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Espetáculo “A Voz de Maria Amazonina” volta a Manaus após destaque em Sorocaba

Foto: Divulgação/ ASCOM

Após percorrer palcos no Amazonas e integrar a programação da “Trienal de Artes do Sesc Sorocaba Frestas” no estado de São Paulo, a montagem “A Voz de Maria Amazonina – Palhaçaria de Terreiro” retorna à capital amazonense para realizar as últimas apresentações da temporada. A obra foi contemplada pelo Edital PNAB número 08/2025, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB).

As sessões finais ocorrem em dois locais da cidade. A programação tem os seguintes horários e endereços confirmados:

  • Quinta-feira, 17 de setembro, às 20h, na Quadra do Reino Unido, em parceria com o Instituto Reino do Amanhã.
  • Terça-feira, 22 de setembro, às 9h, no Parque Municipal do Idoso.

Origem da montagem

A obra nasceu das lembranças da palhaça Carmella Caramela, interpretada pela atriz Maria Fernanda Carmim, com a avó Amazonina Carmin Lima, falecida em 2022 após viver com a doença de Alzheimer. O texto transforma recordações da infância, espiritualidade e saudades em cena. A narrativa utiliza a linguagem da palhaçaria de terreiro, vertente que conecta a arte do palhaço às vivências culturais e espirituais dos integrantes da Coletiva de Palhaças.

Circulação paulista

Em agosto de 2026, o espetáculo esteve em Sorocaba para participar do projeto “Frestas – Do caminho um rezo”, realizado no Serviço Social do Comércio (Sesc). A agenda incluiu uma mesa sobre acessibilidade e criação artística na Amazônia, conduzida pela diretora Ananda Guimarães e por Maria Fernanda Carmim, com mediação de Gislana Vale, curadora do ciclo de acessibilidade do evento e referência na cultura para pessoas com deficiência.

A passagem por São Paulo incluiu ainda uma sessão na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Sorocaba e uma apresentação da versão completa da obra no teatro do Sesc Sorocaba.

Visões da criação

A diretora Ananda Guimarães ressalta a importância de descentralizar o debate sobre a produção artística nortista.

“É muito importante mostrar que, para além das discussões, a gente tem a prática, a criação, e que a gente traz nossos territórios e nossas cosmologias, que reverberam dramaturgicamente. Estar no Sesc Sorocaba, no Sudeste, também rompe com essa ideia de que as nossas discussões sobre diversidade e acessibilidade estão distantes das discussões nacionais. O Amazonas também faz parte do Brasil”, afirma a diretora.

Ananda Guimarães também aborda o ambiente coletivo e o ritmo de elaboração do projeto.

“Eu me sinto feliz porque eu estou em casa, literalmente. É minha família. Eu sinto que tem uma maturidade de escuta muito importante e essa compreensão de obras que são continuadas. A gente não tem muita pressa em chegar a algum lugar, porque sabe que está descobrindo ao mesmo tempo, em uma lógica processual”, relata a diretora.

A curadora Gislana Vale destaca os elementos que diferenciam a proposta cômica da equipe.

“Eu sugeri trazer o trabalho de vocês porque, para mim, ele tem uma coisa que acho fundamental: juntar a cultura de vocês com a palhaçaria. As pessoas não esperam que a palhaçaria ela tenha essa externalidade da cultura. E vocês trazem uma palhaçaria que se constrói nas relações culturais e no coletivo, porque vocês são um coletivo”, avalia Gislana Vale.

Trajetória do projeto

O processo criativo começou em 2024 na Universidade Estadual do Amazonas (UEA). A primeira montagem oficial ocorreu em 2026 após aprovação no edital de Circo da “PNAB 2024”. As apresentações já passaram pela Fundação Dr. Thomas, escolas públicas, centros de criação e instituições de atendimento a idosos. O ciclo atual teve início na Associação de Idosos do Coroado em 19 de agosto.

Rituais em cena

No palco, a atriz Carmella Caramela atua acompanhada pelo palhaço e intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras) Milibras (Ainã Palheta), pela palhaça e musicista Carron (Luana Aranha) e pela palhaça descritora Iris Oliveira. A dramaturgia cruza elementos da umbanda, da cultura popular e do catolicismo.

“A Voz de Maria Amazonina é antes de tudo uma grande gira em homenagem aos nossos mais velhos, no espetáculo nós convocamos as senhoras e senhores que nos cuidam desde a infância e aproximamos essas pessoas das nossas entidades de umbanda. Desta forma terreirizamos o espaço e trazemos por meio da palhaçaria e um cruzamento com o catolicismo, um público já acostumado às mirongas (magias) de vó, sejam elas garrafadas, banho de folha ou rezas”, pontua Maria Fernanda Carmim.

Informações da temporada

As duas últimas sessões em Manaus contam com os seguintes dados de serviço:

  • Data e horário: 17 de setembro de 2026, às 20h, na Quadra do Reino Unido (parceria com o Instituto Reino do Amanhã), em Manaus.
  • Data e horário: 22 de setembro de 2026, às 9h, no Parque Municipal do Idoso, em Manaus.

Ficha técnica completa

A equipe profissional responsável pela montagem reúne os seguintes nomes:

  • Direção: Ananda Guimarães
  • Dramaturgia: Emily Danali
  • Palhaça atriz: Maria Fernanda Carmim
  • Palhaça musicista: Luana Aranha
  • Intérprete de Libras: Ainã Palheta
  • Iluminação: Emily Danali e Nicka
  • Produção: Amanda Guimarães, Iris Oliveira, Laysa Souza e Samyla Rodrigues
  • Bonequeira e desenhos digitais: Nabi de Castro
  • Moringa: Laysa Souza e Samyla Rodrigues
  • Biombos: Juca di Souza
  • Social media: Stephanie Lauriano
  • Figurino: Felipe de Queiroz
  • Costura: Danuza Evangelista
  • Fotografias: Leandra Christine

ASCOM: Maria Fernanda Carmim

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