
A saúde renal segue fora da rotina preventiva da maior parte da população brasileira, mesmo diante do avanço de fatores de risco graves de natureza crônica. Uma pesquisa nacional encomendada pela Vantive Brasil com 2.000 entrevistados em todo o país revelou um panorama preocupante sobre o nível de conhecimento, comportamentos e atitudes em relação aos rins.
O levantamento indica que o maior desafio nacional não se resume à falta de informação, mas sim à imensa dificuldade de transformar o conhecimento teórico em hábitos práticos de prevenção.
Os dados apontam que 67,7% dos brasileiros admitem adiar a realização de exames laboratoriais, enquanto 39,1% se declaram sedentários e 57,3% afirmam que não bebem a quantidade diária de água recomendada pelos médicos.
Na Região Norte, os pesquisadores observaram um padrão bastante específico no consumo de líquidos. Cerca de 46,1% da população local bebe água com alta frequência, atingindo de 5 a 8 copos diariamente, o que representa entre 1 e 1,6 livro de ingestão.
Esse índice está mais de 10 pontos percentuais acima da média brasileira, que é de 35,6%. Esse hábito regional é fortemente influenciado pelo clima quente, que provoca sede constante e faz as pessoas beberem pequenas quantidades várias vezes ao dia de forma automática. No entanto, essa alta frequência não se traduz em um volume total adequado.
Apenas 35,6% dos nortistas conseguem consumir mais de 2 litros diários. A maioria de 62,8% permanece abaixo do recomendado, superando em 5 pontos percentuais a média de desidratação nacional, que fica em 57,3%.
O medo de um diagnóstico ruim atua como um bloqueador invisível para a realização de check-ups médicos. Quando questionados sobre o maior receio em relação ao próprio corpo, 60,6% dos entrevistados afirmaram ter medo de descobrir uma doença grave.
Esse índice é superior ao dos que citaram a falta de dinheiro para custear um tratamento (50,5%) e daqueles que temem perder a independência física (30,9%).
“Os dados revelam que o brasileiro não está completamente desconectado do tema saúde, mas muitas vezes posterga o cuidado”, afirma a gerente médica sênior da Vantive Latam, Dra. Arcângela Valle.
A especialista também acrescenta que “na saúde renal, isso é especialmente preocupante porque as doenças dos rims podem evoluir de forma silenciosa. O desafio é transformar medo em ação, informação em decisão e prevenção em hábito”.
Cenário de risco real
A realidade clínica mostra que os brasileiros já convivem diretamente com males que destroem a função renal ao longo dos anos.
Entre as condições de saúde mais relatadas no estudo, destacam-se os seguintes fatores:
- Hipertensão arterial: 26,5% dos entrevistados enfrentam a pressão alta no dia a dia.
- Infecção urinária: 25,3% já registraram o problema clínico em algum momento.
- Doença renal: 7,7% sofrem com alguma complicação direta nos rins.
O peso da genética familiar amplia o sinal de alerta emitido pelos médicos. Do total de participantes, 15,7% relataram histórico de parentes com problemas renais e 54,9% apontaram casos de pressão alta na família, sendo esta a condição mais citada no levantamento.
“Hipertensão, diabetes, sedentarismo e histórico familiar são fatores que aumentam a vulnerabilidade dos rins, muitas vezes sem causar sintomas nas fases iniciais”, explica a Dra. Arcângela Valle.
A médica reforça que a prevenção não deve depender da sensação de bem-estar, exigindo acompanhamento médico constante.
A pesquisa deixa clara a relação direta entre a falta de exercícios e as doenças metabólicas. Entre os indivíduos sedentários, a incidência de problemas renais atinge 8,8%, enquanto o índice cai para 5,4% entre os praticantes de atividades físicas, gerando uma diferença de 3,4 pontos percentuais.
No grupo que não se exercita, os pesquisadores também identificaram taxas elevadas de outras complicações:
- Hipertensão: 30% contra 19,7% dos indivíduos ativos.
- Diabetes: 17,1% contra 13,3% dos que se exercitam.
- Problemas de circulação: 11,3% contra 7,5% dos praticantes de esporte.
Baixa percepção do perigo
Mesmo vivendo cercada por perigos reais, a população demonstra uma visão distorcida sobre as chances de adoecer. A maior parte dos brasileiros acredita que a probabilidade de desenvolver uma enfermidade crônica nos rins é baixa ou muito baixa, somando 37,2% das respostas. Apenas 15,4% consideram que possuem risco alto ou muito alto, enquanto 20,3% não souberam avaliar a própria situação.
Essa falta de percepção caminha em paralelo com dados científicos internacionais. Um estudo publicado na revista científica The Lancet em (11/2025), conduzido por pesquisadores da Universidade de Nova York, da Universidade de Glasgow e da Universidade de Washington, aponta que cerca de 14% dos adultos no mundo apresentam algum grau de lesão nos rins, com uma curva de crescimento acelerada nas últimas décadas.
Barreiras para o exame
A falta de exames preventivos regulares é justificada por obstáculos financeiros e estruturais cotidianos. Os motivos mais apontados para a ausência de um acompanhamento médico de rotina evidenciam as dificuldades da população:
- Falta de dinheiro: 31,9% apontam o custo financeiro como principal barreira.
- Falta de tempo: 28,3% culpam a rotina cheia do cotidiano.
- Sensação de saúde: 14,4% não acham necessário por acreditarem estar saudáveis.
O obstáculo financeiro para pagar pelos exames preventivos cresce conforme a idade avança. Enquanto a média nacional fica em 31,9%, a preocupação com os custos salta para 43% na faixa etária entre 55 e 64 anos, atingindo 56,3% entre os idosos com mais de 65 anos.
Na Região Norte, a barreira geográfica e a falta de infraestrutura agravam o quadro. A dificuldade de acesso físico a laboratórios e clínicas médicas foi citada por 20,8% dos nortistas, um número muito superior à média nacional de 6,6%.
O acesso à saúde suplementar expõe outra grande desigualdade regional. Enquanto 30,3% da população brasileira conta com algum plano de saúde privado, no Norte esse índice despenca para 22,8%. Com isso, a dependência do Sistema Único de Saúde (SUS) é maior na região, atingindo 39,4% frente aos 36,5% do cenário nacional.
A parcela de moradores do Norte completamente desprotegida, sem qualquer cobertura de saúde pública ou privada, chega a 37,8%, o que representa 4,6 pontos percentuais acima da média do país, fixada em 33,2%. Mais de um terço da população local vive sem retaguarda médica estruturada.
Desconhecimento sobre tratamentos
O estudo indica que o entendimento da população sobre as alternativas terapêuticas para a falência dos rins ainda é superficial. A grande maioria dos entrevistados, somando 93,4%, afirma que já ouviu falar sobre a hemodiálise (HD). Por outro lado, 59,5% nunca ouviram falar sobre a diálise peritoneal (DP), e somente 9,8% alegam conhecer bem essa técnica alternativa.
“Ainda existe pouca familiaridade com modalidades como a diálise peritoneal, e isso limita a compreensão sobre as possibilidades de cuidado disponíveis para cada perfil de paciente”, afirma a Dra. Arcângela Valle.
A médica defende que expandir o conhecimento permite escolhas mais conscientes junto aos profissionais de saúde.
As principais preocupações dos brasileiros sobre a possibilidade de passar por diálise envolvem fatores humanos e estruturais:
- Qualidade de vida: 57,5% temem o impacto na rotina diária.
- Acesso ao tratamento: 38,8% se preocupam em encontrar atendimento adequado.
- Custo financeiro: 38,6% temem não conseguir pagar os custos.
- Dependência médica: 37,2% rejeitam a submissão a máquinas e equipes de saúde.
Alternativas de terapia renal
Os dados do Censo Brasileiro de Diálise de 2024 indicam que o Brasil possui mais de 172 mil pacientes renais crônicos em tratamento dialítico, sendo que aproximadamente 79% dependem diretamente do SUS.
A doença renal crônica se desenvolve de forma silenciosa, ligada à hipertensão e ao diabetes. Em fases avançadas, a substituição da função dos órgãos se torna vital, operada por duas vias principais.
A HD se consolidou como o método mais comum no país. Realizada em clínicas especializadas, exige que o paciente fique ligado a uma máquina de filtragem do sangue por quatro horas, três vezes por semana.
Como intervenção extracorpórea, apresenta riscos de infecção, impactos no coração e a chamada síndrome pós-diálise, que causa fadiga severa e fraqueza temporária após o procedimento.
Já a DP adota uma abordagem diferente, utilizando o peritônio, que é a membrana abdominal do próprio corpo, como um filtro natural. Esse método ocorre na casa do paciente, geralmente durante o período de sono, com o suporte de uma máquina cicladora automatizada.
O procedimento dispensa viagens constantes até os hospitais e ajuda a preservar o ambiente familiar e profissional. Estudos indicam que a técnica se mostra vantajosa financeiramente e exige menos infraestrutura hospitalar complexa.
“A diálise peritoneal pode oferecer mais flexibilidade e autonomia para alguns pacientes, permitindo que mantenham suas atividades de trabalho e vida social”, afirma o nefrologista Paulo Lins, gerente médico da Vantive Brasil.
O especialista defende que garantir vias de avaliação adequadas às realidades locais é parte fundamental da evolução dos cuidados médicos.
Detalhes do estudo científico
A coleta de dados ocorreu por meio de uma plataforma digital administrada pela empresa Brazil Panels em (3/2026), ouvindo 2.000 pessoas de todas as regiões brasileiras. A amostragem envolveu diferentes faixas etárias e classes socioeconômicas com o objetivo de mapear a percepção nacional sobre o tema.
Conduzida de forma independente e com dados totalmente anonimizados, a pesquisa seguiu as regras de privacidade vigentes, apresentando margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
A instituição realizadora, Vantive Brasil, atua há 70 anos no desenvolvimento de terapias para órgãos vitais. A companhia realiza mais de um milhão de atendimentos diários globalmente, buscando modernizar a experiência da diálise com ferramentas digitais e tratamentos mais integrados à vida dos pacientes.
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Fonte: ASCOM: Camile Freitas | Claudia Alves










