
No ciclo 2025-2026, o Programa Saúde na Escola (PSE) em Manaus alcançou um marco expressivo ao garantir a execução das cinco ações prioritárias em 63% das 350 instituições de ensino pactuadas. A marca superou a meta de 50% estabelecida pelo Ministério da Saúde, assegurando o repasse integral de 100% dos recursos financeiros ao município.
A iniciativa intersetorial conecta a articulação entre Ministério da Educação, Ministério da Saúde, governos estaduais, municípios e o Distrito Federal, alcançando 185.169 estudantes na capital amazonense, distribuídos em 279 escolas municipais e 71 unidades da rede estadual.
O avanço reflete o fortalecimento do trabalho conjunto entre as áreas sociais no ambiente escolar. Segundo o secretário municipal de Saúde, Nagib Salem, os índices representam mais cuidado preventivo para crianças e jovens.
“Superar a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde significa ampliar o alcance dessas iniciativas e fortalecer a atenção à saúde de crianças e adolescentes, contribuindo para que eles tenham melhores condições para aprender, se desenvolver e exercer plenamente sua cidadania”, destaca o secretário Nagib Salem.
Na mesma linha, o secretário municipal de Educação, Arone Bentes, reforça que a colaboração entre as pastas promove a qualidade de vida no aprendizado.
“O Programa Saúde na Escola fortalece o trabalho realizado pelas unidades de ensino, levando ações de prevenção, orientação e promoção da saúde para dentro do ambiente escolar. Essa parceria contribui para o desenvolvimento integral dos nossos alunos e para a construção de uma educação cada vez mais humanizada e inclusiva”, salienta o secretário Arone Bentes.
Além do cumprimento das diretrizes prioritárias, as equipes da Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA) cumpriram com as boas práticas do programa com a execução de atividades em 100% das 350 escolas cadastradas, abordando ao menos uma das 14 áreas temáticas.
Ações prioritárias do ciclo
A chefe do Núcleo do PSE na Semsa, a enfermeira Jailce Nogueira Dória, ressalta que as metas recomendadas asseguram um atendimento abrangente para a comunidade escolar.
“As áreas temáticas do PSE indicam ações direcionadas para o cuidado com a saúde física, mas também saúde ambiental, cidadania e direitos humanos. Além do repasse financeiro, o cumprimento das boas práticas do PSE, atingindo a metas recomendadas, garante que crianças e adolescentes estão sendo atendidas de forma abrangente e nas ações prioritárias”, explica a enfermeira Jailce Nogueira Dória.
A cada dois anos, o plano de trabalho estabelece focos estratégicos adaptados às necessidades de cada comunidade.
“Mesmo sendo baseado em saúde na escola, os ministérios entendem que a saúde perpassa o conceito de ausência de doença ou enfermidade física, acima disso, saúde é uma garantia de um direito social, que engloba uma série de temáticas a serem trabalhadas no contexto social que impactam na qualidade de vida da comunidade estudantil”, pondera a especialista.
No ciclo 2025-2026, o PSE definiu cinco frentes prioritárias entre os eixos trabalhados:
- Verificação rigorosa da situação vacinal dos estudantes.
- Promoção de alimentação saudável e prevenção da obesidade infantil.
- Orientações sobre saúde sexual e reprodutiva, além da prevenção às infecções sexualmente transmissíveis e HIV.
- Cuidados voltados para a saúde mental.
- Prevenção de violências e estímulo à cultura de paz no ambiente escolar.
As demais temáticas abordadas ao longo do período englobam a prevenção de acidentes, saúde ambiental, atividade física, enfrentamento a doenças negligenciadas, prevenção ao uso de álcool, tabaco e outras drogas, saúde bucal, saúde auditiva, saúde ocular e prevenção à Covid-19.
Desafios com a vacinação
Este é o primeiro ciclo em que Manaus atinge integralmente os indicadores pactuados desde a pandemia de Covid-19. O biênio 2021-2022 sofreu restrições sanitárias e de aglomeração, enquanto o período 2023-2024 serviu como fase de transição e ampliação gradual.
Apesar do desempenho positivo, a execução das atividades enfrenta barreiras cotidianas. Um dos principais gargalos é a resistência de pais e responsáveis em autorizar a participação dos filhos em ações de imunização, sobretudo no segmento dos adolescentes. A falta de envio do cartão de vacinação e do termo de autorização assinado exige um esforço contínuo de conscientização nas reuniões escolares para desconstruir desinformações e fake news sobre as vacinas.
Iniciado em Manaus no ano de 2008 e colocado em prática a partir de 2009, o programa vincula cada unidade escolar a uma equipe de saúde de referência. O grupo multiprofissional é composto por médicos, enfermeiros, cirurgiões dentistas, agentes comunitários de saúde e auxiliares de saúde bucal. A atuação se estende às famílias, apoiando campanhas como o Outubro Rosa para a prevenção ao câncer de mama e do colo do útero.
Resultados nos distritos locais
O impacto positivo pode ser observado nos territórios regionais da capital. No Distrito de Saúde (DISA) Oeste, por exemplo, a meta prioritária atingiu a marca de 100% de cobertura nas 62 escolas acompanhadas.
De acordo com a técnica do PSE no distrito, a enfermeira Aline da Silva, o atendimento contempla creches, Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) e escolas de ensino fundamental e médio. As estratégias utilizam marcos do calendário anual, a exemplo do Setembro Amarelo, para organizar a execução pedagógica e sanitária.
A nova etapa de adesão para inclusão de mais instituições de ensino ocorrerá entre os meses de dezembro de 2026 e janeiro de 2027. O processo dará prioridade a unidades escolares onde ao menos 50% dos alunos sejam beneficiários de programas sociais.
Fonte: ASCOM | Eurivânia Galúcio / Semsa










