
A AmidoMato, startup dedicada à padronização e ao desenvolvimento de derivados da farinha de babaçu para a indústria de alimentos, é a vencedora da “Chamada de Negócios 2025” da AMAZ. Com essa conquista, a empresa passa a integrar o portfólio da aceleradora de impacto coordenada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam). A seleção marca o encerramento de um ciclo de cinco anos de investimentos e apoio aos empreendimentos inovadores voltados ao desenvolvimento sustentável da região.
Aporte e parcerias
A entrada da AMAZ complementa a rodada de captação de capital semente da AmidoMato, destinada à consolidação de seu processo produtivo e à expansão da base de clientes. Fundada em 2024, a startup captou R$ 2 milhões em uma rodada que reuniu três importantes investidores, listados abaixo:
- Grão Venture Capital, que atua como sócia fundadora do negócio.
- RG Futures, a frente de investimentos em inovação alimentar da RG Think Food.
- Abunã, o braço de investimento dos empresários Ilana e Denis Minev voltado às iniciativas na Amazônia.
Além do aporte financeiro, a empresa conta com parceiros estratégicos que fortalecem sua atuação no mercado comercial. Entre eles estão a Griffith Foods, multinacional do setor alimentício com a qual a startup firmou seu primeiro grande contrato de fornecimento, e a EBS, empresa especializada em tecnologia industrial para amidos e farinhas.
Histórico do fundador
A empresa foi fundada por Eduardo Roxo, biólogo, mestre em Ecologia e Agronegócios e empreendedor com ampla trajetória em negócios da sociobiodiversidade amazônica. Cofundador das marcas Atina, Mombora e “Painel da Floresta”, o profissional trabalha com a cadeia do babaçu desde 2007, quando participou do desenvolvimento da farinha do mesocarpo de babaçu para aplicação na indústria de cosméticos.
A AmidoMato busca transformar a farinha do mesocarpo de babaçu em um ingrediente competitivo frente a produtos agrícolas amplamente utilizados pela indústria, como trigo, milho, arroz e mandioca. A proposta é conectar a abundante oferta de matéria-prima existente na Amazônia e no Meio Norte brasileiro à crescente demanda global por farinhas, amidos e ingredientes funcionais.

Desafios do setor
A startup atua diretamente sobre gargalos históricos da cadeia produtiva do babaçu, palmeira que ocupa cerca de 15 milhões de hectares entre a Bolívia e o Nordeste brasileiro. Tradicionalmente voltada para a extração de óleo das amêndoas, a cadeia pouco aproveita o mesocarpo do fruto, que costuma se deteriorar rapidamente após sua queda no solo.
Abaixo estão os principais pontos críticos enfrentados pelas equipes no campo:
- Irregularidade constante na oferta da matéria-prima nas comunidades.
- Contaminação frequente decorrente da coleta tradicional do fruto.
- Falta de padronização industrial em atributos como tamanho dos grãos, cor e teor de fibras.
“Nosso objetivo é tornar a farinha de babaçu um produto seguro, competitivo e disponível, uma nova opção no mundo das farinhas, que não se limite ao nicho de produtos da floresta”, afirma Eduardo Roxo, fundador da AmidoMato.
Ao integrar o portfólio da AMAZ, a AmidoMato fortalece sua estratégia de crescimento e amplia sua capacidade de gerar impacto socioambiental positivo. A iniciativa contribui diretamente para a valorização de cadeias produtivas da sociobiodiversidade e para a criação de novas oportunidades econômicas a partir da floresta em pé.
O papel da AMAZ no avanço de negócios de impacto na Amazônia
Em 2018, o Idesam começou a atuar com o fortalecimento de negócios de impacto, por meio do Programa de Aceleração. De 2018 até 2020 foram acelerados 30 negócios e 12 receberam investimos. Com o amadurecimento do programa veio a aceleradora, assim em 2021, a AMAZ foi criada e há cinco anos se dedica a selecionar e acelerar negócios nascentes que forneçam soluções de impacto para o contexto da Amazônia.
Nestes anos, a aceleradora acumula aprendizados e hoje é referência no ecossistema de negócios de impacto com números expressivos como; 500 startups avaliadas, 52 aceleradas e 29 investidas, das quais 16 se mantém ativas no portfólio de negócios.
“Em 2026 fechamos o ciclo do primeiro fundo da AMAZ. Nosso portfólio reflete a diversidade de soluções necessárias à bioeconomia amazônica: restauração florestal, inovação em ingredientes e produtos, soluções financeiras e logísticas. Nos próximos 5 anos vamos consolidar aprendizados, multiplicar mecanismos de apoio e fortalecer os negócios investidos”, avalia Gabriela Souza, Líder de Novos Negócios do Idesam e gestora de operações da AMAZ.
ASCOM: Maxi Mídia Comunicação










