Terceira Idade Depressão em idosos exige atenção da família e não deve ser vista...

Depressão em idosos exige atenção da família e não deve ser vista como algo natural da idade

Foto: Divulgação

O envelhecimento é acompanhado por mudanças importantes na rotina, nos relacionamentos e na saúde, mas nem toda alteração de comportamento deve ser encarada como uma consequência natural da idade. A depressão em idosos pode se manifestar de maneira diferente daquela observada em adultos mais jovens e seus primeiros sinais podem passar despercebidos por familiares e cuidadores.

Segundo a psicóloga Karen Jones, da empresa de assistência domiciliar Said Rio, o principal desafio está em diferenciar manifestações relacionadas à depressão de mudanças atribuídas automaticamente ao envelhecimento.

“É muito comum que sinais de depressão sejam interpretados como parte natural da velhice. O idoso pode ficar mais quieto, deixar de participar de atividades que antes gostava, apresentar alterações no sono ou no apetite e até se queixar mais frequentemente de dores físicas. Esses sinais precisam ser observados em conjunto e, principalmente, em comparação com o comportamento habitual daquela pessoa”, explicou Karen Jones, psicóloga.

Sinais do quadro depressivo

Entre os sintomas que indicam a necessidade de avaliação profissional estão diversas manifestações físicas e comportamentais na rotina do idoso.

  • Perda persistente de interesse ou prazer em atividades antes agradáveis.
  • Isolamento social e afastamento do convívio familiar.
  • Alterações no padrão de sono e mudanças no apetite.
  • Falta de energia constante e dificuldade de concentração.
  • Sentimentos de inutilidade ou culpa.
  • Queixas físicas recorrentes sem uma causa médica aparente.
  • Irritabilidade e mudanças repentinas de humor em vez de tristeza evidente.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que a depressão não é uma consequência inevitável do envelhecimento. Condições de saúde física, perdas recentes e isolamento social podem contribuir diretamente para o surgimento de problemas de saúde mental na terceira idade.

Importância do olhar atento

Para a psicóloga Karen Jones, a atenção de familiares e cuidadores é fundamental para perceber alterações que costumam ser sutis no dia a dia.

“Quem convive diariamente com o idoso consegue perceber alterações que talvez não sejam identificadas em uma consulta pontual. Se uma pessoa que costumava conversar, sair, assistir aos seus programas favoritos ou participar de atividades passa a evitar essas situações de forma persistente, é importante investigar o que está acontecendo”, afirmou Karen Jones, psicóloga.

A solidão é outro ponto que merece atenção. Mudanças na estrutura familiar, aposentadoria, perda do companheiro ou de amigos e a redução da convivência social diminuem os estímulos presentes na rotina. Entretanto, o isolamento não deve ser considerado uma característica simples da idade. A participação da família e a manutenção de vínculos sociais contribuem para o bem-estar emocional, assim como atividades que estimulam a autonomia. O acompanhamento psicológico auxilia na identificação dos sintomas e na compreensão dos fatores que afetam a saúde mental.

“O mais importante é não minimizar o sofrimento do idoso. Frases como ‘isso é da idade’ ou ‘ele sempre foi assim’ podem fazer com que um problema seja ignorado. A depressão é uma condição de saúde e pode ser acompanhada e tratada por profissionais. Quanto antes os sinais forem percebidos, mais rápido podemos buscar ajuda”, destacou Karen Jones, psicóloga.

O cuidado deve envolver uma avaliação ampla do paciente. Na assistência domiciliar, a atuação de uma equipe multidisciplinar permite observar diferentes aspectos da vida do idoso. Médicos, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, enfermeiros e cuidadores compartilham informações e contribuem para uma compreensão completa das necessidades de cada pessoa.

“Cuidar de um idoso não significa apenas acompanhar seus medicamentos ou garantir que ele esteja fisicamente bem. Também precisamos observar como ele está se sentindo, se mantém seus vínculos, se encontra prazer na rotina e se continua exercendo sua autonomia. Saúde mental também é qualidade de vida”, concluiu Karen Jones, psicóloga.

ASCOM: Giovanna Rebelo 

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