Trocando em Miúdos PL faz apoteose na Ponta Negra e impulsiona Maria do Carmo

PL faz apoteose na Ponta Negra e impulsiona Maria do Carmo

O PL transformou a orla da Ponta Negra, em Manaus, em uma grande vitrine de mobilização política na noite de segunda-feira (19).

O ato “Bloco do 22”, com Flávio Bolsonaro, Maria do Carmo, Nikolas Ferreira e outras lideranças nacionais e regionais da direita, reuniu apoiadores vestidos de verde e amarelo, discursos contundentes contra a esquerda e demonstrações de entusiasmo às vésperas do segundo turno.

Segundo a estimativa divulgada pela campanha de Maria do Carmo, o público teria chegado a cerca de 150 mil pessoas, número expressivo, mas atribuído à organização do evento, sem confirmação independente.

A mobilização e os congestionamentos registrados nos acessos à Ponta Negra deram dimensão ao ato. O PL quer transformar a presença de suas lideranças nacionais em impulso para a candidatura de Maria ao Governo do Amazonas.

Amazônia contra a burocracia

A promessa de Flávio Bolsonaro de eliminar entraves ambientais considerados ideológicos coloca em pauta uma discussão que interessa diretamente ao futuro do Amazonas: até que ponto a burocracia dificulta a produção, a regularização fundiária e a geração de empregos na região?

O candidato do PL defendeu, em Marabá, no Pará, maior liberdade para o proprietário rural e anunciou a intenção de promover uma ampla regularização de terras.

É uma bandeira que dialoga com produtores e moradores que esperam há anos por segurança jurídica e melhores oportunidades econômicas.

Provocação virou broche 55

Na política amazonense, até capivara pode dar a volta por cima.

O que nasceu como provocação do sargento Salazar, aliado de Maria do Carmo contra Omar Aziz, acabou ganhando um desfecho daqueles que os marqueteiros adoram: virou mascote de campanha, atração de comício e até broche vendido a R$ 5.

A turma de Omar entrou na brincadeira, vestiu a personagem com as cores do 55 e transformou o que seria motivo de constrangimento em peça de divulgação eleitoral.

Trocando em miúdos, o adversário oferece a piada, o candidato aproveita a publicidade e alguém ainda fatura cinco reais por broche.

Na guerra eleitoral, às vezes o tiro sai pela culatra, e a capivara sai sorrindo na fotografia.

Tapauá e a fraude na cota de gênero

A Justiça Eleitoral voltou a deixar claro que a cota de gênero não pode ser tratada como mera formalidade burocrática.

Em Tapauá, o TRE-AM rejeitou, por unanimidade, os embargos de declaração e manteve a decisão que reconheceu fraude na formação da chapa proporcional do União Brasil nas eleições municipais de 2024.

O resultado confirma a cassação do DRAP, a anulação dos votos da legenda e a perda dos diplomas dos candidatos eleitos e suplentes, com recálculo dos quocientes eleitoral e partidário.

Segundo o processo, as candidaturas de Vera Lúcia Oliveira de Souza e Aldariza Reinaldo de Almeida apresentaram indícios convergentes de irregularidade, incluindo prestações de contas idênticas e inconsistências na utilização dos recursos de campanha. As duas tiveram mantida a inelegibilidade por oito anos.

Os que escaparam

Ao contrário de Vera e Aldariza, os vereadores Luiz Avelino de Abreu, Izaque Martins Ferreira e Rainilson de Souza Pinheiro não foram declarados inelegíveis, pois o TRE não identificou participação ou anuência consciente deles na fraude.

A decisão estabelece uma distinção essencial: a irregularidade pode comprometer toda a chapa, mas a punição pessoal exige critérios próprios. Cota de gênero é instrumento de participação feminina, não licença para candidaturas fictícias.

Quebra de sigilo é coisa séria

Debate Band, Flávio Bolsonaro e Lula – Foto: Divulgação/ Redes Sociais

A iniciativa do presidente Lula (PT) de anunciar a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, incluindo os de seus cinco filhos, entre eles Lulinha, tem forte apelo eleitoral e levanta uma questão pertinente: transparência é um compromisso com a verdade ou um instrumento de campanha?

Em plena disputa presidencial, o gesto também funciona como pressão sobre Flávio Bolsonaro (PL), desafiado a fazer o mesmo.

O problema é transformar uma questão séria em duelo político. Abrir sigilos não é atestado automático de honestidade, assim como recusá-lo não constitui prova de culpa.

Afinal, o eleitor merece respostas, não apenas gestos de efeito.

Desafio não substitui prova

Ao desafiar Flávio Bolsonaro a abrir seus sigilos, Lula aposta numa estratégia de comunicação que pode render dividendos eleitorais.

Mas a questão precisa ser examinada sem paixões partidárias: se há dúvidas sobre o patrimônio de qualquer candidato, elas devem ser esclarecidas com documentação e transparência, dentro dos limites da lei.

O mesmo rigor vale para todos, inclusive para o presidente e seus familiares. Autorizar o acesso a informações financeiras não significa, por si só, comprovar inocência ou culpa.

Em uma democracia, a honestidade não se mede pela disposição de entrar em um duelo de campanha, mas pela consistência dos fatos e pelo respeito às instituições. O Brasil precisa de esclarecimentos objetivos, não de uma competição de bravatas.

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