
A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) desenvolveu um conjunto de materiais pedagógicos para apoiar professores e estudantes na construção de uma educação conectada à realidade amazônica. As publicações abordam temas relacionados à floresta, pesca, negócios sustentáveis, identidades culturais e desafios socioambientais da região, articulando conhecimentos técnico-científicos, currículo escolar e saberes construídos nos territórios.
A iniciativa reúne duas frentes complementares. A primeira é a série “Bases do Aprendizado”, destinada principalmente a professores dos anos iniciais do ensino fundamental que atuam em turmas multisseriadas. A segunda é a cartilha “Arapoty, Práticas Pedagógicas Inovadoras, Itinerários Formativos e Formação Continuada”, voltada para a primeira série do ensino médio.
O processo de criação das obras envolveu um mapeamento direto nas comunidades ribeirinhas e rurais. A supervisora pedagógica do Programa de Educação para a Sustentabilidade da FAS, Silvana Souza, explicou como funciona a elaboração desse material.
“O desenvolvimento das nossas publicações pedagógicas é pautado pela co-construção e pela escuta ativa, com oficinas e encontros de diagnóstico pedagógico junto a coordenadores, equipes técnicas e professores das redes municipais e estaduais. A partir dessa escuta, identificamos as principais lacunas locais e as riquezas territoriais que devem constar nos livros, estruturados em Guias de Atividades que integram embasamento técnico-científico, lendas, poemas e composições locais. Todo o conteúdo é alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e ao Plano Nacional de Educação (PNE) e passa por revisões, diagramação e validação técnica antes de seguir para as redes de ensino”, afirmou Silvana Souza.
Formação de professores
Desenvolvidos no âmbito de diferentes iniciativas apoiadas pelo Movimento Bem Maior (MBM) e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), os materiais integram as ações do Programa Educação para a Sustentabilidade e do Subprograma Educação Ribeirinha da FAS.
A proposta busca contribuir para uma educação que reconheça as especificidades dos territórios amazônicos, fortalecendo a participação de professores, estudantes e comunidades no processo de ensino e aprendizagem.
Bases do aprendizado
A série “Bases do Aprendizado” é composta por três livros principais que aproximam o currículo do cotidiano regional.
- Bases do Aprendizado para Cadeias Florestais.
- Bases do Aprendizado para Cadeias de Pesca.
- Bases do Aprendizado para Negócios Sustentáveis.
Juntas, as publicações somam 57 Guias de Atividades, contribuindo para a formação continuada e contextualizada de professores das redes municipais de ensino do Amazonas. A gerente do Programa Educação para a Sustentabilidade da FAS, Fabiana Cunha, ressaltou o impacto positivo da metodologia nas salas de aula.
“A elaboração de materiais contextualizados é essencial para promover uma educação mais significativa e conectada aos territórios amazônicos. Ao partir do cotidiano, dos saberes tradicionais, das culturas e da relação dessas comunidades com a natureza, os materiais tornam a aprendizagem mais próxima das vivências dos estudantes. Além disso, ao abordar temas como os rios, as comunidades, a biodiversidade e os desafios socioambientais da Amazônia, esses recursos aproximam a escola da realidade local, fortalecendo o interesse, a participação e o protagonismo dos estudantes no processo educativo”, destacou Fabiana Cunha.
Os materiais adotam a aprendizagem experiencial como metodologia, estimulando a construção do conhecimento por meio de vivências e práticas. Cada Guia de Atividades reúne objetivos de aprendizagem, informações técnico-científicas, curiosidades e propostas na seção chamada “Conectando Saberes”. As atividades podem ser adaptadas às turmas e dialogam com disciplinas como Ciências, Matemática, História, Geografia, Língua Portuguesa e Artes.
Ensino médio inovador
A estratégia pedagógica também alcança os alunos mais velhos por meio da cartilha “Arapoty”, criada dentro do projeto “Práticas Pedagógicas Inovadoras para a Amazônia Profunda”. Voltado para a primeira série do ensino médio, o material articula itinerários formativos com formação continuada, estando totalmente alinhado à BNCC e às diretrizes da Política Nacional de Ensino Médio estabelecidas pela Lei nº 14.945/2024.
Na língua indígena, o nome “Arapoty” remete ao conceito de florescimento. A escolha simboliza a proposta de promover aprendizagens que nascem do próprio território, valorizando a identidade amazônica e incentivando os jovens a pesquisar, produzir conhecimento e transformar suas comunidades.
Cartilha e conteúdos
A publicação foi dividida em duas versões específicas para atender às necessidades da comunidade escolar.
- O “Livro do Professor” apresenta orientações metodológicas, sugestões de carga horária, formas de avaliação e adaptações para diferentes realidades de infraestrutura e conectividade.
- O “Livro do Aluno” reúne trilhas de aprendizagem, atividades formativas e espaços para anotações, incentivando a pesquisa local, análise de dados, escuta de histórias, produção textual, confecção de mapas e debates socioambientais.
Instituições parceiras
As organizações envolvidas no projeto desempenham papéis estratégicos para a sustentabilidade e a educação no país.
- A FAS é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia, conservação do bioma, melhoria da qualidade de vida das populações e valorização da floresta em pé.
- O MBM é uma organização social que reúne investidores e parceiros para construir um país com mais equidade por meio da filantropia estratégica, mobilizando recursos para projetos de alto impacto.
- O BNDES acumula 74 anos de história como principal instrumento do Governo Federal para investimentos de longo prazo, apoiando micro, pequenas e médias empresas, além de financiar serviços públicos cruciais como educação, saúde, saneamento e a transição para uma economia neutra em carbono.
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