
O desempenho econômico do Amazonas começou o ano com números positivos na contabilidade geral, mas o detalhamento dos setores mostra que o ritmo de recuperação ainda enfrenta forte instabilidade.
Um levantamento técnico apontou que o Produto Interno Bruto (PIB) do estado, referente ao primeiro trimestre de 2026, atingiu o montante de R$ 47,5 bilhões.
O resultado representa um avanço nominal de 7,13% na comparação com o mesmo período do ano anterior, mas quando a inflação oficial é descontada, o ganho real cai para 2,87%.
Contradição industrial
O setor industrial continua sendo o principal motor da arrecadação estadual, somando R$ 16,1 bilhões no trimestre. No entanto, os indicadores econômicos revelam uma realidade de altos e baixos que preocupa empresários e trabalhadores do Polo Industrial de Manaus (PIM).
Os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) detalham essa gangorra na produção:
- Aceleração recente é confirmada pelo crescimento de 4,68% na indústria geral ao comparar o primeiro trimestre deste ano com os últimos meses do ano passado
- Recuo anual se arrasta no confronto direto com o início de 2025, registrando uma queda de 3,17% no volume produzido pelas fábricas
- Polo de duas rodas lidera a reação positiva com a fabricação de motocicletas avançando 11,69% no ano e expressivos 15,39% em relação ao trimestre anterior
A força do segmento de motocicletas acabou alterando a balança interna de poder econômico dentro da Zona Franca de Manaus, mostrando uma mudança no comportamento do mercado nacional de consumo.
“O setor de Duas Rodas, em especial a fabricação de motocicletas, tem experimentado importante crescimento no Polo Industrial de Manaus e, inclusive, superou o setor Eletroeletrônico em faturamento”, explicou o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (SEDECTI), Gustavo Igrejas.
Concentrados em alta
Além das motocicletas, os segmentos de produtos químicos e de bebidas conseguiram sustentar índices favoráveis de produção na região metropolitana. A fabricação de componentes químicos registrou uma evolução de 7,06% no balanço anual e saltou 12,57% na comparação com o fechamento do ano anterior. No setor de bebidas, as taxas de incremento ficaram em 2,31% e 3,88% nos mesmos períodos comparativos.
O comando da secretaria estadual avalia que o bom momento dessas duas áreas específicas se deve ao desempenho das linhas de xaropes para refrigerantes.
“Bebidas e produtos químicos têm sido influenciados especialmente pela produção de concentrados”, afirmou Gustavo Igrejas ao analisar os fatores que impulsionaram a arrecadação.
Comércio e campo
O setor de serviços, que engloba o comércio e os atendimentos de logística, registrou a maior cifra absoluta do período ao movimentar R$ 22 bilhões.
O montante equivale a uma expansão nominal de 7,09% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.
A receita nominal do segmento também se manteve em terreno positivo, com uma leve variação de 0,69% de acordo com os dados oficiais do governo federal.
Na zona rural, as atividades agropecuárias alcançaram a marca de R$ 2,06 bilhões, assegurando um crescimento nominal de 5,07%.
As culturas voltadas para a exportação e o abastecimento de feiras locais ditaram o ritmo de ganhos no campo.
A produção de cacau deu um salto importante de 13,81%, seguida de perto pelo cultivo de café canephora com 9,60% de aumento e pela colheita de tomate com uma evolução de 2,61%.
Análise estrutural
A pesquisa completa sobre a atividade econômica foi desenvolvida pelo Departamento de Estatística e Geoprocessamento (DEGEO) da Secretaria Executiva de Planejamento (SEPLAN), órgão vinculado à estrutura da Sedecti. O relatório integral do “Produto Interno Bruto do Amazonas do 1º trimestre de 2026” está disponível para consulta pública na aba “Portal do Planejamento” do site institucional da secretaria.
Embora os dados macroeconômicos do primeiro trimestre tragam fôlego para as contas públicas, a fragilidade da indústria de transformação acende um alerta sobre a sustentabilidade desse crescimento a longo prazo.
A dependência excessiva de setores específicos, como o de duas rodas e o de concentrados, deixa a economia amazonense exposta às oscilações do mercado consumidor do restante do país.
Para consolidar uma reação firme, o estado precisa ir além dos incentivos fiscais tradicionais e resolver gargalos históricos de logística e conectividade que travam a competitividade regional.










