
Por Estagiário De Lara
A Casa Branca confirmou nesta terça-feira, dia 5 de maio, o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder dos Estados Unidos, Donald Trump. A reunião acontece na quinta-feira, dia 7, em Washington.
Eu percebo claramente que o verniz diplomático está cedendo espaço à urgência dos fatos. Um funcionário americano declarou à agência France Presse sob condição de anonimato que Trump receberá Lula para uma visita de trabalho e que eles discutirão questões econômicas e de segurança de interesse comum.
Fim do espetáculo
Como bem adiantou a matéria publicada no site da Jovem Pan, observo que este segundo encontro entre os dois líderes, que carregam um longo histórico de relações turbulentas, não terá espaço para cerimônias de Estado.
A avaliação em Washington é cristalina e reflete o pragmatismo atual. A Casa Branca adotou um padrão de reuniões bilaterais de alto nível com foco absoluto em resultados concretos e agenda fechada.
Esqueçam os desfiles militares e as pompas simbólicas vistas na visita do Rei Charles III na semana passada.
A lógica agora é o pragmatismo puro, com menos teatro e mais negociação política e econômica.
Acordos em jogo
Vejo que o vice-presidente Geraldo Alckmin enxerga na viagem uma oportunidade de ouro para selar acordos em diversas áreas.
Em entrevista à GloboNews, ele detalhou a pauta que envolve os pilares do controle global moderno, incluindo conversas sobre big techs, terras raras, data centers e políticas tarifárias e não tarifárias.
Alckmin chegou a declarar que está muito confiante nessa ida do presidente Lula e nesse encontro com o presidente Trump.
A grande aposta brasileira, na minha visão, repousa na segurança.
Segundo o vice-presidente, o combate ao crime organizado é um tema que Lula já levou a Trump e vai levar novamente. A ideia é fechar um acordo contra organizações criminosas transnacionais, com parcerias essenciais em controle de fluxo financeiro e investigação.
O abismo ideológico
Acompanho de perto os desdobramentos desde o mês passado, quando Brasil e Estados Unidos firmaram um acordo para frear o crime organizado transnacional, mirando a interceptação de armas e drogas.
A medida central é o compartilhamento de informações em tempo real. O acordo avançou logo após o governo Trump sinalizar a intenção de classificar facções brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como grupos terroristas.
O governo Lula, por sua vez, rejeita essa classificação. Ainda assim, a força da realidade obriga a integração de esforços de inteligência em uma agenda ampla de cooperação bilateral.
A máquina opera
Na prática, a burocracia tenta funcionar por meio do projeto Mutual Interdiction Team. A iniciativa atua como uma cooperação mútua encabeçada pela Receita Federal do Brasil, que possui interlocução direta com a Polícia Federal, e pela agência de fronteiras dos Estados Unidos, a Customs and Border Protection.
As autoridades ilustram a urgência da medida com um caso real. A descoberta recente de um contêiner com uma peça de fuzil vindo de um porto da Flórida exige que os americanos sejam comunicados imediatamente.
O objetivo é conduzir investigações conjuntas a partir do ponto de origem.
Para mim, isso prova definitivamente que a realidade implacável do crime transnacional atropela qualquer divergência ideológica de palanque.










