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Crise nos amarelinhos abre nova discussão sobre a qualidade do transporte em Manaus

Foto: Divulgação

O sistema de transporte complementar de Manaus, conhecido popularmente como amarelinho, virou o centro de um novo embate político e operacional nesta quinta-feira, 2 de julho de 2026. Uma paralisação parcial do serviço nas primeiras horas do dia prejudicou o deslocamento de moradores, especialmente nas zonas norte e leste da capital. O movimento gerou forte reação do prefeito Renato Junior, que garantiu a continuidade das negociações com a categoria, mas avisou que o repasse de verbas públicas para o setor dependerá rigidamente de metas de qualidade.

A queda de braço ocorre logo após a prefeitura concluir a licitação e a regulamentação do modelo alternativo, permitindo que os motoristas operem dentro da legalidade. Se por um lado a concessão de subsídios inéditos alivia o custo do sistema, por outro a população exige uma contrapartida clara. Os usuários dos micro-ônibus enfrentam diariamente frotas desgastadas e falhas no cumprimento das rotas, tornando o debate sobre o dinheiro público ainda mais sensível.

Exigências técnicas

O Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) detalhou que os incentivos financeiros municipais não serão distribuídos sem fiscalização prévia. O órgão estabeleceu um conjunto de regras administrativas que as cooperativas devem seguir para terem acesso aos repasses da prefeitura.

O objetivo da autarquia é usar o controle orçamentário como ferramentas de indução para modernizar o atendimento nas periferias.

  • Regularidade de itinerários: Obrigatoriedade de cumprir as rotas oficiais e os horários determinados pelo órgão de trânsito.
  • Treinamento de pessoal: Capacitação compulsória de motoristas e cobradores por meio da Escola Pública de Trânsito e Transporte.
  • Modernização dos veículos: Adesão dos proprietários a linhas de crédito bancário voltadas para a compra de micro-ônibus novos.
  • Rastreamento do serviço: Fiscalização eletrônica para coibir o abandono de passageiros ou mudanças repentinas nos trajetos.

Racha interno

Durante entrevista coletiva em uma agenda no bairro Jorge Teixeira, onde assinou a ordem de serviço para um complexo esportivo, Renato Junior minimizou a força da greve. O chefe do Executivo municipal revelou que o movimento não reflete a posição de toda a categoria, apontando uma divisão clara entre os prestadores de serviço.

Das sete cooperativas que operam legalmente na cidade, apenas uma paralisou as atividades na manhã de quinta-feira.

“Seis cooperativas estão satisfeitas. Apenas uma, movida politicamente, fez as velhas práticas de antigamente”, afirmou Renato Junior.

O prefeito subiu o tom ao denunciar que um dos veículos do sistema foi incendiado de forma criminosa durante o ato com o intuito de inflar a repercussão da manifestação.

Renovação da frota

O grande impasse para os permissionários reside em encontrar o equilíbrio financeiro entre o valor da tarifa e o custo de manutenção dos veículos. O apoio financeiro da prefeitura surge como uma tentativa de destravar a compra de micro-ônibus novos, uma das principais reclamações de quem depende do transporte alternativo na zona leste.

A gestão municipal defende que a licitação deu estabilidade jurídica para que os motoristas busquem financiamentos de longo prazo. Contudo, o sindicato dos operadores argumenta que as regras de transição fixadas pelo IMMU impõem prazos apertados para a realidade financeira das pequenas cooperativas.

Desafio da fiscalização

A crise do transporte complementar reforça que a legalização do sistema foi apenas o primeiro passo de um processo complexo de ordenamento urbano. O desafio da prefeitura será manter as fiscalizações nas ruas após o término das negociações políticas, garantindo que os critérios do IMMU sejam cumpridos de fato.

O usuário do transporte público em Manaus não pode ficar refém de disputas corporativas ou de sabotagens no meio do caminho. O equilíbrio do setor depende de um pacto claro, onde o subsídio pago com o imposto do cidadão se reverta em viagens seguras, veículos confortáveis e respeito aos horários programados nas paradas de ônibus.

Fonte: ASCOM | Alessandra Taveira e Naira Nascimento

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