
Parar de fumar é um dos maiores desafios enfrentados por quem tem dependência de nicotina. A substância age diretamente no sistema nervoso central, ativando receptores ligados à sensação de prazer e recompensa. Por isso, o processo de abandono do cigarro costuma envolver mais do que força de vontade. Quando indicado, o tratamento medicamentoso funciona como apoio à cessação, ajudando a reduzir a vontade de fumar e a controlar os sintomas de abstinência.
Uma pesquisa divulgada em agosto apontou que 54,1% dos fumantes e ex-fumantes brasileiros tentaram parar de fumar no último ano, mas apenas 13,4% tiveram acesso a algum tipo de tratamento. O levantamento foi produzido pela Vital Strategies e pela Umane.
A farmacêutica da rede Santo Remédio, Larissa Paiva, explica que existem diferentes categorias de medicamentos aprovados para auxiliar no tratamento do tabagismo, e a escolha depende do perfil de cada paciente.
A terapia de reposição de nicotina é uma das opções mais conhecidas e inclui adesivos, gomas de mascar, pastilhas e sprays.
“O objetivo é fornecer uma dose controlada de nicotina ao organismo, sem os componentes tóxicos da fumaça do cigarro, reduzindo gradualmente os sintomas de abstinência, como irritabilidade, ansiedade e dificuldade de concentração”, afirma.
Os adesivos liberam a substância de forma contínua ao longo do dia, enquanto gomas e pastilhas atuam de maneira mais rápida, sendo indicadas para momentos de vontade intensa de fumar. Há casos em que as duas formas são combinadas.
Sem nicotina
Há também tratamentos que não utilizam nicotina e atuam no sistema nervoso central. Alguns interferem em neurotransmissores relacionados ao prazer e à recompensa, contribuindo para diminuir a vontade de fumar e amenizar sintomas que surgem durante a abstinência.
“É importante ressaltar que esses medicamentos também podem ser usados no tratamento para depressão, por isso exige avaliação médica cuidadosa antes do início do uso”, destaca a farmacêutica.
Outra estratégia farmacológica age nos receptores cerebrais envolvidos na dependência de nicotina. A ação reduz o prazer associado ao cigarro e, ao mesmo tempo, ajuda a aliviar os sintomas de abstinência. Esse tipo de tratamento está entre as opções utilizadas para aumentar as chances de abandonar o tabagismo, mas também requer avaliação e acompanhamento profissional.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), os medicamentos têm a função de minimizar os sintomas da abstinência e devem ser utilizados como apoio ao tratamento, que também envolve abordagem comportamental. A rede pública oferece acompanhamento para quem deseja parar de fumar, incluindo suporte profissional.
Acompanhamento profissional
Apesar de alguns produtos utilizados no processo de cessação estarem disponíveis em farmácias, Larissa Paiva ressalta que nenhum tratamento deve ser realizado por conta própria.
“Somente um profissional poderá indicar a melhor opção, considerando o histórico de saúde do paciente, grau de dependência, uso de outros medicamentos e presença de condições como ansiedade ou depressão”, orienta.
Combinar o uso de medicamentos com apoio psicológico, como terapia comportamental ou grupos de apoio, também pode aumentar as chances de sucesso no processo de parar de fumar. O acompanhamento contínuo contribui ainda para a manutenção da abstinência a longo prazo.
O tabagismo é reconhecido como uma doença crônica causada pela dependência de nicotina presente nos produtos à base de tabaco. De acordo com o INCA, na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-11), ele integra o grupo de transtornos decorrentes do uso de substâncias ou comportamentos aditivos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o tabaco provoque mais de 8 milhões de mortes por ano no mundo. Mais de 7 milhões são decorrentes do consumo direto, enquanto cerca de 1,4 milhão atingem não fumantes expostos ao fumo passivo.
Segundo o Ministério da Saúde, o tabagismo está associado a diversos tipos de câncer, entre eles os de bexiga, pâncreas, fígado, colo do útero, esôfago, rim, laringe, cavidade oral, faringe, estômago, cólon e reto, além de traqueia, brônquios e pulmão.
Repercussão Assessoria










