Segurança Exército apresenta demandas estratégicas às indústrias durante reunião do Condefesa Amazônia

Exército apresenta demandas estratégicas às indústrias durante reunião do Condefesa Amazônia

Representantes da indústria participaram do evento – Foto: Divulgação

O Polo Industrial de Manaus (PIM) deve se consolidar como peça estratégica no fornecimento de tecnologia e estrutura para as Forças Armadas nos próximos anos. Em reunião promovida nesta quarta-feira (17/6) pelo Conselho da Indústria de Defesa da Amazônia (Condefesa Amazônia), o comando militar apresentou uma lista de demandas de alta tecnologia com previsão de investimentos e processos licitatórios programados até o ano de 2030.

O encontro ocorreu na sede da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM) e reuniu lideranças industriais e oficiais da reserva e da ativa. O planejamento foi detalhado pelo diretor de Material de Engenharia, general de Brigada Pablo José Lira de Almeida, representante do órgão que é subordinado ao Departamento de Engenharia e Construção (DEC) do Exército Brasileiro, sediado em Brasília.

A iniciativa busca abrir canais diretos com o setor produtivo local. De acordo com o diretor-executivo do Condefesa Amazônia, general de Divisão Veterano Omar Zemdim, o objetivo é aproximar as Empresas Estratégicas de Defesa (EED) e o setor naval de Manaus das necessidades de logística da corporação. O evento contou ainda com a participação do secretário-executivo do Cluster Naval, o engenheiro Fabio Magnago.

“Estamos criando uma ponte entre a capacidade produtiva da indústria amazonense e as demandas estratégicas do Exército Brasileiro. A Amazônia possui competência técnica e industrial para participar desse processo, gerando desenvolvimento econômico, empregos e fortalecimento da soberania nacional”, destacou Omar Zemdim.

Demandas para o setor naval

O plano de reestruturação foca na modernização da frota fluvial e na segurança das tropas que atuam na faixa de fronteira. O general Pablo José Lira de Almeida detalhou os projetos de engenharia da Classe VI que devem entrar em fase de licitação nos próximos meses.

O cronograma de aquisições navais contempla os seguintes itens:

  • Embarcações de manobra: Unidades destinadas ao suporte logístico e movimentação de cargas pesadas nos rios.
  • Lanchas leves blindadas: Barcos velozes equipados com proteção balística para patrulhamento e interceptação.
  • Embarcações blindadas base pelotão: Estruturas de transporte com capacidade para deslocar tropas inteiras com segurança.
  • Ambulanchas: Unidades fluviais de suporte médico adaptadas para a evacuação rápida de feridos.

O foco da corporação é expandir a atuação na região usando soluções desenvolvidas dentro do próprio país.

“Nosso foco é fortalecer a capacidade logística e de engenharia do Exército Brasileiro, especialmente na Amazônia, por meio da aquisição e do desenvolvimento de materiais que aumentem a mobilidade, a proteção e o poder de combate da tropa. Vemos na indústria nacional, e particularmente na indústria amazonense, um parceiro importante para esses desafios”, afirmou o general Pablo José.

Tecnologia de ponta nacional

O debate promovido na FIEAM também abordou a necessidade de nacionalizar equipamentos que hoje dependem de importação. A pauta incluiu o desenvolvimento de drones equipados com inteligência artificial para realizar a leitura de terrenos e identificar obstáculos em áreas de mata fechada, além de robôs controlados remotamente para a desativação de artefatos explosivos.

A lista de prioridades tecnológicas apresenta os seguintes destaques:

  • Placas reforçadoras de solo: Equipamentos portáteis utilizados para permitir o pouso de aeronaves e a passagem de blindados em terrenos lamacentos.
  • Sistemas de tratamento de água: Estações móveis baseadas em tecnologia de ultrafiltração e osmose reversa para abastecer tropas isoladas.

Os oficiais destacaram que o parque fabril de Manaus reúne as condições técnicas necessárias para absorver essa demanda de alto valor agregado, criando soluções perfeitamente adaptadas ao ambiente de floresta e gerando novos empregos na capital amazonense.

ASCOM

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