
A insatisfação com a alta dos combustíveis e o encarecimento dos custos de operação deflagrou uma onda de paralisações no sul da Itália. A mobilização dos transportadores rodoviários teve início no começo de outubro nas regiões da Apúlia e da Calábria, espalhando-se rapidamente para a Sicília, a Basilicata, o Molise e a Campânia, contando também com a adesão direta dos agricultores. O movimento de caminhoneiros e produtores rurais avança sem sinais de trégua, provocando o desaceleramento e a interrupção do trânsito em diversos corredores viários estratégicos da região.
A paralisação ganhou força na Campânia com bloqueios intensos em artérias fundamentais do transporte italiano. Houve registro de atrasos significativos na rodovia A1, no trecho entre Nápoles e Caserta, e na A30, entre Caserta e Salerno. Em Nápoles, os caminhões impediram o acesso à passagem de Bausan do porto local, gerando transtornos operacionais. Já na área de Caserta, os manifestantes interromperam a carga e a descarga de alimentos nos armazéns que abastecem as grandes cadeias de distribuição.
A mobilização reúne transportadores rodoviários, agricultores e comerciantes, recebendo apoio de moradores e estudantes. Juntos, os grupos comprometem o transporte e a entrega de mercadorias em protesto contra o preço dos combustíveis e a perda de sustentabilidade financeira das atividades, exigindo medidas urgentes do governo. Durante as manifestações, os participantes exibem faixas com mensagens como “O Sul também é Itália”, “O trabalho que move Itália” e “A agricultura é vida”.
Escassez atinge os supermercados
O bloqueio na circulação de cargas gera impactos severos no comércio da região sul. As prateleiras de diversos supermercados estão vazias por causa da falta de produtos, visto que os estoques mantidos em armazéns não cobrem a demanda. Os itens frescos são os mais prejudicados, fazendo com que legumes, frutas, carnes e leite corram o risco de estragar antes de chegar aos pontos de venda.
“Uma situação que, se se prolongar, poderá comprometer a disponibilidade regular dos produtos, causando prejuízos económicos às empresas e mais transtornos aos consumidores”, alertou o vice-presidente da Confcommercio e presidente da Conftrasporto, Pasquale Russo.
Diversos estabelecimentos comerciais fecharam as portas em solidariedade ao movimento ou por falta de mercadorias para vender. Postos de gasolina ficaram sem combustível e o setor da construção civil sofre com a interrupção no fornecimento de matérias-primas. Diante do cenário, motoristas buscam garantir reservas de combustível e a população demonstra preocupação com o abastecimento de comida e remédios, embora a entrega de medicamentos continue preservada até o momento.
Governo antecipa negociações técnicas
A greve deve continuar até a consolidação de um acordo que atenda às reivindicações dos setores paralisares. O ministro das Infraestruturas e dos Transportes, Matteo Salvini, antecipou a reunião com os representantes dos transportadores para o dia 20 de outubro, incluindo no diálogo as associações independentes da Calábria, da Sicília e da Apúlia.
“No que diz respeito aos camionistas, estou certo de que conseguiremos desbloquear fundos retidos há demasiado tempo, ouvir as reivindicações e iniciar um diálogo positivo que alivie a pressão nas estradas nacionais e nas autoestradas”, declarou o ministro Matteo Salvini.










