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Santa Catarina desafia a cultura da dependência e registra a menor presença do Bolsa Família no Brasil

A realidade impõe seus termos com uma clareza que ofusca as teses de gabinete e apavora os arquitetos do planejamento central. Quando a engrenagem do esforço individual substitui a tutela asfixiante do Estado, a pobreza recua de forma inevitável.

Os dados divulgados pelo IBGE escancaram essa verdade incômoda para os teóricos da dependência crônica. O território catarinense exibe a menor participação no programa “Bolsa Família” de todo o país.

O estado reduziu a proporção de domicílios dependentes de 4,3% em 2024 para ínfimos 3,9% em 2025. O contraste moral e econômico é brutal quando observamos a média nacional estacionada em 17,2%.

Abismo da dependência

Os números gritam entre as unidades da federação e expõem a diferença profunda entre a cultura da produção e a ilusão do assistencialismo perpétuo.

  • São Paulo: 7,6% dos domicílios.
  • Rio Grande do Sul: 7,7% dos domicílios.
  • Paraná: 8% dos domicílios.
  • Mato Grosso do Sul: 9,5% dos domicílios.
  • Distrito Federal: 10,5% dos domicílios.

A autonomia do povo sulista se repete na análise geral de auxílios. Apenas 6,9% das famílias catarinenses precisaram de concessões institucionais como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) em 2025, um número muito distante dos lamentáveis 22,7% registrados no Brasil. Entre os vizinhos da região, o cenário marca 11,5% no território gaúcho e 12,8% em solo paranaense.

A força produtiva

A explicação para essa verdadeira alforria social não reside em discursos demagógicos. A raiz desse resgate financeiro é a ocupação vigorosa do mercado de trabalho.

Os registros oficiais do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) provam que o estado gerou cerca de 59 mil postos com carteira assinada em 2025.

O reflexo dessa máquina de oportunidades reais surgiu no primeiro trimestre de 2026 com uma taxa de desocupação de apenas 2,7%, esmagando o índice nacional de 6,1%.

As plataformas públicas de intermediação transbordam de vagas abertas nos mais variados setores.

“A melhor política social é a geração de emprego. É por isso que o governo investe em um ambiente de negócios favorável, para que o catarinense crie sua empresa ou trabalhe com carteira assinada, levando renda e dignidade para sua família”, afirmou o governador Jorginho Mello.

Dinheiro no bolso

O prêmio natural pela valorização do mérito e do esforço é a ascensão financeira das famílias que trabalham de verdade. Entre 2024 e 2025 o rendimento médio mensal do trabalho saltou de R$ 3.587 para R$ 3.900, configurando uma alta expressiva de 8,7%.

Hoje a população do estado assegura a quarta maior renda média do Brasil, atrás apenas do Distrito Federal, de São Paulo e do Rio de Janeiro.

A Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços atrela esse avanço à desburocratização e à qualificação técnica. Programas como o “Universidade Gratuita” atuam na estratégia de preparar o cidadão para sobreviver e prosperar no mercado formal.

“Quando o trabalhador ganha mais, a economia inteira se movimenta. E isso só é possível porque Santa Catarina tem um dos ambientes de negócios mais favoráveis do país. Estamos incentivando a indústria, o comércio e os serviços, e o resultado aparece no bolso do catarinense. Rende mais, consome mais e cresce mais”, resumiu o secretário Edgard Usuy.

O secretário de Planejamento, Arão Josino, enterrou a falácia socialista de que a riqueza gera iniquidade.

“É possível crescer economicamente sem ampliar as desigualdades. O estado manteve a menor desigualdade de renda do país, resultado que reflete uma economia dinâmica, que gera empregos e valoriza o trabalhador”, declarou.

Contradição urbana

Toda essa prosperidade atrai ondas migratórias de pessoas fugindo do fracasso econômico de outros estados. E é exatamente essa busca por sobrevivência que expõe as falhas crônicas da máquina pública.

O presidente do Instituto Selo Social, Fernando Assanti, joga luz sobre o peso dramático dessa atração populacional. Ele lembra que o estado concentra mais de 160 favelas e comunidades urbanas mapeadas pelo órgão estatístico nacional fora das grandes capitais. A entidade trabalha na capacitação e no assessoramento de impacto social.

“Somos um estado privilegiado em indicadores como emprego, renda, formalização e segurança, mas também é importante olhar para os desafios que ainda existem”, disse Assanti.

O especialista pontuou que várias regiões catarinenses apresentam dificuldades em atingir metas ligadas ao emprego e à erradicação da pobreza.

“Isso mostra que Santa Catarina vive um estágio de desenvolvimento avançado em alguns aspectos, mas ainda bastante desigual entre regiões e territórios”, ponderou.

Para ele, emprego e renda não resolvem todos os problemas sociais de forma isolada.

“É essencial que isso caminhe junto com uma rede de proteção social forte, com acesso à educação, saúde, assistência social e políticas públicas que garantam dignidade para as populações mais vulneráveis”, argumentou.

O cenário comprova a eterna tensão entre o avanço privado e a lentidão estatal em cidades pressionadas pelo custo de vida habitacional, como Florianópolis e Balneário Camboriú. Assanti lembrou que o território catarinense ainda apresenta baixos índices em obrigações governamentais rudimentares, como o tratamento de esgoto.

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/santa-catarina/estado-mais-conservador-pais-menos-recebe-bolsa-familia/

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