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Luta contra o câncer metastático leva paciente a recorrer à Justiça após dificuldades na FCecon

Desde março, Waléria Martins enfrenta a progressão da doença, dificuldades no tratamento e obstáculos para manter a medicação – Foto: Divulgação

Uma paciente com câncer de mama com metástase relata ter enfrentado uma sequência de dificuldades durante o tratamento realizado na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), em Manaus. Desde março, Waléria Martins afirma ter vivenciado a progressão do quadro de saúde durante um protocolo anterior, um atendimento médico em que ouviu não haver mais opções terapêuticas para o seu caso e a recente impossibilidade de agendar consulta para manter o ciclo de medicação.

Avanço da doença

Waléria Martins iniciou o acompanhamento oncológico em março deste ano. Segundo a paciente, a doença continuou evoluindo ao longo de cerca de três meses de uso de uma medicação anterior. A neoplasia, que se concentrava na mama e no pulmão, posteriormente atingiu a coluna vertebral.

Durante o acompanhamento, Waléria vivenciou um episódio marcante ao ouvir de uma médica que não existiam mais alternativas para o seu quadro. Apesar da declaração inicial, a própria profissional conseguiu prescrever um novo medicamento para dar sequência aos cuidados.

“A doença evoluiu. Do que era no seio e no pulmão, passou para a coluna. Eu já fiquei com medo. Inclusive, a médica chegou a dizer que não tinha mais o que fazer por mim, mas depois conseguiu passar esse medicamento que estou tomando agora”, relata Waléria Martins.

Atraso nos agendamentos

Com a alteração do protocolo, a paciente passou a utilizar uma medicação administrada em ciclos de 21 dias. Para dar prosseguimento ao tratamento e obter o acesso continuado ao remédio, Waléria precisava passar por consulta médica de retorno.

Ao tentar efetuar a remarcação para o dia 1º de outubro, data indicada para a continuidade da terapia, a paciente foi informada de que a vaga mais próxima estava disponível apenas para o dia 19 de outubro. A perspectiva de permanecer sem a medicação gerou apreensão sobre a piora do seu estado de saúde.

“Passou pela minha cabeça: ‘vou ficar sem medicamento, a doença vai aumentar e eu vou morrer’. Foi isso que eu pensei. Eu já estou nessa luta e não é fácil”, relata Waléria Martins.

Acionamento da Justiça

Diante do risco de interrupção do tratamento, o escritório Philippe Dantas e Advogados Associados, que representa Waléria, ingressou com uma ação judicial.

A advogada Luiza Anoeza explica que a medida busca garantir a consulta médica e o fornecimento regular da medicação dentro do cronograma necessário diante da gravidade da situação.

“A paciente tem câncer de mama com metástase em outras áreas do corpo. Ela precisa da consulta para seguir com a prescrição e ter acesso ao medicamento. O que buscamos é garantir que ela consiga continuar o tratamento dentro do período indicado”, afirma a advogada Luiza Anoeza.

No pedido judicial, a defesa solicitou que, caso o poder público não ofereça a assistência dentro do prazo adequado, o Estado do Amazonas seja determinado a custear o tratamento na rede particular de saúde. O processo segue em tramitação e aguarda manifestação técnica do Núcleo de Apoio Técnico do Judiciário (NatJus).

Resumo do caso

Para esclarecimento dos detalhes do processo e da evolução do tratamento, os principais pontos compreendem:

  • Início do acompanhamento: Tratamento iniciado em março deste ano, com progressão posterior do tumor de mama e pulmão para a coluna.
  • Periodicidade medicamentosa: Administração do remédio estruturada em ciclos de 21 dias.
  • Data prevista para retorno: Consulta necessária agendada originalmente para 1º de outubro.
  • Prazo ofertado pela unidade: Disponibilidade de vaga apresentada apenas para 19 de outubro.
  • Pedido da defesa: Garantia de atendimento imediato no SUS ou custeio integral na rede privada.
  • Situação jurídica: Ação em andamento no aguardo de parecer do Núcleo de Apoio Técnico do Judiciário (NatJus).

Reagendamento das consultas

Após o ajuizamento da ação na Justiça, a paciente recebeu novos agendamentos para os atendimentos na instituição. Documentos entregues a Waléria registraram a consulta de seguimento em mastologia para o dia 5 de outubro e a sessão de quimioterapia para o dia 6 de outubro.

“O que era para o dia 19 já adiantaram para agora”, afirma Waléria Martins.

Apesar da antecipação dos exames e consultas, a paciente ressalta a importância de manter a regularidade da assistência médica nas etapas seguintes do tratamento oncológico.

“Eu só quero que a FCecon me atenda, me dê os medicamentos que eu preciso e me ajude a continuar o meu tratamento. Eu só quero tomar o meu medicamento e ser curada”, afirma Waléria.

A Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) foi procurada para prestar esclarecimentos sobre os episódios relatados, mas até o momento a instituição não enviou posicionamento.

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