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“Fora, Moraes” promete incendiar as ruas e elevar a pressão sobre Senado e STF no 7 de Setembro

Manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, em 7 de setembro de 2021 - Foto: Fernando Bizerra/EFE/Arquivo

Manifestações previstas para esta segunda-feira, dia 7 de setembro, devem levar milhares de brasileiros às ruas em diversas cidades do país. O objetivo principal dos atos é pressionar pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), além de apresentar críticas diretas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A mobilização ganhou força após novas revelações envolvendo o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, fato que ampliou os questionamentos sobre a atuação do magistrado.

Na capital paulista, a concentração principal ocorre na Avenida Paulista, a partir das 15 horas, reunindo expressivas lideranças da direita brasileira. Entre os nomes confirmados para o ato estão o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), pré-candidato à Presidência da República, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o pastor Silas Malafaia, responsável pela organização dos trios elétricos. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, o prefeito Ricardo Nunes, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), e diversos parlamentares aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também participam da caminhada.

Atos pela capital

Em Brasília, as mobilizações ocorrem de forma separada do desfile cívico oficial mantido na Esplanada dos Ministérios. A primeira reunião está marcada para as 9 horas em frente ao Banco Central, no Eixão Sul, convocada pelo candidato ao Senado Sebastião Coelho, do partido Novo.

Às 10 horas, outro grupo se reúne no estacionamento da Funarte sob a pauta “Fora, Moraes e Fora, Lula”, com a presença da deputada Bia Kicis (PL).

A programação divulgada pelos organizadores abrange manifestações em diferentes regiões brasileiras.

  • São Paulo (SP), na Avenida Paulista, às 15 horas
  • Brasília (DF), no Banco Central, às 9 horas
  • Brasília (DF), na Funarte, às 10 horas
  • Rio de Janeiro (RJ), em Copacabana, às 10 horas
  • Belo Horizonte (MG), na Praça da Liberdade, às 10 horas
  • Goiânia (GO), na Praça Tamandaré, às 10 horas
  • Curitiba (PR), na Boca Maldita, às 14 horas
  • Florianópolis (SC), no Trapiche da Beira-Mar, às 16 horas
  • Joinville (SC), na Praça da Bandeira, às 16 horas
  • Porto Alegre (RS), no Parcão, às 14 horas
  • Recife (PE), na Padaria Boa Viagem, às 14 horas
  • Vila Velha (ES), no Posto Moby Dick, às 12 horas
  • Fortaleza (CE), na Praça Portugal, às 14 horas
  • Aracaju (SE), nos Arcos da Orla, às 14 horas
  • Salvador (BA), no Farol da Barra, às 8h22
  • João Pessoa (PB), no Busto de Tamandaré, às 14 horas
  • Natal (RN), no Shopping Midway, às 14 horas
  • Maceió (AL), no Corredor Vera Arruda, às 8 horas

As lideranças reforçam que locais e horários foram informados pelos organizadores e podem sofrer alterações conforme o andamento do dia.

O impacto das investigações

O avanço dos protestos coincide com a divulgação de documentos colhidos pela Polícia Federal (PF) no âmbito do “caso Master”. As mensagens recuperadas no aparelho celular de Daniel Vorcaro passaram a integrar o debate político sobre a relação entre o ex-banqueiro e o integrante da Suprema Corte. O material gerou questionamentos da oposição sobre eventual conflito de interesses e uso de influência institucional em favor de interesses privados, embora as suspeitas sigam sob apuração e não constituam prova de crime.

Para os organizadores das caminhadas, as revelações funcionam como combustível para pautar o pedido de afastamento na Casa Legislativa.

“O Senado precisa agir e pautar agora o impeachment de Alexandre de Moraes. Ninguém está acima da Constituição. Ninguém está acima da lei. O Brasil exige respostas”, afirmou o deputado Ubiratan Sanderson (PL-RS).

Pressão no Congresso

A intenção da oposição é usar o volume de pessoas nas ruas de São Paulo para pressionar os senadores, em especial o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, do União Brasil, que resiste em dar andamento aos pedidos de impeachment contra integrantes do Judiciário.

Analistas ressaltam que o tamanho da presença popular serve como indicador de força, mas a conversão em resultado depende de articulação política.

“Colocar milhares de pessoas na rua demonstra força; transformar essa força em articulação dentro do Congresso é que demonstra capacidade política e mobilização real”, explicou o cientista político Murilo Rocha.

Ao avaliar a repercussão das manifestações no ambiente parlamentar, o especialista comparou a presença de público a um indicador de temperatura.

“É como um termômetro: ele não provoca a febre, mas mostra que a temperatura política subiu”, disse Murilo Rocha.

Ele complementa lembrando as etapas formais exigidas pelo sistema republicano.

“Existe uma diferença entre pressionar para que um assunto seja analisado e pressionar por um resultado previamente definido. O impeachment tem um rito institucional e depende de decisão política dentro do Senado. A rua pode empurrar a porta, mas quem decide se ela será aberta continua sendo o Congresso”, afirmou o cientista político Murilo Rocha.

Barreiras para aprovação

O consultor Henrique Curi, da empresa Metapolítica, ressalta que a tramitação do processo impõe entraves técnicos e políticos para qualquer mudança imediata no cenário. Para cassar um ministro do tribunal, o texto precisa do apoio de dois terços dos integrantes do Senado Federal, o que equivale ao voto favorável de 54 dos 81 parlamentares.

Somado ao quórum elevado, o cálculo político do presidente da Casa pesa na condução dos trabalhos. Davi Alcolumbre evita colocar o tema em votação sem a garantia prévia de que haverá votos suficientes para aprovar a cassação, temendo o desgaste de uma eventual rejeição.

O calendário eleitoral e os compromissos do Congresso, que encerrou o último esforço concentrado antes das votações de outubro, reduzem o espaço de manobra rápida. Além disso, a disputa pelo comando da Presidência do Senado em 2027 faz com que articulações sejam cautelosas, tornando improvável qualquer alteração institucional brusca no curto prazo.

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/republica/fora-moraes-leva-manifestantes-as-ruas-para-pressionar-senado-e-stf-no-7-de-setembro/

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