de organizações terroristas dos Estados Unidos.
- Resposta americana: Donald Trump sinalizou que submeterá o pedido de classificação das facções a uma análise técnica de sua equipe de segurança nacional.
- Defesa regional: O pré-candidato garantiu que, em caso de vitória nas urnas, o Brasil integrará o “Escudo das Américas”, um programa de cooperação militar e de inteligência lançado por Washington neste ano.
- Parceria econômica: A conversa envolveu propostas de investimentos americanos no setor de terras raras no Brasil, buscando estabelecer uma alternativa de mercado fora do eixo asiático.
- Gesto simbólico: Ao término da reunião, o parlamentar recebeu de Trump uma moeda com o emblema das Forças Armadas americanas, condecoração tradicionalmente usada como sinal de prestígio entre aliados.
Embate ideológico
A viagem a Washington também serviu como plataforma para duras críticas à condução da política externa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na entrevista coletiva concedida após o encontro, Flávio Bolsonaro acusou a atual gestão de manter alinhamento com nações que apoiam regimes ditatoriais e relatou ao presidente americano supostos episódios de censura institucional no Brasil.
O senador buscou se diferenciar da atual diplomacia brasileira ao tratar do tema sensível das tarifas alfandegárias impostas pelos Estados Unidos.
Segundo ele, um alinhamento automático em questões de segurança e relações internacionais a partir de 2027 eliminaria o risco de sanções econômicas americanas, permitindo uma negociação direta e sem intermediários corporativos para a derrubada de barreiras comerciais.
Bastidores políticos
A comitiva brasileira contou com a participação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) e do jornalista Paulo Figueiredo, apontados como os articuladores do convite junto ao governo americano.
O senador fez questão de frisar que a agenda não contou com a participação de empresários, em uma clara alusão às notícias sobre a suposta atuação do grupo JBS na interlocução de agendas oficiais do governo federal em Washington.
A situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, abriu a conversa no Salão Oval.
Donald Trump questionou sobre as condições do antigo mandatário, e o filho confirmou que a família tem enfrentado o processo mantendo a estabilidade.
O tom da conversa demonstrou que o governo americano acompanha de perto os desdobramentos jurídicos e políticos no Brasil, embora Trump tenha evitado uma declaração explícita de apoio eleitoral para o pleito que se avizinha.
Disputa interna
Em Brasília, o Palácio do Planalto minimizou a relevância da agenda internacional e classificou a viagem como um movimento para desviar o foco de denúncias recentes.
Interlocutores governistas apontam que a ida aos Estados Unidos tenta abafar o impacto do vazamento de áudios envolvendo o nome de Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, além de investigações em andamento na Polícia Federal (PF) sobre fraudes no sistema de previdência social.
O senador rebateu as acusações afirmando que não possui pendências com a Justiça e desafiou a base governista a assinar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master.
Ele negou qualquer viés de crise na sua campanha e criticou a postura do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), que vetou a utilização do espaço da Embaixada do Brasil em Washington para a realização da sua coletiva de imprensa, o que obrigou a equipe a improvisar o atendimento aos jornalistas na área externa da Casa Branca.










