
A Quasar Cia de Dança dá início à circulação nacional do espetáculo “Menos da Metade” na cidade de Manaus, com duas sessões programadas. A primeira apresentação ocorre no dia 19 de outubro, em uma sessão fechada voltada para estudantes. A segunda exibição será realizada no dia 20 de outubro, às 20h, no Teatro Amazonas, aberta ao público em geral.
A obra foi criada por Henrique Rodovalho e conta com a direção geral de Vera Bicalho. O espetáculo aborda a crise ambiental contemporânea com foco nas transformações ocorridas no Cerrado, bioma que já perdeu mais da metade de sua vegetação original, refletindo sobre os impactos dessa devastação no território e na vida da população.
Alerta sobre o bioma
Com oito bailarinos em cena, a montagem acompanha o ciclo climático do bioma e mergulha na beleza, na fragilidade e na resistência da vegetação nativa diante do avanço do desmatamento. O projeto representa a primeira vez em que a companhia aborda uma temática vinda diretamente do seu local de origem, servindo como um alerta para a crise ambiental na região Centro-Oeste.
A temporada de 2026 da produção “Menos da Metade” é apresentada pelo Ministério da Cultura e pelo PicPay, com realização da Quasar Cia de Dança e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
O coreógrafo Henrique Rodovalho destacou o caráter inédito da temática na trajetória do grupo. “É a primeira vez que a Quasar trata de um assunto especialmente do seu lugar de existência. Até então, nós nunca tínhamos criado algo especificamente do Centro-Oeste, do nosso Cerrado”, afirmou Henrique Rodovalho.
Ciclo do Cerrado
A partir da transição do ciclo climático entre o fim do período chuvoso e a chegada da seca, a montagem acompanha a mudança das paisagens ao longo dos meses. O espetáculo traduz no corpo dos bailarinos os estados de florescimento, erosão, devastação e o avanço do agronegócio. Sobre a proposta cênica, o idealizador reforça a intenção da obra. “O espetáculo é uma tentativa de fazer o público sentir o Cerrado no corpo”, destacou Henrique Rodovalho.
A narrativa cênica apresenta a evolução desse ciclo através dos seguintes elementos:
- Nos minutos iniciais, a presença das águas cobre o palco e faz a vegetação florescer.
- As noites frescas e sonoras do inverno goiano surgem retratadas na trilha sonora de Luiz Fernando Clímaco e Henrique Reis, acompanhadas por movimentos de torção das árvores e leveza nos sons.
- O avanço da seca elimina o verde da cena, marcando os corpos dos bailarinos com calor, poeira e aridez, transformando os intérpretes em seres humanos exaustos.
- A exploração do território e o gado transformado em mercadoria trazem a tensão das queimadas e da destruição da vegetação nativa e do habitat animal.
- As imagens de devastação contrastam com o luxo do figurino associado ao poder do agronegócio, deixando o palco gradualmente transformado em um deserto de recursos.
- Diante do cenário de destruição, uma árvore permanece de pé como símbolo de esperança e resistência.
Crítica social e técnica
O coreógrafo contextualizou as inquietações que motivaram a concepção do trabalho e os questionamentos sobre o impacto ambiental no país.
“Eu tenho pensado nesse trabalho há bastante tempo e cada vez mais percebo sua necessidade. Nos últimos anos, tivemos episódios de temperaturas fora do comum em todo o Brasil, com secas devastadoras em alguns lugares e chuvas destruidoras em outros. Até mesmo para quem é produtor rural, essas condições são prejudiciais. Goiás é o estado que mais tem terras produzindo soja ou criando bovinos. Precisamos de mais terras para garantir novas safras e rebanhos? A ideia desse espetáculo da Quasar é levantar essas questões, mesmo que cause incômodo. Debater isso, a partir de um estado que desmata e está perdendo seu bioma, é nossa obrigação”, declarou Henrique Rodovalho.
A montagem mantém características marcantes do repertório da companhia, como a precisão técnica, a fragmentação dos movimentos com quebra de linhas contínuas, os deslocamentos inesperados e a integração entre música, coreografia e bailarinos. Henrique Rodovalho assina também o desenho de luz da obra. O figurino foi criado por Cássio Brasil, enquanto o cenário é de autoria de Marcus Camargo. A trilha sonora composta por Luiz Fernando Clímaco e Henrique Reis combina homenagens a composições de músicos goianos, ritmos percussivos e sonoridades características do Cerrado.
Reconhecida nacional e internacionalmente por sua linguagem autoral, a Quasar Cia de Dança reitera neste projeto a sua capacidade de renovação na dança contemporânea brasileira ao conectar rigor técnico, teatralidade e urgência política, transformando o palco do teatro em um espaço de memória, luto e resistência.
Serviço do espetáculo
Confira os dados para acompanhar a programação cultural na capital amazonense:
- Apresentação no dia 19 de outubro em sessão fechada voltada para estudantes.
- Apresentação no dia 20 de outubro, às 20h, aberta ao público no Teatro Amazonas, localizado no Largo de São Sebastião, no Centro Histórico de Manaus.
- Ingressos ao valor de R$ 10 para os assentos da plateia e entrada gratuita para os demais setores do teatro.
- Vendas de ingressos disponíveis pela internet no site shopingressos.com ou presencialmente na bilheteria do Teatro Amazonas.
ASCOM: Manuella Barros










