Saúde Demência frontotemporal x Alzheimer: quais as diferenças dessas doenças?

Demência frontotemporal x Alzheimer: quais as diferenças dessas doenças?

Apesar de ambas provocarem alterações cognitivas, doenças podem apresentar sinais iniciais diferentes e exigem acompanhamento especializado – Foto: Divulgação

Quando o assunto é demência, a perda de memória costuma ser apontada como o sintoma inicial mais frequente. No entanto, nem todas as enfermidades neurológicas desse grupo se manifestam da mesma maneira. Esse é o caso da Demência Frontotemporal (DFT), um conjunto de doenças que atinge prioritariamente áreas cerebrais responsáveis pelo comportamento, pela personalidade e pela linguagem. Por apresentar traços específicos, o quadro pode ser confundido com outras síndromes, incluindo a doença de Alzheimer.

A diferença fundamental entre as duas patologias está no aparecimento dos primeiros indicativos. Enquanto o Alzheimer manifesta lapsos de memória logo no início, na DFT a capacidade de memorização pode continuar preservada nas fases iniciais. Nesses casos, as alterações na conduta, na personalidade e na forma de se comunicar tendem a se destacar primeiro.

“Nem toda alteração cognitiva começa pela perda de memória. Na demência frontotemporal, por exemplo, a família pode perceber primeiro uma mudança importante no comportamento ou na maneira como a pessoa se comunica. Por isso, observar alterações que fogem do padrão habitual do idoso é fundamental para buscar uma avaliação adequada”, explica o médico do Grupo Said, Bruno Vial.

Sinais e manifestações

Os sintomas variam conforme a área do cérebro atingida e a variante clínica do problema. Entre as manifestações que podem surgir estão a desinibição, a apatia, a impulsividade, a perda de empatia e a presença de comportamentos compulsivos.

Também surgem dificuldades progressivas ligadas à linguagem, como a busca por palavras, a expressão verbal ou a compreensão de vocábulos e frases.

Em diversas situações, transformações na conduta são os primeiros indícios notados pelos familiares. Uma pessoa com histórico comportamental estável pode passar a agir de maneira impulsiva, perder filtros sociais, apresentar atitudes repetitivas ou demonstrar menor interesse por atividades e pessoas do seu convívio.

“Essas mudanças podem ser confundidas com características da personalidade ou até mesmo com outras condições. Por isso, é importante observar se elas são novas, persistentes e progressivas, especialmente quando começam a interferir na convivência e na rotina”, afirma Bruno Vial.

Diagnóstico e investigação

A identificação precisa da doença reúne diferentes informações e exames médicos. O processo de investigação inclui avaliação clínica, relato dos familiares, testes neuropsicológicos, exames de imagem e análises laboratoriais.

A combinação desses instrumentos permite caracterizar o quadro, avaliar as funções cognitivas e comportamentais e afastar outras causas possíveis para os sintomas apresentados.

O envolvimento da família é indispensável nesse momento, uma vez que o próprio paciente pode não perceber as transformações em suas atitudes ou na comunicação. Informar aos profissionais a data de surgimento dos primeiros sinais e como eles evoluíram ajuda a orientar a análise médica.

Adaptação do cotidiano

Após a confirmação do diagnóstico, o plano de cuidados deve considerar as particularidades e necessidades de cada paciente. A criação de uma rotina estruturada, em um ambiente seguro e com estratégias que evitem conflitos, facilita o dia a dia.

É necessário monitorar comportamentos que tragam riscos, a exemplo da impulsividade, agressividade ou compulsão alimentar, além de observar possíveis dificuldades relacionadas à alimentação e resguardar decisões financeiras quando houver prejuízo na capacidade de julgamento.

“O manejo da demência frontotemporal exige compreensão sobre a doença e adaptação da rotina. Em vez de entrar em confronto diante de determinados comportamentos, familiares e cuidadores podem trabalhar com estratégias que ofereçam segurança e previsibilidade ao paciente”, orienta o médico Bruno Vial.

O tratamento e acompanhamento exigem a participação de uma equipe multidisciplinar. Neurologistas, neuropsicólogos, psicólogos, fonoaudiólogos e cuidadores especializados atuam de forma complementar, variando conforme o estágio da doença, os sintomas apresentados e as demandas do paciente e da família.

Esse suporte integrado ajuda a gerenciar tanto as manifestações cognitivas e comportamentais quanto o impacto provocado na dinâmica familiar.

“É uma condição que afeta não apenas quem recebe o diagnóstico, mas todo o núcleo familiar. Ter profissionais diferentes acompanhando as necessidades que surgem ao longo da evolução da doença pode contribuir para que o cuidado seja mais adequado e individualizado”, finaliza o médico.

 ASCOM: Giovanna Rebelo | Grupo Said

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