
Ao contrário do estigma de impulso e imediatismo frequentemente associado às novas gerações, a juventude brasileira adota uma postura consciente, pragmática e altamente analítica em relação ao seu dinheiro e à sua jornada de compra.
A constatação faz parte do estudo Radar Jovem CIEE, conduzido pelo Observatório CIEE, braço de inteligência de mercado idealizado pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e desenvolvido para decifrar o comportamento do jovem no país.
O levantamento ouviu 4.834 pessoas entre 14 e 28 anos no período de 21 de julho a 4 de agosto de 2026 para mapear os hábitos de consumo e a conduta digital de quem está em transição profissional. Os dados apontam que 50,1% dos entrevistados conciliam estudo e trabalho, enquanto 54,5% pagam as próprias compras de forma 100% autônoma.
O perfil que emerge é o de um consumidor financeiramente responsável, já que, ao sobrar dinheiro no mês, a prioridade da maioria é guardar ou investir (39,7%), seguida por ajudar nas contas de casa (14,4%).
Perfil de consumo
A principal constatação trazida pelo levantamento foi a desmistificação da ideia de que essa fatia da população compra por impulso e confia cegamente em influenciadores nas redes sociais. Quando precisam realizar uma aquisição importante, os participantes demonstram cautela na escolha:
- 48,1% assistem a vídeos de análises e avaliações de produtos.
- 19,6% checam avaliações registradas por outros consumidores.
- 18,6% comparam preços diretamente na internet.
Além disso, a conveniência e a liquidez ditam o canal e o método de pagamento. As plataformas e marketplaces virtuais lideram com 70,2% das preferências, superando as lojas físicas, que somam 20,9%, e o e-commerce próprio das marcas, com 7,3%.
Na hora de quitar a compra, o pagamento por Pix é escolhido por 63,3% dos entrevistados. O crédito parcelado surge em segundo lugar, com 18,9%, como alternativa para viabilizar itens de maior valor. A pesquisa também registrou que 60% dos respondentes estão concentrados na região Sudeste do Brasil.
Critérios para escolhas
Outro aspecto respondido pelos jovens foi em relação ao que mais consideram na hora de escolher uma marca. Para a maioria, atributos básicos vêm antes de qualquer discurso socioambiental ou de gatilhos emocionais. Na hora de admirar uma empresa, os consumidores priorizam:
- Qualidade em 1º lugar (48,8%)
- Preço em 2º lugar (26,4%)
- Atendimento em 3º lugar (24,7%)
As causas defendidas pelas marcas ocupam apenas a 5ª posição no ranking de prioridades, sendo apontadas por 28,4% do público.
Ao analisar os achados da sondagem, o superintendente institucional do CIEE, Rodrigo Dib, enfatiza a maturidade financeira demonstrada pelos estudantes e trabalhadores.
“O jovem que estuda e trabalha no Brasil se mostra tradicional e realista ao gastar. Ele não compra por impulso e não se deixa enganar por embalagem sem conteúdo. Propósito sem produto de qualidade é visto como mera propaganda para grande parte dos participantes do estudo. Os resultados da pesquisa também deixam claro que esta geração já vê os influenciadores digitais de forma desconfiada. Chamar atenção não é o mesmo que confiar”, declarou o executivo da entidade.
O mapeamento detalhou a relação da juventude com as mídias sociais e com os criadores de conteúdo, mostrando transformações no mercado digital:
- Especialistas superam os nomes famosos, visto que 44,6% dos jovens afirmam confiar mais em micro e médios influenciadores especialistas no assunto.
- Apenas 6,3% declaram confiar em influenciadores grandes e famosos.
- 34,1% afirmam não confiar em nenhum tipo de influenciador.
- Se pudessem escolher apenas um meio de comunicação com as marcas, 54,8% preferem o WhatsApp em busca de rapidez e diálogo direto, superando o e-mail (13,1%) e as notificações de aplicativos (1,6%).
Metodologia e instituição
O estudo Radar Jovem CIEE foi desenvolvido pelo Observatório CIEE em julho de 2026, contando com uma amostra de 4.834 respondentes entre 14 e 28 anos, com idade média de 18,96 anos. A pesquisa tem margem de erro de 1,4% para mais ou para menos e intervalo de confiança de 95%. O perfil reflete a juventude urbana brasileira em transição para a vida adulta e o mercado de trabalho, com 79,5% dos participantes oriundos de escolas públicas.
O Observatório CIEE atua como braço de inteligência do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE). O núcleo foi criado para decifrar o comportamento do jovem no Brasil por meio de estudos sobre tendências, mapeando o perfil das novas gerações e o futuro profissional dos estudantes.
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