
Parece que o ano de 2026 trouxe uma praga silenciosa que afeta apenas os equipamentos de monitoramento das grandes personalidades brasileiras. Se para o cidadão comum o maior problema tecnológico é o sinal do celular cair no elevador, para figuras como o funkeiro Oruam e o ex-presidente Jair Bolsonaro, o drama envolve circuitos, baterias e ferramentas de soldagem. A ironia do destino colocou o ídolo do trap e o antigo mandatário da nação no mesmo barco de “problemas técnicos” que resultam em ordens de prisão e muita dor de cabeça jurídica.
A difícil relação entre as tomadas e a liberdade vigiada
O monitoramento eletrônico deveria ser uma solução prática para manter a ordem, mas na prática tem se revelado um verdadeiro desafio de engenharia para seus usuários. Enquanto o funkeiro Mauro Davi dos Santos Nepomuceno “Oruam” luta contra carregadores que insistem em não funcionar, o país ainda se lembra do episódio curioso envolvendo Jair Bolsonaro, que levou a tecnologia ao limite da resistência física.
Ambos os casos levantam uma questão fundamental sobre a eficácia dessas medidas quando o usuário decide travar uma batalha pessoal contra o “hardware“. Para a justiça, a linha entre a falha técnica e o descumprimento proposital é tão tênue quanto o fio de um carregador de má qualidade.
Oruam e a saga do carregador que não colabora
O caso de Oruam é um exemplo clássico de como a tecnologia pode ser caprichosa. Com a prisão preventiva decretada novamente pela 3ª Vara Criminal da Comarca da Capital, o artista agora é considerado foragido após acumular dezenas de incidentes com sua tornozeleira eletrônica. O argumento do cantor é quase comovente de tão cotidiano: ele simplesmente não consegue carregar o aparelho.
Os dados fornecidos pela Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP) pintam um cenário de persistência quase heroica por parte do monitorado em não se deixar monitorar.
- Foram registradas 66 ocorrências de violação no sistema.
- Somente em 2026, o sistema apontou 21 infrações graves.
- O equipamento está oficialmente descarregado desde o dia 1º de fevereiro.
- O cantor alega ter trocado o carregador, mas a bateria continua no zero.
“O problema seria no carregador” afirma Oruam em seus vídeos, tentando provar que é vítima de uma conspiração dos elétrons. No entanto, para a juíza Tula Corrêa de Mello, o silêncio do aparelho soa mais como uma tentativa de circular livremente sem os olhos do Estado.
Bolsonaro e a curiosidade fatal com o ferro de solda
Se Oruam sofre com a falta de energia, Jair Bolsonaro decidiu investigar o funcionamento interno da sua tornozeleira de uma forma mais direta. Em novembro de 2025, o ex-presidente protagonizou um dos momentos mais surreais da história jurídica recente ao ser flagrado violando seu equipamento com um ferro de solda.
Diferente do funkeiro, que culpa o cabo, Bolsonaro admitiu a autoria da intervenção técnica com uma justificativa que entrou para os anais da ironia política brasileira.
“Meti ferro quente aí. Curiosidade” afirmou o ex-presidente ao ser questionado por agentes da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAPE) do Distrito Federal (DF).
A “curiosidade” de Bolsonaro custou caro. O alerta de violação gerado às 00:07 daquele sábado de novembro resultou em sua prisão preventiva imediata. Hoje, completando seis meses de reclusão em fevereiro de 2026, ele tenta negociar a volta para a prisão domiciliar, que foi perdida justamente por essa tentativa de entender como a tecnologia funciona por dentro.
Regras de monitoramento são o maior obstáculo para os famosos
A comparação entre os dois casos mostra que, independentemente do espectro político ou cultural, a tornozeleira eletrônica é vista como o “símbolo da máxima humilhação”, como definiu o próprio Bolsonaro. O descumprimento das regras parece ser uma tentação irresistível para quem está acostumado com os holofotes.
As medidas cautelares impostas a ambos incluíam:
- Proibição de circulação em horários noturnos e áreas de risco.
- Restrição de comunicação com outros investigados em processos criminais.
- Manutenção rigorosa da carga da bateria para garantir o rastreio via satélite.
- Proibição de danos físicos ao invólucro do sensor.
Enquanto Oruam segue publicando vídeos sobre sua saga elétrica, a Polícia Federal e as forças estaduais permanecem em alerta. A lição que fica para 2026 é que, no duelo entre a celebridade e a tecnologia de monitoramento, a bateria sempre acaba antes da paciência dos juízes.










