Estagiário de Lara O triunfo da arrogância e o abismo entre o STF e o...

O triunfo da arrogância e o abismo entre o STF e o Brasil real

Por Estagiário De Lara

A política brasileira há muito deixou de ser um debate de ideias para se transformar em um mero exercício de autoproteção do estamento burocrático. O recente movimento protagonizado por Gilmar Mendes contra o senador Alessandro Vieira e o pré-candidato a presidente Romeu Zema ilustra perfeitamente essa dinâmica.

Como bem expôs a jornalista Malu Gaspar em sua coluna no jornal O Globo, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram dobrar a aposta. Ao invés de responderem aos questionamentos sobre as nebulosas relações com o Banco Master, preferem usar o peso da máquina estatal para calar quem ousa perguntar.

É a clássica tática de quem se julga dono do tabuleiro. Mendes pede à Procuradoria-Geral da República (PGR) sob o comando de Paulo Gonet que investigue Vieira por abuso de autoridade. Alexandre de Moraes é acionado para incluir Zema no inquérito das fake news.

A mensagem enviada a Brasília é clara e não deixa espaço para dissidência. O problema é que essa demonstração de força bruta acirra a má vontade do eleitorado com a Corte. Os próprios aliados alertam para o tiro no pé.

Afinal, dar palco e transformar críticos em vítimas é a receita mais rápida para turbinar o capital eleitoral de ambos nas vésperas das eleições de 2026, ano em que dois terços do Senado serão renovados.

Cegueira institucional

Apesar dos alertas evidentes, figuras como Flávio Dino e Dias Toffoli ignoram os sinais vitais da sociedade. Dino chega ao requinte de publicar artigos tentando reescrever a crise de imagem do tribunal.

Em texto recente no site ICL, ele atribui a desconfiança popular a decisões sobre armamentismo, pandemia, emendas parlamentares e defesa da democracia contra o oito de janeiro, varrendo convenientemente o escândalo do Banco Master para debaixo do tapete.

Ele ainda aproveita para criticar de forma velada o ‘Código de Ética’ proposto pelo presidente da Corte, Edson Fachin. É a velha artimanha de mudar de assunto quando a realidade bate à porta.

“Eles estão em negação”, alerta um interlocutor preocupado com a postura dos magistrados.

A casta prefere tratar a desconfiança popular como uma mera fotografia do momento. A pesquisa ‘Genial Quaest’ revelou o tamanho desse abismo ao apontar que 53% da população brasileira desconfia do Supremo neste ano.

No Sudeste, coração econômico e eleitoral do país que abrange São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, a rejeição bate na casa dos 59%. Um cenário radicalmente oposto ao início da série histórica em novembro de 2022, quando 56% confiavam na instituição e apenas quarenta por cento desconfiavam.

O falso escudo

A cúpula acredita piamente que domina o jogo interno de Brasília porque opera por meio de listas de inquéritos nos gabinetes. Se Zema e Vieira não têm processos em curso, a solução da burocracia é fabricar um problema.

“Como esses dois não têm processos, não há como desengavetar algo. Então eles estão tentando dar um jeito de criar uma situação”, confidencia um aliado próximo ao grupo.

Para outro interlocutor, a ousadia suicida já era esperada.

“Gilmar e Moraes são ministros do embate e do confronto. Vão sempre dobrar a aposta”, afirma a fonte.

A tranquilidade aparente dos ministros repousa sobre uma engenharia jurídica feita sob medida para a impunidade. Somente os desdobramentos do caso Master geraram 11 pedidos de cassação, liderados por Moraes e Toffoli.

Ao todo, são 96 pedidos sumariamente engavetados pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O escudo final foi forjado pelo próprio Gilmar Mendes por meio de uma liminar de dezembro que exige o quórum mínimo de 54 votos para abrir um processo de impeachment contra integrantes da Corte, substituindo a antiga regra de 41 votos.

Eles calculam friamente que a onda opositora jamais alcançará esse número mágico, mesmo com diversos candidatos levantando essa bandeira nas ruas.

No entanto, a história ensina que engenharias de gabinete não resistem à pressão da realidade por muito tempo. A cruzada da nomenclatura suprema não é um ato de justiça, mas uma demonstração de pânico de um grupo que percebeu que o controle absoluto é apenas uma ilusão. O Brasil real já julgou o tribunal.

Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/04/master-aliados-veem-grupo-de-gilmar-e-moraes-em-negacao-na-crise-do-stf.ghtml

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