
De acordo com reportagem publicada pelo portal Gazeta do Povo, a Polícia Civil do Amazonas desarticulou um esquema milionário de tráfico internacional na Rota Amazônica. A investigação veiculada pelo site revelou que a facção Comando Vermelho (CV) movimentou cerca de R$ 70 milhões com o auxílio direto de servidores públicos, advogados e empresas de fachada que atuavam livremente desde o ano de 2018. O domínio desta via fluvial e terrestre é estratégico para exportar drogas da Colômbia e do Peru para a Europa, África e Ásia, além de abastecer o vasto mercado nacional.
Apreensão trivial
A publicação da Gazeta do Povo detalha que tudo começou a ruir a partir de uma ação policial no mês de agosto, considerada rotineira sob o sol forte de Manaus. Os agentes interceptaram o transbordo de drogas de duas embarcações para um veículo utilitário terrestre. O saldo da operação inicial incluiu a apreensão de 500 tabletes de maconha gourmet colombiana, sete fuzis de uso restrito e diversos aparelhos celulares. Um suspeito foi preso em flagrante no local, mas o restante do grupo conseguiu fugir, dando início a uma apuração muito mais profunda.
Consórcio criminoso
A partir desse flagrante, o 24º Distrito Integrado de Polícia deflagrou a “Operação Erga Omnes” no mês de fevereiro. A ação cumpriu 23 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão, além de autorizar o bloqueio de contas e o sequestro de bens. A reportagem destaca que os investigadores descobriram uma verdadeira rede de financiamento coletivo do crime, expandindo a apuração para sete unidades da federação. O líder da quadrilha em Manaus recebia depósitos frequentes de traficantes baseados em diversos estados brasileiros.
- Financiamento contava com repasses que variavam entre R$ 100 mil e R$ 700 mil por transação bancária.
- Logística financiada garantia a compra direta na fronteira e o transporte seguro, reduzindo o custo e aumentando o lucro na distribuição para outras quadrilhas ligadas à facção.
Poder público
O ponto mais crítico da operação exposto pela Gazeta do Povo foi a descoberta de uma infiltração profunda nas instituições de Estado. O esquema contava com a facilitação de empresas formalmente registradas nos setores de transporte e locação de veículos. Elas existiam apenas de forma documental para lavar o dinheiro ilícito, que somou cerca de R$ 9 milhões anuais desde 2018. Os relatórios de inteligência financeira comprovaram a incompatibilidade entre a renda declarada e as movimentações.
Os suspeitos ainda tentavam obter informações sigilosas da justiça para antecipar as ações policiais. O levantamento jornalístico aponta que entre os alvos presos estão figuras conhecidas da sociedade manauara.
- Uma policial civil identificada como Anabela Cardoso Freitas e um policial militar.
- Um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas e diversos advogados atuantes.
- Antigos assessores parlamentares e empresários locais.
A matéria relembra que Anabela Cardoso Freitas ocupou o cargo de chefe de gabinete do prefeito de Manaus, David Almeida.
Todos os envolvidos devem responder por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Lucro exorbitante
O interesse de grandes grupos no controle da região é puramente financeiro. Um relatório recente da Agência Brasileira de Inteligência em parceria com a Direção Nacional de Inteligência da Colômbia, citado diretamente pela Gazeta do Povo, detalhou a valorização da droga ao longo do trajeto.
- Um quilo de maconha colombiana custa cerca de US$ 150 na área de produção.
- O valor do mesmo quilo salta para US$ 1.400 ao chegar na capital amazonense.
- Ao atingir o litoral nordestino a mesma mercadoria passa a valer US$ 2.900.
- No mercado final da região sudeste o preço atinge impressionantes US$ 5.600.
Rotas e defesas
Segundo os dados da Polícia Federal divulgados pelo portal de notícias, os entorpecentes entram no Brasil por caminhos bastante consolidados. Uma rota sai da Colômbia, cruza a Venezuela e entra pela fronteira com Roraima. A outra desce em direção ao Peru e à Bolívia, acessando o território nacional pelo Acre e Mato Grosso, formando os principais corredores do narcotráfico do país.
A publicação da Gazeta do Povo também registrou o posicionamento dos citados. A defesa da policial civil Anabela Cardoso Freitas declarou que ela não possui relação com o crime organizado, ressaltando que ela é servidora concursada e de idoneidade reconhecida, pedindo que sua presunção de inocência seja preservada.
A Prefeitura de Manaus informou oficialmente que a estrutura administrativa do município e o prefeito David Almeida não são alvos da investigação. Já o Tribunal de Justiça do Amazonas comunicou que adotou as medidas administrativas cabíveis contra o servidor citado, reforçando que a Corte preza pela transparência e não compactua com condutas incompatíveis. Cabe ressaltar que todos os dados investigativos apresentados são de apuração exclusiva da Gazeta do Povo.










