
Por Estagiário de Lara
Para a surpresa de absolutamente zero pessoas que acompanham o Carnaval do Rio de Janeiro, a Acadêmicos de Niterói conseguiu a proeza de estrear no Grupo Especial e ser rebaixada logo em seguida. A apuração desta quarta-feira, dia 18 de fevereiro, confirmou o que a Avenida já gritava: transformar desfile em comício nem sempre garante a nota 10. Com ridículos 264,6 pontos, a escola amargou a lanterna e volta para a Série Ouro em 2027, provando que “esperança” no nome do enredo não salva ninguém de quesitos técnicos mal executados.
A escola entrou na Avenida no domingo, dia 15, com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A proposta era contar a saga do presidente, do agreste à rampa do Planalto. O resultado? Uma chuva de canetas pesadas dos jurados. Ao longo de toda a apuração, a agremiação viu a nota máxima apenas duas vezes.
A ironia é fina. Enquanto a diretoria da escola soltava notas oficiais alegando “perseguição política” devido ao tema escolhido, a realidade na pista mostrava carros alegóricos entalados e buracos na evolução. O carro abre-alas, que representava o agreste pernambucano, parecia prever o futuro da escola: uma mistura de exuberância com escassez de notas.
Não adianta culpar a oposição quando o problema está na roda do carro alegórico. A Acadêmicos de Niterói enfrentou um verdadeiro caos na dispersão. Alegorias ficaram presas, gerando aquela correria desesperada que todo carnavalesco teme. A Imperatriz Leopoldinense, que veio logo atrás, reclamou e com razão de ter sido prejudicada pelo “engarrafamento” deixado pela coirmã de Niterói.
Entre as “homenagens” sutis como um elefante na sala, estavam:
- A Rampa do Planalto: Uma encenação da posse com atores representando figuras como o ministro Alexandre de Moraes (o Xandão) e a ex-presidente Dilma.
- O “Presidiário”: Uma referência nada velada à prisão de Bolsonaro na traseira de um carro que criticava a gestão da pandemia.
- A lata de conserva: A ala “Neoconservadores em conserva”, que irritou profundamente a bancada evangélica e parlamentares da oposição.
Judicialização da folia
Antes mesmo de pisar na Sapucaí, a escola já estava no tribunal. Foram mais de dez ações judiciais tentando barrar o desfile por propaganda eleitoral antecipada. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em uma decisão unânime, liberou a apresentação para não configurar censura prévia, mas deixou o aviso de que excessos seriam punidos.
O Partido dos Trabalhadores até tentou orientar a militância a segurar a onda para evitar problemas com a lei, mas o estrago de imagem já estava feito. O governo federal jurou de pés juntos que não colocou dinheiro público na “homenagem”, mas a oposição não comprou a história.
No fim das contas, Lula elogiou o desfile nas redes sociais, mas elogio de presidente não muda critério de jurado. A Acadêmicos de Niterói sai de cena deixando uma lição valiosa para as próximas temporadas: o Carnaval aceita tudo, menos desfile chato, mal organizado e que transforma a maior festa do planeta em palanque eleitoral.










