Opinião Rodovias abandonadas: O Amazonas pede socorro

Rodovias abandonadas: O Amazonas pede socorro

AM-352 (Novo Airão)

Por Afonso Lins (*)

Trafegar nas rodovias do Amazonas é um desafio constante, sobretudo no inverno amazônico, período de elevado índice pluviométrico na região. Buracos, lamas, atoleiros, ausência de acostamentos e de sinalização dão o tom sombrio que expõe a vida de muitos a riscos extremos, ao sofrimento de trafegar por vias em péssimas condições de trafegabilidade, além de comprometer o escoamento da produção decorrente da agricultura familiar e do acesso à saúde e à educação.

Desde a extinção do Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas, o DER-AM, em 1995, o Amazonas só regrediu na pauta da infraestrutura rodoviária.

Os números dessa falta de planejamento e de compromisso com a agenda rodoviária revelam um lado obscuro da Secretaria de Infraestrutura do Amazonas (Seinfra-AM), o da falta de ações voltadas para a manutenção e conservação das nossas rodovias.

A falência do atual modelo de gestão rodoviária pode ser constatada diante dos exemplos de destruição de rodovias como a AM-364 (Ramal de Manicoré), AM-454 (Anori-Codajás), AM-352 (Novo Airão), AM-254 (Autazes), AM-329 (Envira), AM-363 (Rodovia da Várzea), e da própria AM-010 (Manaus-Itacoatiara), cujo término das obras estava previsto para 2023, e até o presente não foi finalizado.

Nesse sentido, iniciei, na condição de presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Civis, Departamento do Amazonas, uma jornada de diálogos e troca de informações e experiências técnicas com diretores e presidentes de outros Departamentos de Estradas de Rodagem, a exemplo do DER-DF, e também com a Associação Brasileira de Departamentos de Estradas de Rodagem, a ABDER.

Juntamente com outros colegas engenheiros, vamos iniciar, também aqui no Amazonas, uma série de diálogos com a classe política, empresarial, setor primário a fim de elaborar um relatório diagnóstico e propositivo para resgatar a técnica, trazer de volta a engenharia e afastar o amadorismo evidenciado por meio do cenário caótico do nosso modal rodoviário.

A ABENC-AM segue firme na defesa de melhorias para a agenda da infraestrutura rodoviária.

(*) é Engenheiro civil e presidente da ABENC-AM

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