Juscelino Taketomi Durango Duarte analisa quadro eleitoral e revela os favoritos no Amazonas

Durango Duarte analisa quadro eleitoral e revela os favoritos no Amazonas

Pesquisador e publicitário destaca indefinição em disputas proporcionais e afirma que cerca de 20% dos eleitores ainda podem alterar o desenho das bancadas no Amazonas

Foto: Divulgação

Por Juscelino Taketomi (*)

A poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026, o publicitário, pesquisador e analista político Durango Duarte apresentou, em seu canal no YouTube, uma ampla leitura do cenário eleitoral do Amazonas, reunindo dados de pesquisas, projeções próprias e cálculos sobre a distribuição das vagas para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas.

A manifestação, feita no dia 29 de setembro, repercutiu principalmente pela tentativa de transformar números dispersos das pesquisas em um cenário provável para o dia 4 de outubro.

Durango fez questão de advertir que seu trabalho é uma simulação e que o resultado das urnas poderá sofrer alterações importantes, sobretudo porque, segundo sua avaliação, aproximadamente 20% dos eleitores chegarão ao dia da votação sem definição sobre candidatos a deputado federal, deputado estadual e uma das vagas ao Senado.

O estudo parte de uma realidade eleitoral de grandes dimensões. O Amazonas possui oito vagas para a Câmara dos Deputados e 24 cadeiras na ALEAM. A análise de Durango procura explicar como a votação dos candidatos, somada aos votos destinados às legendas, será transformada em cadeiras no Legislativo.

Governo: Omar na dianteira

Na eleição para governador, Durango apresentou Omar Aziz (PSD), Roberto Cidade (União Progressista), Maria do Carmo (PL), e David Almeida (Avante), como os quatro nomes que concentram a maior parte da disputa.

Na média dos estudos feitos pelo pesquisador, Omar Aziz aparece com 31%, Roberto Cidade com 24%, Maria do Carmo com 22% e David Almeida com 16%.

Tendo em vista uma margem de erro de aproximadamente três pontos percentuais, Durango projetou faixas de 28% a 34% para Omar, 21% a 27% para Roberto Cidade, 19% a 25% para Maria do Carmo e 13% a 19% para David Almeida.

A principal incógnita, de acordo com ele, estaria na disputa entre Roberto Cidade e Maria do Carmo pela segunda colocação. Em referências mostradas no vídeo, Cidade aparecia com 23,5%, contra 22,9% de Maria do Carmo, diferença de apenas 0,6 ponto percentual, que Durango estimou equivaler a mais ou menos 12 mil a 14 mil votos.

O pesquisador destacou Omar Aziz como assegurado no segundo turno, mas tratou a segunda vaga como uma disputa aberta, acirrada, entre Roberto Cidade e Maria do Carmo.

Pela projeção apresentada, David Almeida aparecia em quarto lugar, com uma estimativa final entre 13% e 14%, embora Durango tenha reconhecido crescimento do candidato na capital nesta reta final.

Senado: Braga é o primeiro nome

Na disputa pelas duas vagas do Amazonas ao Senado Federal, Durango chamou atenção para uma característica peculiar da eleição de 2026. O eleitor precisará escolher dois candidatos, e o segundo voto ainda apresentaria elevado grau de indefinição.

Na média das pesquisas apresentadas, Eduardo Braga aparecia com 33%, Alberto Neto com 25%, Wilson Lima com 16% e Plínio Valério em uma faixa próxima, com a observação de que havia uma diferença de um ponto percentual entre Plínio e Wilson em determinado levantamento.

Durango afirmou que Eduardo Braga estaria projetado para conquistar uma das vagas, enquanto Alberto Neto aparecia como o nome mais cotado para a segunda cadeira, mas fez uma ressalva importante de que não seria possível considerar a eleição de Alberto Neto como consumada, pela característica imprevisível do segundo voto.

O pesquisador também projetou Wilson Lima em quarto lugar na disputa pelo Senado. Ou seja, o ex-governador estaria completamente fora da disputa.

As vagas proporcionais

É na eleição para deputado federal e deputado estadual que a análise de Durango ganha maior complexidade.

O sistema não funciona simplesmente pela soma dos votos individuais de cada candidato. Para definir a composição das bancadas, entram em cena o quociente eleitoral, o quociente partidário e a distribuição das sobras.

O primeiro passo é calcular o total de votos válidos, descontando votos brancos e nulos. Esse resultado é dividido pelo número de cadeiras em disputa.

Para a Câmara dos Deputados, considerando oito vagas, Durango apresentou um quociente eleitoral estimado em 261.875 votos.

Para a ALEAM, com 24 vagas, o cálculo apontado por ele chegou a 86.922 votos.

Em termos simples, quanto maior a votação total de uma legenda ou federação, maior será o número de cadeiras que ela poderá conquistar.

É relevante observar que os votos individuais dos candidatos são somados à votação de legenda para formar o resultado partidário utilizado na distribuição das cadeiras.

Durango também alertou para um detalhe relevante. Segundo sua explicação, candidatos majoritários podem produzir votos de legenda de forma indireta, já que o eleitor eventualmente digita o número de um candidato de outra disputa na urna. Ele estimou, com base no histórico recente citado no vídeo, que candidatos majoritários poderiam transferir entre 2,5% e 4% de sua votação para a legenda.

A regra dos 80% e o peso das sobras

Outro ponto destacado pelo pesquisador é a regra que permite a participação de partidos que não alcançam integralmente o quociente eleitoral.

Tomando como referência o cálculo apresentado por Durango, um partido poderia alcançar uma vaga ao atingir perto de 80% do quociente eleitoral.

Para deputado federal, isso representaria quase 209 mil votos. Para deputado estadual, o patamar ficaria próximo de 69 mil votos.

A partir daí entram em cena as chamadas sobras, mecanismo que pode alterar significativamente a composição final das bancadas.

É nesse estágio que uma votação expressiva de determinado candidato pode não ser suficiente, por si só, para garantir uma cadeira. A votação precisa estar inserida em uma composição partidária capaz de transformar o desempenho eleitoral em vaga.

O exemplo utilizado por Durango foi o PL na disputa para deputado federal. Ele estimou uma votação elevada para o partido, impulsionada por Sargento Salazar, mas ressaltou que Alfredo Nascimento precisaria alcançar em torno de 52.375 votos para ocupar a segunda vaga projetada para o partido. Caso ficasse abaixo desse patamar, a cadeira poderia ser destinada a outra legenda pelas regras de distribuição das sobras.

Câmara Federal

Na projeção de Durango Duarte, o PSD aparecia com duas cadeiras na Câmara dos Deputados.

Os nomes apontados por ele para essas vagas foram para os deputados Átila Lins e Sidney Leite, que lutam por reeleição. O pesquisador citou ainda o ex-deputado Pauderney Avelino como primeiro suplente na composição projetada.

O PL aparecia com uma cadeira projetada, tendo Sargento Salazar como puxador de voto. Todavia, Durango estabeleceu a condição de que o partido precisaria cumprir o desempenho mínimo exigido para que a segunda vaga pudesse ser efetivamente ocupada por Alfredo Nascimento, que precisaria alcançar a marca de 52 mil votos.

Na Federação União Progressista, Durango apontou a possibilidade de uma ou duas cadeiras e destacou o deputado Fausto Júnior como nome projetado para uma vaga. A segunda estaria em disputa entre outros candidatos da legenda.

O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) apareceu com possibilidade de uma cadeira, enquanto o Republicanos também foi colocado no cenário de disputa por uma vaga, dependendo principalmente do desempenho de seus candidatos na busca de votos.

Nesse partido, Durango destacou a forte disputa entre Amon Mandel e Silas Câmara, afirmando que aquele que obtivesse a maior votação individual teria a vantagem na composição projetada, embora não descartasse a possibilidade de os dois conseguirem chegar à Câmara dos Deputados dependendo da votação dos demais candidatos da chapa.

ALEAM: baixa renovação

Na Assembleia Legislativa, a análise do pesquisador aponta para uma eleição marcada por baixa renovação parlamentar.

Das 24 cadeiras, Durango estimou que a renovação poderia ser uma das menores das últimas décadas. Ele retirou da conta quatro nomes que não estariam disputando a reeleição para a Assembleia por terem migrado para outras disputas ou situações eleitorais.

O MDB foi projetado com três cadeiras, podendo chegar a quatro dependendo da combinação dos votos. Entre os nomes destacados estão os deputados Thiago Abrahim e Cristiano D’Angelo, apontados por Durango como ocupantes de duas vagas projetadas. O ex-prefeito de Benjamin Constant, David Bemerguy, e o empresário e ativista ambiental Mateus Garcia correriam por fora.

A Federação União Progressista aparece como uma das principais forças da disputa proporcional, com projeção de pelo menos quatro cadeiras. Entre os nomes citados pelo pesquisador estão Adjuto Afonso, Dr. George Lins, Mário César Filho, Carlinhos Bessa, Dr. Gomes, Wanderley Monteiro e Brena Dianná.

Para o Avante, Durango projetou três cadeiras, sendo duas consideradas mais consolidadas e uma dependente das sobras. Entre os nomes mencionados estão os deputados Abdala Fraxe e Daniel Almeida, mais Davi Reis, Eduardo Assis, João Roberto e Elan Alencar.

O PL aparece com projeção de três deputados estaduais, com possibilidade de chegar a quatro caso Kidson Maia ultrapasse a faixa de votação estimada para ele. Durango citou ainda os deputados Delegado Péricles, Débora Menezes e Cabo Maciel na composição projetada.

O PSD, partido de Omar Aziz, foi projetado com três cadeiras, com possibilidade de conquistar uma quarta vaga pelas sobras. Entre os nomes apresentados estão os deputados Edanilson Rozenha e Mayra Dias, juntamente com Bosco Saraiva, Eurico Tavares, Yomara Lins e Emanuel Pinheiro.

O Republicanos apareceu com possibilidade de duas cadeiras, tendo entre os nomes citados os deputados João Luiz e Comandante Dan, mais Rodrigo Guedes, na briga pelas vagas.

O Podemos também foi projetado com duas vagas, mas Durango deliberadamente abriu a relação de candidatos tidos como competitivos, citando o deputado Felipe Souza, mais Yomara Lins, Coronel Bonates, Coronel Vinícius, Heraldo CB, Glênio Seixas e Sargento Loiola.

Já a federação formada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Verde (PV) e Partido Comunista do Brasil (PCdoB) foi considerada com possibilidade de eleger um deputado, com chance de chegar a dois em uma combinação favorável de votos. Entre os nomes citados estão o deputado Sinésio Campos, Clóvis Curubão e José Ricardo.

O Agir poderia eleger um deputado conforme Durango. Os nomes com mais possibilidades seriam Marcelo Palhano e Jender Lobato.

O que pode mudar tudo

Apesar da quantidade de nomes apresentados, o ponto mais importante da manifestação de Durango Duarte é a advertência sobre a possibilidade de mudança do cenário até o fechamento das urnas no próximo domingo.

O pesquisador estima que aproximadamente 420 mil a 430 mil eleitores ainda poderiam definir seus votos para deputado federal e deputado estadual somente no dia da eleição.

Sem dúvida, o contingente tem peso especial porque as alterações de última hora podem modificar principalmente a distribuição das vagas pelas sobras.

Por isso, uma candidatura com votação aparentemente suficiente pode acabar fora da composição final, enquanto outra, com desempenho individual menor, pode ser beneficiada pela votação total de sua legenda.

A lógica explica por que a eleição proporcional não pode ser analisada apenas pela ordem dos candidatos nas pesquisas. O voto individual é decisivo, mas a votação coletiva da legenda também determina quantas cadeiras estarão disponíveis para seus candidatos.

Um cenário apenas

Ao concluir sua exposição no YouTube, Durango Duarte esclareceu que sua lista representa uma análise de probabilidade e não uma previsão infalível. Ele trabalhou com projeções de votação, margens de variação e desempenho estimado dos partidos e candidatos.

O próprio pesquisador determinou uma margem de 5% a 10% de variação em seu índice de probabilidade de eleição e destacou que o cenário poderia mudar diante do comportamento dos eleitores na reta final da campanha eleitoral, onde fatos novos podem alterar surpreendentemente o curso das coisas. A palavra final caberá aos eleitores frente a frente com as urnas.

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