
A paisagem urbana de Parintins, cidade localizada a 369 quilômetros de Manaus, passa por uma transformação profunda com as intervenções do Programa de Saneamento Integrado (Prosai). No entanto, além das máquinas e do concreto, um elemento humano tem chamado a atenção, a presença marcante de mulheres em funções estratégicas.
O maior investimento em infraestrutura no interior do Amazonas não está apenas saneando canais ou erguendo moradias, mas também consolidando a quebra de barreiras de gênero em um setor historicamente masculino.
O projeto é executado pela Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb). Mais do que uma obra de engenharia, o Prosai Parintins é um laboratório de políticas públicas que unem urbanização, habitação e assistência social.
Nesse cenário, as profissionais parintinenses ocupam espaços que vão desde a técnica administrativa até o acompanhamento ambiental e social, provando que a eficiência técnica independe de gênero.
O olhar técnico e humanizado na engenharia
O secretário da Sedurb e UGPE, Marcellus Campêlo, destaca que a equipe feminina tem sido essencial para a inovação do programa. O diferencial está na capacidade de aliar o rigor da execução das obras com uma sensibilidade necessária para lidar com as comunidades afetadas.
Alguns pontos fundamentais da atuação dessas profissionais incluem:
- Mediação de conflitos e atendimento social direto com as famílias beneficiadas
- Gestão de processos administrativos e logística de canteiro de obras
- Monitoramento de impactos ambientais e busca por soluções sustentáveis
- Planejamento de novos espaços públicos como parques, praças e o novo mercado municipal
- Garantia de que a infraestrutura atenda às necessidades reais de mobilidade e convivência
Para a assistente social Fabíola Emily Portilho Mafra, integrante da equipe, participar desse processo é motivo de orgulho local.
“Estar aqui hoje é saber que futuramente muitas pessoas serão beneficiadas por um trabalho que também foi feito por mulheres”, afirma a profissional, reforçando que a ocupação desses espaços é um avanço irreversível na construção civil do estado.
Foco nas chefes de família e vulnerabilidade
A participação feminina no Prosai não se limita ao quadro de funcionários. O programa possui um olhar atento para as beneficiárias, especialmente aquelas que exercem o papel de chefes de família. A gerente social de reassentamento, Socorro Alves, explica que o atendimento é desenhado para proteger as mulheres em situações de vulnerabilidade.
Em muitos casos, o processo de reassentamento e a titularidade dos novos imóveis são priorizados em nome da mulher, garantindo segurança habitacional para os filhos e estabilidade familiar.

“O atendimento social permite ouvir essas mulheres e encaminhar as situações mais vulneráveis”, destaca Socorro.
Essa estratégia reconhece a realidade social da região, onde a mulher frequentemente assume a responsabilidade total pelo núcleo familiar.
Conquista de espaço e futuro
A coordenadora de projetos sociais, Gislane Pauxis Ribeiro, reforça que o cenário atual em Parintins é um reflexo de uma mudança maior na sociedade. A presença de mulheres em obras de grande porte deixa de ser uma exceção para se tornar uma regra de eficiência.
O Prosai Parintins acaba funcionando como uma vitrine de oportunidades, onde a qualificação profissional feminina ganha visibilidade e gera novas perspectivas de carreira para as jovens da ilha tupinambarana.
O desafio agora é garantir que esse legado de inclusão permaneça após a conclusão das obras. A infraestrutura física de saneamento e urbanismo transformará a saúde pública, mas a transformação social promovida pela valorização da mulher no mercado de trabalho de Parintins poderá ser o impacto mais duradouro desse investimento.










