
A vitória nas urnas não arrefeceu a disposição de Omar Aziz (PSD) de levar à Justiça os ataques que, segundo ele, atingiram sua filha menor de idade durante a campanha eleitoral.
Em tom duro, o governador eleito anunciou que seus advogados pedirão a prisão de Maria do Carmo (PL) e de aliados que considera responsáveis pelos episódios.
“Eu quero eles na cadeia, não vou deixar barato”, disparou.
Omar deixou claro que não aceitará transformar o encerramento da disputa eleitoral em salvo-conduto para eventuais violações ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Para ele, existe uma fronteira intransponível entre o embate político e a exposição de uma criança. Caberá à Justiça apurar as responsabilidades e decidir sobre as medidas exigidas pelo governador eleito.
“Não haverá trégua”

Quem imaginou que Omar Aziz deixaria para trás as acusações contra Maria do Carmo e seus aliados depois da eleição recebeu um recado direto do governador eleito.
“Não tem esse negócio de que passou a eleição, não”, advertiu.
Omar decidiu ir até as últimas consequências para responsabilizar judicialmente os envolvidos nos supostos ataques à sua família. Ao afirmar que governará para todos, mas que pretende ver punidos aqueles que chamou de “bárbaros”, o futuro governador separou a obrigação institucional de administrar o Amazonas de sua decisão de buscar reparação na Justiça.
A eleição acabou, mas a batalha judicial anunciada por Omar está apenas começando. A responsabilização criminal, contudo, dependerá de investigação, provas e decisão judicial.
Aliança fortalecida

A vitória de Omar Aziz abriu caminho para uma nova fase na relação entre a Prefeitura de Manaus e o Governo do Amazonas.
O prefeito Renato Júnior (Avante), que apoiou Omar no segundo turno, fez questão de celebrar o resultado e sinalizar disposição para uma parceria administrativa.
“Manaus ganha um grande aliado no Governo do Estado”, afirmou.
Depois de caminhar com David Almeida no primeiro turno, Renato fez uma escolha estratégica na etapa decisiva e agora poderá transformar a aproximação eleitoral em cooperação institucional.
Infraestrutura, mobilidade urbana e serviços públicos aparecem como áreas capazes de aproximar as duas gestões.
Maria perde seu principal reduto

A derrota de Maria do Carmo (PL) em Manaus foi um dos resultados mais expressivos do segundo turno, sobretudo porque a candidata havia vencido na capital na primeira rodada da eleição.
No dia 4 de outubro, ela conquistou 32,89% dos votos válidos, contra 31,44% de Omar Aziz, abrindo vantagem de 16.344 votos.
Três semanas depois, o cenário se inverteu. Omar chegou a 573.487 votos, equivalentes a 50,35%, enquanto Maria do Carmo ficou com 565.543 votos, ou 49,65%.
A diferença de 7.944 votos pode parecer pequena, mas seu significado político é considerável: a candidata do PL não conseguiu preservar a liderança na maior concentração eleitoral do Amazonas. Omar, por sua vez, avançou onde sua adversária apostava em consolidar uma vantagem decisiva.
Nem o voto bolsonarista salvou Maria
O resultado das urnas em Manaus revelou outro dado politicamente desconfortável para Maria do Carmo: o eleitorado que garantiu a vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na capital não reproduziu o mesmo comportamento na disputa pelo Governo do Amazonas.
Enquanto Flávio recebeu 657.892 votos, alcançando 55,83% dos válidos na eleição presidencial, Maria do Carmo somou 565.543 votos, ficando 92.349 votos abaixo do presidenciável de seu próprio partido.
A diferença demonstra que o desempenho da legenda na disputa nacional não se converteu automaticamente em apoio à candidatura estadual.
Não é possível determinar apenas pelos totais quantos eleitores de Flávio votaram em Omar, mas o recado das urnas é evidente: a força do bolsonarismo na capital não foi suficiente para assegurar a vitória de Maria do Carmo. Omar conseguiu superar a adversária mesmo em uma cidade onde o candidato presidencial do PL saiu vencedor.
Lula acelera reforma tributária

Reeleito para um quarto mandato, o presidente Lula (PT) terá na reforma tributária uma das primeiras grandes provas de sua nova gestão.
Encerrada a disputa eleitoral, o Palácio do Planalto volta suas atenções para a implantação do novo sistema de tributação sobre o consumo, considerado uma das principais mudanças estruturais da economia brasileira nas últimas décadas.
O desafio agora não é mais aprovar a reforma, mas fazê-la funcionar. Ainda faltam definições sobre as alíquotas da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto Seletivo, além de regulamentações essenciais para empresas e contribuintes.
Um teste decisivo
A reforma tributária promete simplificar a cobrança de impostos no Brasil, mas sua implantação poderá representar um dos maiores desafios econômicos do novo mandato de Lula.
A substituição gradual de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS por um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, formado pela CBS federal e pelo IBS de estados e municípios, exigirá uma profunda adaptação do setor produtivo.
A alíquota conjunta estimada em torno de 28% já alimenta discussões sobre custos, preços e competitividade. Segundo dados da Receita Federal, 32,9% dos emissores de notas fiscais ainda não informam os valores da CBS e do IBS, enquanto outros 28,7% fazem isso apenas parcialmente.
ZFM exige atenção especial

Preocupadas com a reforma, entidades empresariais defendem mecanismos de transição que evitem multas e prejuízos decorrentes de dificuldades operacionais.
Para o Amazonas, onde a Zona Franca de Manaus ocupa posição estratégica na economia regional, a regulamentação também exigirá atenção especial à preservação dos diferenciais competitivos previstos para o modelo.
Lula inicia seu novo ciclo político diante de uma tarefa que ultrapassa o discurso eleitoral: assegurar que a reforma avance com segurança, previsibilidade e respeito às particularidades econômicas do país.










