Economia PEC 231/2019 pode injetar até R$ 450 milhões por ano nos municípios...

PEC 231/2019 pode injetar até R$ 450 milhões por ano nos municípios do Amazonas

Do Alto Solimões ao sul do Estado, veja quanto dinheiro extra poderá entrar nos cofres de cada prefeitura do Amazonas

Foto: Divulgação | site/criatives.com.br

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 231/2019, em tramitação na Câmara dos Deputados, pode resultar em um grande reforço no caixa das prefeituras amazonenses. A proposta aumenta de 49% para 51% a parcela da arrecadação de impostos federais, principalmente Imposto de Renda (IR) e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que a União é obrigada a repartir com estados e municípios.

Na prática, a medida amplia os recursos destinados ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM), principal fonte de receita para a maioria das cidades do interior do Amazonas.

Caso aprovada nos moldes discutidos atualmente, a PEC poderá gerar cerca de R$ 10 bilhões adicionais por ano para os municípios brasileiros.

Pelas regras atuais de distribuição do FPM, especialistas estimam que o Amazonas poderia receber entre R$ 400 milhões e R$ 450 milhões extras por ano, valor que seria repartido entre os 62 municípios do Estado.

Interior beneficiado

Diferentemente de Manaus, que possui arrecadação própria relativamente robusta por meio do Imposto sobre Serviços (ISS), Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e da atividade econômica ligada à Zona Franca, a maior parte das cidades amazonenses depende fortemente dos repasses federais.

Em muitos municípios, o FPM representa mais da metade das receitas disponíveis para custear serviços essenciais. Isso significa que recursos adicionais poderiam ser aplicados em áreas como manutenção das unidades básicas de saúde, compra de medicamentos, transporte escolar, merenda escolar, recuperação de ruas e vicinais, abastecimento de água, limpeza urbana, pagamento de fornecedores e investimentos em infraestrutura.

A proposta segue sendo debatida em comissão especial da Câmara dos Deputados. O parecer do relator foi apresentado, mas a votação foi adiada após pedido de vista parlamentar.

Repasse estimado

  1. Manaus: R$ 19,0 milhões
  2. Itacoatiara: R$ 15,2 milhões
  3. Manacapuru: R$ 15,2 milhões
  4. Parintins: R$ 14,3 milhões
  5. Tefé: R$ 12,4 milhões
  6. Coari: R$ 12,4 milhões
  7. Tabatinga: R$ 12,4 milhões
  8. Iranduba: R$ 11,4 milhões
  9. Maués: R$ 11,4 milhões
  10. Humaitá: R$ 11,4 milhões
  11. São Gabriel da Cachoeira: R$ 10,5 milhões
  12. Manicoré: R$ 10,5 milhões
  13. Lábrea: R$ 9,5 milhões
  14. Autazes: R$ 9,5 milhões
  15. Benjamin Constant: R$ 8,6 milhões
  16. Boca do Acre: R$ 8,6 milhões
  17. Eirunepé: R$ 7,6 milhões
  18. Careiro: R$ 7,6 milhões
  19. Presidente Figueiredo: R$ 7,6 milhões
  20. Carauari: R$ 7,6 milhões
  21. Jutaí: R$ 6,7 milhões
  22. Ipixuna: R$ 6,7 milhões
  23. Fonte Boa: R$ 6,7 milhões
  24. Barcelos: R$ 5,7 milhões
  25. Envira: R$ 5,7 milhões
  26. Pauini: R$ 5,7 milhões
  27. Tapauá: R$ 5,7 milhões
  28. Alvarães: R$ 4,8 milhões
  29. Atalaia do Norte: R$ 4,8 milhões
  30. Guajará: R$ 4,8 milhões
  31. Silves: R$ 3,8 milhões
  32. Itamarati: R$ 3,8 milhões
  33. Juruá: R$ 3,8 milhões
  34. Anamã: R$ 2,9 milhões
  35. Japurá: R$ 2,9 milhões
  36. Amaturá: R$ 2,9 milhões
  37. Anori: R$ 2,9 milhões
  38. Apuí: R$ 2,9 milhões
  39. Barreirinha: R$ 2,9 milhões
  40. Beruri: R$ 2,9 milhões
  41. Boa Vista do Ramos: R$ 2,9 milhões
  42. Borba: R$ 2,9 milhões
  43. Caapiranga: R$ 2,9 milhões
  44. Canutama: R$ 2,9 milhões
  45. Codajás: R$ 2,9 milhões
  46. Itapiranga: R$ 2,9 milhões
  47. Maraã: R$ 2,9 milhões
  48. Nhamundá: R$ 2,9 milhões
  49. Nova Olinda do Norte: R$ 2,9 milhões
  50. Novo Airão: R$ 2,9 milhões
  51. Novo Aripuanã: R$ 2,9 milhões
  52. Rio Preto da Eva: R$ 2,9 milhões
  53. São Sebastião do Uatumã: R$ 2,9 milhões
  54. Santa Isabel do Rio Negro: R$ 2,9 milhões
  55. Santo Antônio do Içá: R$ 2,9 milhões
  56. São Paulo de Olivença: R$ 2,9 milhões
  57. Tonantins: R$ 2,9 milhões
  58. Uarini: R$ 2,9 milhões
  59. Urucará: R$ 2,9 milhões
  60. Urucurituba: R$ 2,9 milhões
  61. Careiro da Várzea: R$ 2,9 milhões
  62. Manaquiri: R$ 2,9 milhões

Debates travados

Os apoiadores da PEC argumentam que os municípios assumiram, ao longo dos anos, responsabilidades crescentes em saúde, educação e assistência social, sem que os repasses acompanhassem o aumento das despesas.

Já os críticos alertam que o aumento da participação municipal reduzirá a disponibilidade de recursos da União, pressionando o orçamento federal e exigindo ajustes em outras áreas.

Se aprovada pelo Congresso Nacional, a PEC 231/2019 poderá significar um dos maiores reforços financeiros das últimas décadas para as prefeituras do Amazonas.

Para cidades isoladas geograficamente e que enfrentam elevados custos logísticos, até mesmo alguns milhões de reais adicionais por ano podem ser a diferença entre manter serviços básicos funcionando ou ampliar investimentos capazes de melhorar a qualidade de vida da população.

Os valores apresentados nesta reportagem são projeções elaboradas com base na estimativa nacional de incremento de R$ 10 bilhões ao FPM e nos critérios atuais de distribuição do fundo. Os montantes efetivos dependerão do texto final aprovado pelo Congresso, da arrecadação federal e dos coeficientes oficiais do FPM vigentes à época da implementação da PEC.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.