
A participação do Centro Integrado Municipal de Educação (Cime) Professor Doutor José Aldemir de Oliveira e da Escola Indígena Kanata T-Y-Kua na 11ª Conferência Internacional de Educação, realizada entre 13 e 17 de agosto em Brasília, coloca a rede pública de Manaus em uma posição de destaque no cenário pedagógico nacional.
Convidadas pela RedSolare Brasil, as duas unidades, situadas respectivamente na Zona Leste e na área rural da capital, representaram a Secretaria Municipal de Educação (Semed). O fato de a capital amazonense ter sido a única rede pública do país convidada ao evento evidencia o potencial de projetos construídos diretamente nas periferias e comunidades locais.
Práticas do território
O encontro reuniu especialistas e educadores da América Latina em torno de debates sobre a formação docente e a infância. Representando a unidade da Zona Leste, que atende 1.690 estudantes na creche, pré-escola, ensino fundamental 1 e 2 e Educação de Jovens e Adultos (EJA), a gestora Zilene Trovão apresentou os projetos “ECO Cultivar” e “Alfa Cime”.
A educadora, que atua como articuladora da RedSolare na Região Norte, detalhou na palestra magna e nos painéis de discussão a utilização dos espaços da comunidade como ferramentas ativas de aprendizado.
“Participei da conferência em dois momentos: na abertura, durante a palestra magna, e na apresentação de experiências, quando compartilhei o trabalho desenvolvido pela escola. Mostramos os ateliês e o uso do quintal e do território como espaços de aprendizagem e pesquisa. Em nossa comunidade, as crianças exploram igarapés, lagos e outros espaços, transformando o território em um laboratório. Esse trabalho começa na educação infantil e estimula o protagonismo, a curiosidade e a pesquisa, contribuindo para uma formação mais sólida”, destacou a gestora Zilene Trovão.
Cultura e identidade
Na área da educação escolar indígena, a presença da escola Kanata T-Y-Kua levou a valorização dos saberes tradicionais para o centro da discussão pedagógica em Brasília. O gestor Raimundo Kambeba apresentou aos participantes um trabalho voltado à preservação do patrimônio cultural de seu povo por meio do estudo das artes corporais.
“Apresentamos na conferência o projeto sobre as pinturas corporais do povo kambeba. Durante o projeto, as crianças conheceram os grafismos, os significados, a importância cultural e, por meio de tintas, reproduziram as pinturas corporais. Foi uma experiência de valorização da nossa cultura e dos saberes do povo kambeba, fortalecendo a identidade e o aprendizado dos estudantes”, pontuou o educador indígena.
Parceria e formação
A trajetória que levou as escolas ao evento em Brasília reflete uma parceria mantida há anos entre a Semed e a RedSolare Brasil, com ações focadas na pesquisa e no fortalecimento de metodologias inspiradas na abordagem de Reggio Emilia. A articulação entre as instituições permitiu que os gestores amazonenses passassem a atuar como polos difusores dessas práticas na Região Norte.
Para o secretário de Educação, professor Arone Bentes, a inserção das unidades no debate latino-americano abre portas para o aprimoramento contínuo das rotinas escolares.
“Levar as experiências de Manaus para um espaço de diálogo com educadores de diferentes regiões do país é motivo de orgulho para a nossa rede. Essa participação mostra a qualidade do trabalho desenvolvido nas nossas escolas e, ao mesmo tempo, permite que nossos profissionais conheçam outras experiências, ampliem seus conhecimentos e tragam novos aprendizados para fortalecer as práticas pedagógicas e beneficiar diretamente os nossos estudantes”, afirmou o titular da pasta.
A conferência consolidou-se como um fórum permanente de trocas pedagógicas voltado à garantia da dignidade das crianças e ao fortalecimento da autonomia dos profissionais da educação.
Fonte: ASCOM | Érica Marinho/ Semed










