
O impacto financeiro de um grande show vai muito além dos ingressos vendidos e das milhares de pessoas reunidas diante de um palco. Quando um espetáculo atrai público de outras cidades, estados e países, a movimentação atinge hotéis, restaurantes, transportes, agências de viagens e uma extensa cadeia de serviços. A capital paulista viveu exatamente esse cenário neste fim de semana com a estreia nacional da nova turnê de Xuxa.
Neste sábado 25 de julho, o projeto “O Último Voo da Nave” reuniu cerca de 50 mil pessoas no Nubank Parque em São Paulo e marcou o início da jornada da apresentadora. A cidade receberá uma segunda apresentação no dia 31 de julho, antes de a estrutura seguir viagem para as demais regiões brasileiras.
Impacto sem fronteiras
Ainda não existe um levantamento oficial que determine o valor exato injetado na economia paulistana ou o percentual de turistas entre os espectadores. A circulação intensa de fãs vindos de diversas partes do Brasil e do exterior comprova que o reflexo do espetáculo ultrapassou os portões do estádio e movimentou diversos setores comerciais.
Michael Fred, jornalista e presidente de um fã clube, acompanhou de perto essa mobilização e relatou a presença de viajantes de Brasília, Minas Gerais, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e de outras nações sul americanas.
“Vieram pessoas do Chile, vieram ônibus da Argentina, não só um ônibus, mas alguns ônibus da Argentina também vieram. E gente de Fortaleza, gente de Recife, tinha muito do Rio, o Rio estava em peso aqui também”, afirma Michael Fred.
Excursões e lucros
Circulou entre os admiradores a informação sobre a organização de até 16 ônibus partindo da Argentina. Embora não tenha a confirmação oficial desse número, o jornalista constatou a presença massiva de grupos argentinos no evento. A viagem terrestre entre Buenos Aires e São Paulo exige quase 40 horas de estrada, dependendo do trânsito e dos trâmites na fronteira. Para um público que percorre milhares de quilômetros, os gastos englobam hospedagem e alimentação por vários dias.
“Esses meus amigos ficaram em flat, algumas pessoas ficaram em hotel mesmo. Então tinha muita, mas muita gente de fora”, destaca o presidente do fã clube.
O turismo interno também sentiu o peso do evento por meio das excursões organizadas a partir de cidades do interior e do entorno paulista. Esse modelo movimenta empresas de fretamento, vans e serviços para motoristas. O dinheiro gerado pelo show começa a circular muito antes de o público chegar ao destino final.
Efeito Taylor Swift
Como os dados da turnê atual ainda não foram consolidados, eventos recentes ajudam a dimensionar o potencial milionário desse mercado. Em novembro de 2023 a cantora Taylor Swift trouxe o projeto “The Eras Tour” para o Allianz Parque. As três apresentações somaram cerca de 150 mil espectadores no total, sustentando uma média muito próxima aos 50 mil registrados agora na primeira noite de Xuxa.
Naquela ocasião, o levantamento da São Paulo Turismo (SPTuris) estimou uma injeção de aproximadamente R$ 240 milhões na economia da cidade. A projeção considerou um gasto médio de R$ 2.563 por pessoa, englobando despesas que extrapolam o valor do ingresso.
Força do turismo
O estudo anterior apontou que cerca de 30% do público de Taylor Swift era formado por visitantes de outras regiões e países. Isso reflete o aquecimento direto na venda de passagens aéreas e rodoviárias, além de estimular o comércio local quando os visitantes decidem aproveitar a estadia para conhecer a cidade.
O fluxo registrado em “O Último Voo da Nave” reforça uma realidade ignorada por muitos gestores públicos sobre como os grandes espetáculos sustentam o turismo urbano. A capacidade da artista brasileira de mobilizar diferentes gerações amplia esse fenômeno, transformando a arte em um motor econômico essencial para as capitais. A experiência demonstra que a indústria do entretenimento caminha em sintonia com os serviços turísticos e gera lucros cruciais para o desenvolvimento regional.










