
É simplesmente inaceitável que estudantes da rede pública estadual de Manaus sejam transformados em reféns de uma disputa financeira entre o Governo do Amazonas e as empresas de transporte coletivo.
De um lado, o Sinetram cobra R$ 36,9 milhões e ameaça não liberar novos créditos. Do outro, o governo afirma que os pagamentos referentes a 2026 estão em dia e contesta judicialmente os valores cobrados. E, no meio dessa briga, estão milhares de jovens que precisam do transporte coletivo para chegar à escola.
Quem vai pagar a conta dessa irresponsabilidade institucional? Certamente não serão os empresários, os governantes ou os dirigentes que se sentam em salas refrigeradas para discutir planilhas e tarifas.
Quem corre o risco de pagar a conta maior é o estudante pobre, aquele que muitas vezes precisa escolher entre gastar o pouco dinheiro que tem com passagem ou deixar de frequentar a escola.
Quem resolve o conflito?

É preciso lembrar que o transporte escolar gratuito não é favor de empresário, presente de governante ou moeda de negociação política. É um instrumento de inclusão social e de garantia de acesso à educação.
Suspender novas recargas em razão de divergências financeiras é impor à população estudantil o peso de um conflito que deveria ser resolvido entre os responsáveis pela política pública e seus operadores.
Que se discutam os valores na Justiça. Que se apresentem documentos, contratos, relatórios e planilhas. Que os órgãos de controle examinem cada centavo. Mas que ninguém ouse utilizar o direito de estudar como instrumento de pressão.
O dinheiro pode ser objeto de disputa judicial. O futuro dos estudantes não pode ficar à espera de uma sentença.
A conta da incompetência
O episódio envolvendo o Passe Livre Estudantil em Manaus revela uma situação que merece indignação e uma resposta imediata das autoridades.
É necessário que as autoridades estabeleçam uma solução emergencial para assegurar as recargas enquanto a discussão judicial prossegue. Não é razoável que uma família de baixa renda tenha de sacrificar o orçamento doméstico para que um filho consiga chegar à escola.
A educação não pode ficar subordinada ao caixa das empresas, assim como a gratuidade não pode servir de justificativa para pagamentos sem comprovação.
É perfeitamente possível exigir responsabilidade fiscal, transparência e respeito aos contratos sem sacrificar o direito dos estudantes.
O Governo do Estado deve esclarecer os repasses e assumir suas responsabilidades. A Prefeitura deve participar da construção de uma saída. E os órgãos de fiscalização precisam acompanhar de perto cada etapa dessa negociação.
Adjuto já contabiliza 17 votos

O deputado Adjuto Afonso (União Brasil) está cada vez mais animado com as articulações para continuar no comando da Assembleia Legislativa do Amazonas.
Nos bastidores, aliados garantem que ele já conta com o apoio de 17 deputados estaduais para a eleição da Mesa Diretora, marcada para 1º de fevereiro de 2027.
A confiança do grupo teria aumentado nos últimos dias, especialmente depois das conversas com parlamentares eleitos e reeleitos para a próxima legislatura.
Adjuto vem intensificando os contatos políticos e recebendo novos integrantes da Assembleia, numa movimentação que, além do caráter institucional, também é interpretada como parte da estratégia para consolidar sua candidatura à reeleição.
Palhano e Curubão
Na terça-feira (3/11), a visita dos deputados Marcelo Palhano (Agir) e Clóvis Curubão (PT), acompanhados de Sinésio Campos, ao gabinete da Presidência foi mais um capítulo das aproximações.
Adjuto fez questão de apresentar a estrutura e o funcionamento da Casa aos futuros colegas, enquanto amplia o diálogo com diferentes bancadas.
O atual presidente da ALEAM segue movimentando as peças no tabuleiro da sucessão, mas, até o momento, não há declaração pública individual dos deputados eleitores nem anúncio oficial de uma chapa fechada.
Risco de recrutar jovens ao crime

A defesa do senador Eduardo Braga (MDB) de que adolescentes envolvidos em crimes hediondos possam responder penalmente como adultos provoca uma das discussões mais delicadas da segurança pública brasileira: até que ponto o endurecimento das leis pode contribuir para reduzir a criminalidade sem transformar o sistema prisional em uma escola de formação de novos criminosos?
Ao reconhecer que jovens envolvidos em delitos de menor gravidade podem acabar nas mãos de facções criminosas quando encarcerados, Braga toca em uma ferida aberta do sistema penitenciário nacional.
Não basta aumentar penas ou reduzir a idade da responsabilização penal. É indispensável discutir onde esses adolescentes seriam colocados, quais garantias seriam preservadas e que estrutura o Estado teria para impedir que a punição se transforme em recrutamento pelo crime organizado.
Segurança não é só punições
Como disse Braga, a proposta de diferenciar crimes hediondos de delitos patrimoniais merece debate, mas exige critérios jurídicos claros, estudos técnicos e uma avaliação rigorosa de suas consequências.
Segurança pública não se constrói apenas com o endurecimento das punições. Exige prevenção, investigação eficiente, inteligência policial e um sistema de Justiça capaz de responsabilizar os culpados sem produzir ainda mais violência.
O alerta feito pelo senador é pertinente: colocar um jovem em contato direto com integrantes de facções pode significar entregar às organizações criminosas mais um futuro soldado.
O desafio do Congresso é discutir soluções que protejam a sociedade sem alimentar o problema que pretende combater.
Falsa médica no Solimões
As divergências encontradas nos registros funcionais de uma médica contratada pela Prefeitura de São Paulo de Olivença colocam sob suspeita a transparência da gestão municipal da saúde.
O Ministério Público do Amazonas quer saber se a profissional estava efetivamente lotada, cumpria sua jornada de trabalho e prestava os serviços correspondentes à remuneração recebida.
O caso chama atenção pelo valor registrado na folha de pagamento de agosto de 2026: R$ 17.550 brutos, incluindo adicional de insalubridade de 30%.
Também causa questionamento a diferença entre a admissão, registrada em janeiro, e a inclusão da médica no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, ocorrida somente em abril.
Há ainda divergências sobre a unidade de lotação, a classificação da ocupação profissional e a natureza do vínculo temporário.










