
Durante décadas, o Amazonas viveu uma contradição histórica ao concentrar uma das maiores reservas de gás natural do Brasil e, ao mesmo tempo, manter o interior dependente de usinas a diesel, um modelo poluente e de alto custo.
A mudança nesse quadro começou a se desenhar com a implantação da política de transição energética no estado, iniciada na gestão do ex-governador e presidente estadual do União Brasil, Wilson Lima, e continuada pelo governador Roberto Cidade, do União Brasil.
Com essa reestruturação, o estado deixa a condição de mero fornecedor de insumos e passa a gerar energia para o Sistema Interligado Nacional (SIN).
O ponto central dessa reorganização é o “Complexo Termelétrico Azulão 950”, localizado no município de Silves e composto pelas usinas Azulão I e II.
O empreendimento atinge a fase final de testes e deve iniciar a transmissão contínua de eletricidade para o país entre o fim de 2026 e o início de 2027, segundo dados da Secretaria de Estado de Energia, Mineração e Gás (Semig).
A estrutura recebeu investimentos de R$ 5,8 bilhões e utiliza o insumo extraído do Campo de Azulão, área que possui reserva confirmada de 42 bilhões de metros cúbicos de gás, com estimativa de alcançar 100 bilhões.
Fim do monopólio
A base regulatória dessa mudança é a “Política Estadual de Transição Energética (PETEN)”, criada com as metas de cortar em 50% o uso de combustível fóssil nos sistemas isolados e erradicar a pobreza energética até o ano de 2030, além de incentivar matrizes de menor emissão de carbono.
O presidente estadual do União Brasil, Wilson Lima, afirma que a revisão do modelo de exploração garantiu a entrada de novos investimentos privados na região.

“Fizeram um acordo para que uma única empresa pudesse explorar o gás na nossa região. E nós, juntamente com a Assembleia Legislativa do Amazonas, de forma corajosa, quebramos o monopólio do gás. É por isso que o Amazonas hoje é autossuficiente na produção de energia elétrica. São bilhões de investimentos que estão vindo para o estado do Amazonas. Silves e Itapiranga são municípios que vivem realidades diferentes do que era no passado e os números mostram”, declarou Wilson Lima.
Confira os dados principais da infraestrutura e dos objetivos da política energética no estado:
- Investimento de R$ 5,8 bilhões na construção do “Complexo Termelétrico Azulão 950” em Silves;
- Capacidade apurada do Campo de Azulão variando de 42 bilhões a 100 bilhões de metros cúbicos de gás;
- Meta da “PETEN” para reduzir 50% do consumo de diesel e acabar com a pobreza energética até 2030;
- Previsão de entrega contínua ao SIN estabelecida entre o final de 2026 e o começo de 2027 pela Semig.
- Envio de gás para a Usina Jaguatirica, em Roraima, estabilizando o fornecimento regional no Norte
- Atração de empresas e oferta de empregos nos municípios de Silves e Itapiranga
Expansão no interior
A movimentação da cadeia de gás natural extrapola as divisas do Amazonas. O combustível vindo do Campo de Azulão abastece a Usina Jaguatirica, em Roraima, atuando no combate às interrupções no fornecimento e reforçando a segurança elétrica na Região Norte.
O governador Roberto Cidade (União) aponta que o modelo atual busca conciliar a exploração de recursos com ganhos econômicos locais.

“A ideia de transição energética fortalece nossa economia, amplia a segurança energética do país e leva investimentos, emprego e renda para o interior. Seguiremos apoiando iniciativas que transformam nossas riquezas naturais em desenvolvimento, sempre com respeito às pessoas e ao meio ambiente”, destacou o governador Roberto Cidade.
Impacto e inclusão
O segundo vice-presidente estadual do União Brasil, engenheiro civil e ex-secretário da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), Marcellus Campêlo, defende que a instalação de grandes estruturas deve vir acompanhada de retorno social direto. Criador do programa “Amazonas Ecológico” em sua passagem pelo governo, ele argumenta que o avanço industrial precisa incluir a população do interior.

“Os grandes projetos de infraestrutura precisam gerar benefícios permanentes para quem vive nos municípios. A transição energética representa mais do que produzir energia limpa. Significa criar oportunidades, fortalecer a economia local, ampliar a qualificação da mão de obra e promover inclusão social. É esse equilíbrio entre desenvolvimento, responsabilidade ambiental e melhoria da qualidade de vida que consolida o Amazonas como referência para o Brasil”, afirmou Marcellus Campêlo.
Com o fortalecimento do setor de gás, cidades como Silves e Itapiranga passam a movimentar a economia local e gerar postos de trabalho. A substituição gradativa do diesel por fontes menos poluentes insere o Amazonas no centro das discussões sobre matrizes energéticas no país, transformando reservas do subsolo em motor de crescimento regional.
Fonte: ASCOM | Priscila Caldas









