
O avanço das organizações criminosas no Norte do país ganha contornos dramáticos quando as próprias forças de segurança se tornam alvos diretos de intimidação. Na última sexta-feira, um episódio emblemático trouxe o debate sobre a segurança pública para o centro da discussão política estadual.
O ex-prefeito de Manaus e pré-candidato ao Governo do Amazonas pelo Avante, David Almeida, publicou um vídeo em suas redes sociais manifestando profunda preocupação após uma sequência de ataques contra policiais militares registrados nos últimos dias.
O estopim para o pronunciamento foi a situação de um integrante da Polícia Militar (PM) que precisou retirar a própria família de sua residência sob escolta policial devido a ameaças iminentes.
Para David Almeida, esse fato simboliza de forma clara o agravamento da crise institucional e gera profundos questionamentos sobre a capacidade prática do Estado de garantir a proteção até mesmo daqueles que são legalmente responsáveis pelo enfrentamento à criminalidade.
“Se um policial militar precisa da escolta da própria polícia para retirar sua família da própria casa, imagine o que vive diariamente um cidadão comum em uma comunidade da periferia de Manaus”, afirmou David Almeida, traçando um paralelo direto entre a vulnerabilidade da força policial e o cotidiano vivido pelos moradores das áreas mais periféricas da capital.
Números da crise
O posicionamento do pré-candidato surge em um período de crescente apreensão popular e não se baseia em fatos isolados, mas sim em dados estruturais consolidados. Estatísticas oficiais demonstram o tamanho do desafio enfrentado pela administração pública local.
Conforme os indicadores divulgados pelo Atlas da Violência, o Amazonas ocupa atualmente a 6ª posição entre os estados mais violentos de todo o Brasil.
Os recortes do estudo detalham ainda mais a gravidade da situação. O estado registra a 2ª maior taxa de homicídios de mulheres do país e a 5ª maior taxa de homicídios de pessoas negras, além de abrigar quatro municípios listados entre os mais violentos de toda a Amazônia Legal.
No panorama geral, o índice total de homicídios do território amazonense supera a média nacional.
Diante desse cenário complexo, a repetição de investidas violentas contra agentes estatais e seus parentes intensifica a percepção generalizada de insegurança. O ex-prefeito argumenta que esses episódios expõem falhas estruturais profundas que demandam respostas imediatas e coordenadas das autoridades competentes.
“O problema não é apenas quantos crimes são registrados. O problema é quando o crime consegue intimidar comunidades, desafiar policiais e impor medo até às famílias daqueles que juraram proteger a população”, ressaltou David Almeida.
Valorização do servidor
Além do combate tático à criminalidade, o debate passa pelas condições de trabalho oferecidas aos profissionais da linha de frente. David Almeida enfatizou a urgência de uma maior valorização das corporações e destacou que os integrantes da PM e da Polícia Civil (PC) convivem há anos com pendências severas em suas reivindicações de carreira. Entre as principais demandas estão as atualizações de datas-base, a concessão regular de promoções e o reajuste de benefícios fundamentais, fatores que impactam diretamente a motivação diária do efetivo.
“Quem está na linha de frente precisa de respeito, estrutura e reconhecimento. Segurança pública começa pela valorização de quem veste a farda”, declarou David Almeida.
A escassez de recursos humanos agrava a conjuntura operacional. Levantamentos oficiais indicam que o Amazonas encerrou o ano de 2024 com um contingente total de policiais militares e civis menor do que em períodos anteriores.
Esse encolhimento da força de trabalho ocorreu em um intervalo de tempo no qual a população do estado continuou crescendo de forma contínua e as facções criminosas expandiram sua influência geográfica e capacidade de atuação tática.
Modelo da capital
Como contraponto ao cenário estadual, o pré-candidato relembrou a metodologia administrativa implementada durante o período em que esteve no comando do Poder Executivo municipal em Manaus. Ele utilizou as transformações promovidas na segurança local para ilustrar como investimentos estruturados podem reverter tendências negativas de criminalidade.
“Quando assumimos a Prefeitura, a Guarda Municipal era uma instituição com atuação limitada. Nós mudamos essa realidade. Armamos a corporação, investimos em treinamento, adquirimos novas viaturas, ampliamos a estrutura operacional, criamos grupamentos especializados e valorizamos os profissionais. Hoje a Guarda Municipal de Manaus é reconhecida nacionalmente e atua de forma integrada na proteção do patrimônio público e no apoio à segurança da população”, detalhou David Almeida.
Para o ex-prefeito, o exemplo municipal evidencia que a combinação entre planejamento estratégico, aporte financeiro correto e valorização profissional gera resultados práticos mensuráveis. Ele defende que os mesmos preceitos podem ser aplicados de forma expandida em todo o território estadual.
“Se foi possível transformar a segurança no âmbito das competências do município, mesmo com um orçamento muito menor que o do Estado, também é possível construir uma política estadual mais eficiente. Segurança pública exige comando, inteligência, integração entre as forças policiais e valorização permanente de quem está na linha de frente”, explicou David Almeida.
Gestão e resultados
Ao projetar suas intenções de levar essa filosofia de gestão para o interior e para a estrutura macro do estado, o pré-candidato reforçou que a superação da crise exige seriedade gerencial e recusa abordagens simplistas para problemas crônicos.
“Não existe solução simples para um problema complexo. Mas existe gestão. Nós mostramos em Manaus que é possível reorganizar instituições, valorizar servidores, investir com responsabilidade e entregar resultados. É esse modelo de gestão que quero colocar a serviço de todo o Amazonas”, afirmou David Almeida.
A análise do panorama atual indica que ações isoladas ou reativas já não surtem o efeito desejado pela população. A busca pelo restabelecimento da ordem e da tranquilidade pública permanece como a prioridade central do eleitorado amazonense para os próximos anos.
“Enquanto um policial precisar retirar sua família de casa sob escolta, a sociedade continuará cobrando respostas. O Amazonas precisa recuperar a autoridade do Estado, devolver tranquilidade às famílias e garantir que quem protege a população também se sinta protegido”, concluiu David Almeida.
Fonte: Emanuelle Baires e Israel Conte










