
O Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Secretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho (SEET), apresentaram o diagnóstico em números “Os jovens no Brasil: Permanências e necessidades de mudança”. Baseado nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do primeiro trimestre de 2026, o estudo revela um mercado de trabalho mais formal e com desemprego em queda, mas acende o alerta para a alta rotatividade profissional e a exclusão social de milhões de jovens.
Perfil da juventude
A subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, Paula Montagner, realizou a apresentação dos dados, que expuseram onde estão inseridos os 32,9 milhões de jovens entre 14 e 24 anos, o que representa 15,4% da população do país.
A divisão desse contingente mostra as seguintes ocupações reais:
- Apenas estudam somam 12,8 milhões de pessoas.
- Apenas trabalham somam 9,6 milhões de pessoas.
- Estudam e trabalham somam 4,3 milhões de pessoas.
- Não estudam nem trabalham somam 6,2 milhões de pessoas.
Os números chamam atenção para um alerta social mais grave sobre o grupo que não estuda nem trabalha, que registrou alta sazonal subindo de 5,5 milhões no final de 2025 para 6,2 milhões no primeiro trimestre de 2026. O ministério destaca que este cenário atinge de forma mais severa as mulheres negras e jovens, que majoritariamente precisam abandonar seus estudos e o trabalho formal para se dedicar aos cuidados familiares e domésticos.
Subemprego e salários
Outro ponto que o levantamento trouxe foi a barreira do subemprego e salários baixos. O diagnóstico aponta que 84% dos jovens atuam em funções generalistas e sem exigência de qualificação específica, como balconistas e escriturários, e a ampla maioria recebe até 1,5 salário mínimo. Apenas um em cada sete jovens inseridos ocupa postos de nível técnico ou superior.
Sobre a jornada média do trabalhador adolescente, os números apontaram que a carga horária é de 27,3 horas semanais, superando em mais de sete horas o contraturno escolar e disputando diretamente o tempo dedicado aos estudos.
“Essa é uma realidade da nossa sociedade, mas precisamos lutar para que o jovem almeje postos de trabalho maiores e isso exige um effort individual de uma maior escolaridade, mas também de uma sociedade que precisa entender que o jovem tem que chegar lá e facilitar a vida dele para isso e não criar empecilhos”, afirma Paula Montagner.
Queda no desemprego
O total de jovens ocupados chegou a 13,9 milhões, superando o nível pré-pandemia de 2019 em 569 mil pessoas. A taxa de desemprego jovem também caiu pela metade desde o pico de 2021 e atualmente está em 13,8% para a faixa de 18 a 24 anos e 25,1% para adolescentes de 14 a 17 anos. Ainda assim, o índice dos jovens é 2,4 vezes maior que a média nacional de 5,8%.
Somado a isso, 57,8% dos jovens ocupados possuem vínculo formal de trabalho, totalizando 8 milhões de pessoas com carteira assinada. A informalidade recuou para 39,4% entre jovens de 18 a 24 anos, embora ainda atinja 72,8% dos adolescentes de 14 a 17 anos.
Apesar dos avanços na contratação, o diagnóstico joga luz sobre as dificuldades de ascensão e permanência do jovem no mercado, pois 52% dos adolescentes e 38,2% dos jovens permanecem menos de um ano no mesmo trabalho.
Desafios e caminhos
Por fim, o relatório do governo detalha os desafios e caminhos para uma melhor integração entre o ambiente escolar e o corporativo.
A lista abaixo aponta as diretrizes propostas pelo documento:
- Elevar a escolaridade e combater a evasão com programas como o “Pé-de-Meia” e Educação de Jovens e Adultos (EJA) profissionalizante.
- Focar no público que não estuda nem trabalha desenhando capacitações específicas em ensino a distância voltadas para meninos e jovens mães.
- Interiorizar as vagas de Aprendizagem para o Norte e Nordeste onde a população é proporcionalmente mais jovem e vulnerável.
- Promover o letramento digital e de inteligência artificial preparando a juventude para ocupações de maior densidade tecnológica e melhores salários.
Para Rodrigo Dib, superintendente institucional do CIEE, a exposição dos dados reforça o papel da instituição como ponte integradora entre trabalho e estudo.
“A divulgação desse panorama inédito reforça a relevância da nossa atuação institucional. Mais do que gerar oportunidades, nosso papel é subsidiar o mercado com inteligência e conhecimento para impulsionar a empregabilidade jovem”, conclui Rodrigo Dib.
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