
A expiração da patente do Ozempic em 20 de março de 2026 abriu as portas para uma expansão acelerada na oferta de tratamentos injetáveis no Brasil. O movimento de aprovações pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi impulsionado por diretrizes fixadas ainda em 2025, quando a instituição priorizou a análise de pedidos de registro para semaglutida e liraglutida com o objetivo de ampliar o abastecimento nacional. Essa mudança regulatória trouxe ao mercado de 2026 diversas opções dessas substâncias, além de uma nova apresentação da tirzepatida.
Apesar do hábito popular de agrupar esses medicamentos sob a denominação genérica de canetas emagrecedoras, a avaliação técnica exige cautela e diferenciação. Boa parte dos novos produtos aprovados possui autorização voltada exclusivamente para adultos com diabetes tipo 2 não controlada adequadamente, não devendo ser rotulada como fórmula para perda de peso.
A trajetória das aprovações em 2026 começou em maio, quando a Anvisa registrou o Ozivy, produzido pela EMS. O produto representa a primeira semaglutida sintética análoga a um biológico liberada no país. Como a legislação brasileira não contempla genéricos para produtos biológicos, a medicação entrou na categoria de medicamento novo. Em julho, a agência aprovou outras cinco canetas sintéticas. No mês de agosto, vieram as autorizações para a semaglutida genérica da EMS e para o similar Semaclique, da Germed, ambos utilizando o Ozivy como referência.
Relação de aprovações
A diversificação de registros em 2026 inclui medicamentos de diferentes fabricantes e aplicações específicas.
- Ozivy, semaglutida da EMS
- Owozy, semaglutida da Ávita Care
- Seemasun, semaglutida da Sun Farmacêutica
- Zempneo, semaglutida da Brainfarma
- Semavy, semaglutida da Cosmed
- Orsema, semaglutida da Ranbaxy
- Semaglutida genérica da EMS
- Semaclique, semaglutida da Germed
- Semaglutida genérica da Germed
- Yluméc, semaglutida da EMS
- Liraclick, liraglutida da Germed
- Liraglutida genérica para diabetes tipo 2 da EMS
- Liraglutida genérica para obesidade da EMS
- Mounjaro Multidose, tirzepatida da Eli Lilly
Entre as semaglutidas, os remédios Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema obtiveram registro por comparação direta ao Ozempic. Já a semaglutida genérica da EMS e o Semaclique tomaram o Ozivy como base comparativa.
Preços e concorrência
A liberação da Anvisa representa apenas a primeira etapa da cadeia de comercialização. Para que qualquer um desses produtos chegue às prateleiras, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed) precisa aprovar o teto tarifário. A definição sobre a data de lançamento fica sob responsabilidade da empresa farmacêutica titular do registro.
Por essa razão, vários medicamentos autorizados ainda não apresentam valor comercial definido. O Ozivy já está disponível nas farmácias, apresentando variações de preço conforme a versão e o ponto de venda. No caso dos tratamentos pendentes de lançamento, não há como prever o montante cobrado ao consumidor. A entrada dos genéricos estimula a concorrência, mas o enquadramento regulatório determina caminhos comerciais e custos distintos para cada categoria.
Regras para prescrição
A classe dos agonistas de GLP1 atua diretamente no equilíbrio da glicose e no controle da saciedade, mas cada formulação possui uma finalidade terapêutica aprovada. A promoção de um produto indicado para diabetes tipo 2 como emagrecedor gera distorções no consumo e riscos à saúde pública.
O esquema de aplicação também difere entre os princípios ativos. As semaglutidas sintéticas aprovadas para diabetes tipo 2 exigem aplicação semanal, enquanto as opções de liraglutida requerem uso diário. Todos esses injetáveis exigem receita médica em duas vias com retenção obrigatoria do documento na farmácia. A escolha da substância, o ajuste de dosagem e a duração do tratamento dependem de diagnóstico profissional individualizado.
Fonte: https://www.metropoles.com/saude/brasil-tem-14-novas-opcoes-de-canetas-para-diabetes-e-obesidade










