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Uso excessivo de telas preocupa médicos e acende alerta para a saúde ocular de crianças e adultos

Foto: Divulgação/ ASCOM

A preservação da saúde ocular ganha relevância central com a chegada do Dia Mundial da Visão, comemorado nesta quinta-feira (8/10). A data serve como um alerta necessário para a população sobre enfermidades assintomáticas que avançam sem dar indícios claros. O glaucoma surge como uma das condições mais graves, sendo apontado pela comunidade médica como uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo.

A doença atua de forma progressiva ao danificar o nervo óptico, tornando o diagnóstico precoce e a avaliação periódica as únicas ferramentas capazes de conter danos permanentes.

A falta de hábitos preventivos amplia a vulnerabilidade de milhares de pessoas. Muitas pessoas buscam atendimento médico apenas quando percebem perdas na capacidade visual, momento em que certas lesões estruturais nos olhos já se tornaram irreversíveis.

A consulta de rotina vai muito além de medir o grau dos óculos. Durante a avaliação técnica, os exames clínicos permitem identificar precocemente o aumento da pressão intraocular e alterações no nervo óptico, fatores cruciais para conter o glaucoma. O médico oftalmologista Ranieri de Sena Alfaia, do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), instituição vinculada à Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e à rede HU Brasil, explicou a dinâmica sutil da enfermidade.

“O glaucoma é uma doença silenciosa. Muitas vezes, ele é detectado durante a consulta oftalmológica, quando avaliamos o nervo óptico, o fundo do olho e a pressão intraocular. O paciente pode não apresentar nenhuma queixa”, explicou o médico Ranieri de Sena Alfaia.

O histórico familiar configura um fator de risco determinante. Pessoas que possuem parentes diagnosticados com glaucoma ou outras enfermidades oculares hereditárias precisam informar o médico e manter consultas frequentes para monitoramento preventivo.

Olhos revelam doenças

A estrutura ocular funciona também como um espelho da saúde geral do organismo. Por meio do exame de fundo de olho, os profissionais conseguem observar diretamente a microcirculação sanguínea e identificar manifestações iniciais de doenças sistêmicas graves, como o diabetes e a hipertensão arterial, antes mesmo do surgimento de sintomas clínicos em outros órgãos.

“O diabetes pode provocar alterações nos vasos sanguíneos da retina. Às vezes, conseguimos identificar essas alterações no exame oftalmológico até mesmo em um paciente que ainda não tem o diagnóstico da doença. A hipertensão também pode provocar alterações que aparecem no fundo do olho”, ressaltou o profissional Ranieri.

Entre as principais complicações metabólicas está a retinopatia diabética, problema que se desenvolve silenciosamente e compromete gravemente a visão caso não seja tratado. Da mesma forma, alterações na superfície dos olhos servem como indicativos para a investigação de doenças reumatológicas na rede de saúde.

Efeitos do tempo

O envelhecimento natural do corpo traz transformações na estrutura ocular. A partir dos 60 anos, aumenta significativamente a incidência da catarata, caracterizada pela perda gradual da transparência do cristalino, a lente natural do olho humano. Essa alteração gera um embaçamento progressivo da visão.

“A pessoa pode perceber como se houvesse uma fumaça ou uma nuvem na frente dos olhos, um embaçamento que não melhora simplesmente com a troca dos óculos”, explicou o oftalmologista.

Apesar dos riscos acumulados ao longo dos anos, existem sintomas de emergência que exigem busca imediata por socorro médico, como dores oculares intensas, olhos vermelhos acompanhados de distúrbios na visão e perda repentina da capacidade visual.

Telas e cuidados

O acompanhamento preventivo precisa ocorrer em todas as fases da vida. Na infância, as consultas periódicas são indispensáveis para diagnosticar precocemente a ambliopia, conhecida popularmente como olho preguiçoso, condição que afeta o desenvolvimento da visão se não for corrigida no tempo adequado. Em adultos, o acompanhamento deve ocorrer a cada seis meses em casos de maior risco ou anualmente.

A rotina moderna de exposição prolongada a computadores e telefones celulares acrescentou novos desafios para a saúde visual de crianças e adultos. A fixação da atenção nas telas reduz drasticamente a quantidade de piscadas por minuto, acelerando a evaporação do filme lacrimal.

“Quando estamos muito atentos à tela, piscamos menos. Isso aumenta a evaporação da lágrima e pode provocar ressecamento e desconforto. Nas crianças com miopia, o uso excessivo de telas também pode contribuir para a progressão do grau”, alertou o especialista.

Atendimento público

O acesso ao tratamento especializado na rede pública é fundamental para conter a cegueira evitável na população. O Serviço de Oftalmologia do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV) atua na investigação e no tratamento de diversas enfermidades oculares, incluindo correção de erros refrativos, catarata, glaucoma, problemas de retina e procedimentos de cirurgia plástica ocular.

A unidade realiza procedimentos cirúrgicos complexos de glaucoma e catarata, além de aplicações intraoculares de medicamentos específicos para conter o avanço da retinopatia diabética. Todo o fluxo de atendimento da instituição ocorre por meio de encaminhamento e regulação pela rede pública de saúde e pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Sobre a HU Brasil

O HUGV-Ufam faz parte da Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.

Fonte: ASCOM | Emiliana Monteiro/ HUGV

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